segunda-feira, abril 20, 2009

Pensando Direito, Violência e Afeto (o legado Guarani sob a lente da palavra)

Depois do meu último post, por grande coincidência em função do tema, recebo do do meu amigo Paulo Leal, direto de Santo Ângelo das Missões, o convite e o pedido para divulgação pública do seminário abaixo.

Então segue:

"PENSANDO DIREITO VIOLÊNCIA E AFETO(o legado Guarani sob a lente da palavra)

Os Mbyá-guarani, que habitam as Missões, são tão diferentes de tudo o que conhecemos que apenas tentar entendê-los já é uma tarefa mais do que complexa.
Para eles, não apenas os humanos, mas todos os seres são dotados de espírito. Isso os leva a ter um relacionamento com a natureza muito mais respeitoso que o nosso, pois não tentam submetê-la.
A religiosidade é o principal elemento que os une e as casas de reza são construídas de forma a fazer com que todos fiquem o mais próximo possível uns dos outros. Suas preces não são para pedir vida eterna ou milagres, nem para não ficarem doentes, pois sabem que isso é impossível, mas que a doença, quando vier, não seja grave.
Quando alguém morre, o que havia de bom vai imediatamente para junto a Deus. Eles rezam, então, para afastar, do meio deles, tudo o que ficou de ruim daquele que morreu.
Os Mbyá-guarani não falam de si nem do outro e são tão transparentes que parece impossível vê-los dissimulando alegria ou tristeza. Eles vivem o hoje. O amanhã é algo que está fora dos domínios humanos e, portanto, impossível de ser controlado.
Embora muito pobres - alguns morando em beira de estradas - não são violentos e a docilidade desse povo chega a ser surpreendente. Eles jamais alteram a voz com os outros e a terra está presente no corpo, com a qual estão completamente integrados.
Eles têm também uma forma diferente de educar os filhos: jamais os agridem com palavras ou atos e a relação com as crianças é de tal forma afetuosa que elas não engatinham e somente saem do colo quando estão em condições de andar no mundo pelas próprias pernas.
Os Mbyá-guarani demonstram a existência de outros projetos humanos no planeta que temos o dever de conhecer, se não para mudarmos, ao menos para aprender a respeitá-los!
Com essas considerações preparatórias ao debate, com muito orgulho, o Grupo de Estudos Sebo Café promove “três anos de reflexões em debate”, objetivando inventariar o acúmulo teórico do grupo, através da investigação do legado e da inteligência (sistema de impressões e juízos) Mbyá-guarani, com a temática “Pensando direito violência e afeto”.

Local: Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo
Data: 15 de maio Hora: 19h34min - Participação especial de Bartomeu Melià
Apoio: IESA – OAB/RS – AJURIS – AMATRA IV - PREFEITURA DE SANTO ÂNGELO"

quarta-feira, abril 01, 2009

Fotografia: Alma Guarani

Os Guaranis são a etnia que contatou José de Anchieta em 1549 quando da chegada dos primeiros missionários na então Terra de Santa Cruz.

A natureza pacífica, afetuosa, a amizade, o respeito aos idosos e o imenso carinho com as crianças são características marcantes deste povo que, recuando ao invés de enfrentar o colonizador, ainda hoje sobrevive nômade, preservando a sua cultura especialmente por meio da língua, da dança, da mitologia e das manifestações musicais.

As fotografias a seguir foram tomadas nas região gaúcha das Missões Guaranis de Santo Ângelo Custódio e São Miguel das Missões, Estado do Rio Grande do Sul.

A partir de 1989 um grupo indígena Mbyá-Guarani passou a transitar pela cidade de São Miguel das Missões, fixando-se na área próxima à Fonte Missioneira. Em 2001 foram assentados em uma área adquirida pelo Governo do Estado às margens do Rio Inhacapetum, resgatando assim, uma minúscula parte do torrão onde reinaram soberanos por séculos até a conquista final pelo bandeirante escravista em 1756.


Mais de 460 anos depois das primeiras aulas de música e fabricação de instrumentos ministradas pelos jesuítas como forma de aproximar-se desta cultura e atraí-los para a vida nas reduções, uma cena trazida dos imemoriais arquivos da história se repete aos olhos do visitante.

Como se o planeta desde então não tivesse girado 460 vezes ao redor do Sol, como se os Bandeirantes não tivessem arrasado à força de canhões as Missões Guaranis, como se o índio Sepé ainda cavalgasse altivo pelas coxilhas de Caibaté...


O Coral Jerojy Guarani ainda é uma pérola de resistência e difusão da cultura guarani a partir do aldeamento de São Miguel das Missões.



A técnica de fabricação de instrumentos músicais como violinos, flautas e arpas, aprendida dos jesuítas, foi adaptada pela cultura guarani, que acabou por incorporar alguns deles em suas manifestações musicais.

Um grupo típico de músicos inclui o "violino guarani", tocado junto à barriga e às vezes construído com casca de tatu, um violão e um tambor - o "agapu". Os músicos são acompanhados de vozes de crianças e mulheres e o bater compassado dos seus pés junto ao chão.

Quem já não viu esta cena composta por índios andrajosos e crianças esfomeadas em pleno Centro Histórico da nossa Porto Alegre?






As ruínas jesuíticas de São Miguel são as melhor conservadas no território brasileiro e junto à elas está um museu com sinos, artefatos em pedra resgatados das escavações arqueológicas e impressionantes exemplares da estatuária religiosa esculpida pelos artistas guaranis em madeira.


À noite um espetáculo de som e luz narrando a epopéia indígena é apresentado no Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo.


Nem todos sabem que a Catedral de Santo Ângelo é uma réplica da igreja da redução de São Miguel acima e foi utilizada como um dos cenários do filme "A Missão", de Rolland Joffé, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1986. Uma de suas mais belas cenas é justamente a apresentação de um coral indígena acompanhado de músicos com instrumentos fabricados pelos próprios luthiers indígenas.


Agradeço ao amigo Paulo Leal a oportunidade de ter acompanhado, ainda que por breves momentos, uma ínfima partícula do tempo na Aldeia de Tekoa Kóénju.

Para minha irmã Ângela, fruto distante do berço guarani.



PARA SABER MAIS: Os 30 anos de São Miguel como Patrimônio da Humanidade - Jornal Zero Hora


domingo, março 29, 2009

Motoaventura: Morro da Igreja - Nas Alturas de Santa Catarina

O objetivo era escapar do infernal calor de Porto Alegre e do litoral gaúcho, cujas altas temperaturas e o sol abrasador no verão torturam à morte o mais resistente motociclista. Descartado o litoral do Uruguai em função do grande movimento nesta época do ano, a opção foi rumar no contra-fluxo, subindo às alturas do Estado de Santa Catarina enquanto o povo baixa desesperado para se acotovelar nas praias do litoral sul.

Parceria acertada com o Felipe e a Márcia, filhos sob guarda dos avós, malas arrumadas em 15 minutos - uma das melhores vantagens do turismo minimalista que o motociclismo garante aos seus adeptos, moto abastecida e numa bela manhã de sábado nos despedimos da escaldante Porto Alegre às vésperas do Feriado de Navegantes.

Roteiro previsto, sem pressa para chegar: Porto Alegre - Caxias do Sul - Vacaria - Lages - São Joaquim - Urubici - Morro da Igreja (ponto culminante de Santa Catarina) - Urubici - Serra do Rio do Rastro - Criciúma - Torres - Porto Alegre. Total a rodar: 1.100 quilômetros em 3 dias.

A felicidade de viajar em duas rodas... Alguém duvida do ânimo desta turma?

Sem pressa de chegar, almoço no Alvorada, a melhor parada de Caxias do Sul e já na subida para Vacaria a temperatura começa a cair, com forte prenúncio de chuva. Ao contrário do que muitos possam imaginar, desde que com bons pneus e roupa apropriada, a chuva é bastante apreciada nos passeios motociclísticos, principalmente no verão. Não há o que pague a sensação de frescor que chega com chuva, o cheiro da terra e da vegetação molhadas e o aquele peculiar barulhinho das gotas de água batendo no casco do capacete... Passadas as nuvens - quando isto acontece - o vento rapidamente deixa a roupa seca outra vez.

Apesar da revisão prévia à viagem, por descuido do mecânico uma borracha de vedação mal colocada passou a causar um pequeno vazamento de óleo no cilindro direito do motor boxer da GS. Apesar de não ser um problema que interrompesse a viagem, a perna da calça foi aos poucos saturando de óleo por fora, o que de tempos em tempos nos obrigava a uma bem-humorada parada para "limpeza" da lataria.

De Lages onde chegamos ao final da tarde de sábado até São Joaquim são pouco mais de 60 quilômetros, o que fizemos abaixo de fortes pancadas de chuva e com a temperatura em queda livre. Dos 34ºC em Porto Alegre na hora da partida, chegamos em São Joaquim cerca de dez horas depois com neblina e a temperatura invernal de 11ºC. E o melhor de tudo: pousadas e restaurantes vazios e a meio-preço em função da baixa estação.

Na manhã seguinte rumamos a Urubici, a 60 quilômetros de São Joaquim por uma belíssima estrada já na região dos Campos de Cima da Serra, o altiplano característico da serra gaúcho-catarinense.

Urubici está no Vale do Rio Canoas e constitui o ponto de partida para diversos passeios de primeira grandeza para quem se agrada do ecoturismo e turismo rural. Apesar da cidade não ter o mesmo aspecto serrano de São Joaquim, dali saem os caminhos para locais com inscrições rupestres, ótimas hospedarias, a Cascata do Avencal com mais de 100 metros de queda livre, o Campo dos Padres, a Serra do Corvo Branco e o imperdível Morro da Igreja, ponto culminante de Santa Catarina com 1.828 m.

Reza a história que a região passou a ser colonizada a partir de 1711 pelos jesuítas, ali chegados para buscar minas e catequizar índios até o Rio Caçadores. Daí no nome da bela planície chamada "Campo dos Padres", um dos belos atrativos na altura da descida da Serra do Corvo Branco e onde está o Refúgio do Rio Canoas (www.riocanoas.com.br/Home1.swf) um dos melhores da região.

Parada para comprar queijo e salame no caminho entre Urubici e o Morro da Igreja, pois ninguém é de ferro... A partir de Urubici até o acesso ao Morro da Igreja são 17 quilômetros de estrada em obras de asfaltamento. Do seu acesso até o topo do Morro a estrada é totalmente asfaltada em função de constituir zona militar estratégica pois no cume está localizado um dos radares do sistema Cindacta, controlado pela aeronáutica.

Na medida em que se inicia a subida do Morro da Igreja a temperatura cai ainda mais e presencia-se o fenômeno da "viração", característico da zona dos Aparados da Serra. Trata-se de nuvens e neblina resultante da condensação do ar quente e úmido que sobe do litoral e se encontra com o ar frio de cima da serra. Nos dias limpos pode-ser avistar o litoral de SC a partir do topo do morro. Nesta viagem não tivemos esta sorte.

À medida em que a altitude aumenta a vegetação vai mudando para campos rarefeitos e mata nebular, sendo comum a presença da gunnera manicata, típica da Cordilheira dos Andes e que excepcionalmente encontra-se também nos Aparados da Serra.

Deve-se ter bastante cautela na estrada de acesso ao Morro da Igreja pois é estreita e frequentemente recoberta de espessa neblina. O trânsito de visitantes é especialmente perigoso para quem está com motocicletas pois quando subimos a visão chegou a limitar-se a não mais do que 1 metro adiante.

Enfim lá! Não conseguimos chegar à cota 1.828 pois está dentro da área militar restrita do Cindacta. Todavia, faltaram só 11 metros conforme mostra a marcação do GPS.

Em meio à viração, parte do radar da Aeronáutica. E vamos embora pois para baixo todo o santo ajuda!

Cansados depois de um dia de trabalho ganho honestamente, o que melhor do que uma surpresa para viajantes cansados. Abaixo, a exclusiva Pousada Nó de Pinho. Be aware: no children and pets accepted!

É pouco? Tem mais... Quanto vale uma noite assim para um viajante cansado? Resposta: muito, muito menos do que você pensa. Viaje fora de época, hospede-se fora dos feriados e finais de semana...

Se a lenha era organizada no capricho assim como está abaixo, image então como eram as cabanas da pousada...

Manhã de domingo, retornar a Urubici e seguir para Bom Jardim da Serra, portal da Serra do Rio do Rastro. Neste mirante, em dias de tempo claro, também se avista o litoral de Santa Catarina. Mas em dias "feios", com certeza o oceano de nuvens constitui atração à parte.

Os quatis silvestres passaram a se alimentar de comida deixada pelos turistas, o que fez multiplicar excessivamente a população local e a proximidade com os visitantes. Apesar da frequente fiscalização do IBAMA estes mau hábitos continuam e os animais podem ser bastante agressivos com turistas descuidados ou imprevidentes.

Descendo a Serra do Rio do Rastro rumo a Criciúma e Torres. Depois a Porto Alegre pelo litoral.

Já perto de casa, a sobremesa da viagem na Estrada do Mar: o Parque Eólico ao pôr-do-sol. Mais uma hora de Free-Way e estamos de volta em POA, alma leve e baterias recarregadas até a proxima viagem...

DICAS DA VIAGEM:

Caxias do Sul: não deixe de provar o galeto do Alvorada, reduto tradicional da família caxiense (http://www.hagah.com.br/restaurantes/jsp/default.jsp?action=detail&ingrid=139704&uf=1&local=1&regionId=7&what=&where=&locale=C12&category=6&genre=5&filter=&letter=)

São Joaquim: Pousada Caminhos da Neve, simples, bom preço e atendimento excepcional (http://www.hospedevip.com.br/sao-joaquim/hoteis/pousada-caminhos-da-neve.html). Visite a Vínicola Villa Francioni, destaque para os vinhos brasileiros de altitude (http://www.acavitis.com.br/francioni.html)

Urubici: não dormimos ali, mas recebemos ótimas indicações do Urubici Hotel (http://www.urubiciparkhotel.com.br/) - segundo o Marcelo, peça um suite no último andar - e da Pousada Serra Bela (http://www.serrabela.com.br/) - certificada pelo Ramón.

Morro da Igreja: Pousada Nó de Pinho (http://www.urubici.com.br/pousadanodepinho)

Campo dos Padres: também não paramos ali desta vez, mas a dica é o Refúgio de Montanha do Rio Canoas (http://www.riocanoas.com.br/Home1.swf)

Blog Rodamundo: Veja a outra versão desta história contada pelo Felipe e a Márcia: http://rodamundomg.blogspot.com/2009/02/uma-estreia-100-sao-joaquim-urubici-rio.html

domingo, março 15, 2009

Crônica: Vale a pena manter um blog?

Leio na Zero Hora dominical de hoje (03/03/2009) a coluna de Luís Augusto Fischer anunciando o "desfazimento" do seu blog. Disse o escritor que desistiu de manter seu blog regular pois tinha a desconfortável sensação de que o estava enviando para lugar nenhum e, portanto, para leitor algum.

Será mesmo? Já passei por reflexões semelhantes, questionando-me se dentre os milhões de blogs hoje disponiveis na internet ainda há chance de alguém ler estas linhas que lançamos no universo virtual.

O que me anima a tocar o site em frente é principalmente o fato de já ter lido, ao acaso e sem qualquer referência prévia, excelentes textos dos mais anônimos bloguistas: senhoras, estudantes, profissionais, crianças, gente sem qualquer reconhecimento público prévio. A liberdade de expressão neste incrível espaço que é a internet ainda é o seu maior valor e estimula a prospecção de verdadeiros tesouros perdidos entre os milhões de blogs que pairam por aí no espaço virtual.

Talvez queira me enganar mas ainda acredito que cedo ou tarde algum navegador perdido é capaz de estacionar no meu blog para descansar a mão do uso do mouse, tomar um ar ou reabastecer seu reservatório de curiosidades.

A esperança é a última que morre...

segunda-feira, março 09, 2009

Ecologia II: Leave No Trace - A Técnica do Mínimo Impacto em Atividades Junto à Natureza

Continuando o tema do mínimo impacto humano quando em interação com o ambiente natural, algumas regras de ouro podem ser facilmente adotadas, exigindo, por outro lado, a vontade de assumir certas mudanças de hábito e de cultura. Estes enunciados fundamentais, simples, didáticos e de fácil memorização, não são absolutos mas resumem, em sua essência, a ética e as técnicas de mínimo impacto recomendadas para cada situação e que devem ser atendidas sempre que possível:


1 - PLANEJAR E PREPARAR ANTES DE SAIR

  • Informe-se o melhor possível quanto ao lugar que pensa visitar: caminhos, acampamentos, previsão do tempo, restrições, etc.

  • Defina as metas e objetivos da viagem e considere a condição física dos participantes.

  • Leve equipamento adequado para as condições do terreno e do clima.

  • Não leve lixo para a natureza. Deixe em casa as embalagens volumosas ou pesadas e coloque os seus alimentos em sacos ou potes plásticos que possam ser reutilizados. Evite levar latas ou vidro.

  • Quando possível, viaje em grupos pequenos.

2 - VIAJE E ACAMPE EM SUPERFÍCIES DURÁVEIS E RESISTENTES

  • Acampe longe das fontes de água (60 metros = 70 passos).

  • Evite os lugares onde o impacto no ambiente ainda está reduzido possibilitando a sua recuperação.

  • Evite contaminar as fontes de água e nelas só introduza recipientes limpos.

  • Não construa bancos nem mesas. Lembre-se que o melhor acampamento não se faz, se encontra.

  • Utilize mapa e bússola para evitar deixar sinais de orientação em rochas ou plantas.

  • Restrinja sempre que possível as atividades em lugares com vegetação.

  • Em áreas de muito uso e excessivamente atingidas: concentre a circulação nas áreas já impactadas, escolha lugares já designados para acampamento quando estes existirem, procure permanecer e caminhar em fila indiana nas trilhas no caminho evitando alargá-las além do necessário, não corte caminho abrindo novas trilhas, evite produzir maior erosão, descanse fora do caminho em superfícies duráveis e resistentes como rochas, areia, grama, pasto seco, etc.

  • Em áreas virgens ou de pouco uso: quando visitar lugares virgens procure dispersar o impacto, quando viajar por áreas sem trilhas, caminhe por superfícies duráveis e resistentes, acampe em superfícies duráveis e resistentes sempre que possível.

3 - LIXO: TUDO O QUE LEVAR, TRAGA DE VOLTA

  • Regresse com todo lixo que tenha produzido e, se possível, com aquele que encontrar. Não o enterre!

  • Proteja sua comida e a fauna, empacotando adequadamente seus alimentos. Lembre-se que é sua comida não a dos animais, sendo prejudicial e perigoso habituá-los ao alimento dos humanos.

  • Recolha toda a comida que cair no solo e também leve com você todos os restos.

4 - DEJETOS: DISPONHA ADEQUADAMENTE TUDO AQUILO QUE NÃO PUDER TRAZER DE VOLTA

  • Lave seus utensílios e faça o asseio pessoal afastado pelo menos 60 metros da fonte de água, utilizando o mínimo de sabão biodegradável. Espalhe no terreno a água suja para que seja por ele filtrada.

  • Enterre as fezes humanas depositando-as em um "buraco de gato": uma cova de 30 cm de profundidade, no mínimo 60 metros distante das fontes de água, de trilhas e de acampamentos e, uma vez utilizado, cubra-a e disfarce-a no terreno.

  • Se utilizar papel higiênico, traga-o de volta ou queime-o totalmente em um recipiente apropriado, evitando assim os incêndios.

  • A urina produz odores e faz com que os animais raspem a terra para ingerir os sais.

5 - NATUREZA: DEIXE NO LOCAL TUDO O QUE ENCONTRAR

  • Trate a natureza com respeito, deixando onde encontrou flores, plantas, rochas, conchas, etc. Em pouco tempo elas se convertem em um estorvo em sua casa.

  • Não toque em objetos de importância histórica ou arqueológica pois levá-los é um delito e prejudica irreparavelmente as investigações científicas do local.

  • Permita que os animais exercitem suas atividades naturais sem alterá-las. Não os moleste e recorde que nós somos os visitantes.

  • Escute o som da natureza, evite fazer ruídos e deleite-se com o silêncio.

6 - FOGUEIRAS: MINIMIZE SEU USO E IMPACTO

  • As fogueiras podem causar um grande impacto na natureza. Leve um pequeno fogareiro que possa ser utilizado em qualquer terreno e condição de clima.

  • Se resolver fazer uma fogueira, considere as condições do ambiente, lenha suficiente, vento, etc.

  • Recolha lenha caída de uma área ampla e de um diâmetro maior que a palma da mão; não corte galhos secos das árvores.

  • Prefira um lugar onde já tenha havido uma fogueira anteriormente e não a acenda junto a rochas ou debaixo de saliências pois isto faz com que se produzam rachaduras e fiquem manchadas com fuligem.

  • Uma vez terminada a fogueira, permita que se converta em cinzas, apague-a completamente, moa os carvões e disperse todo e qualquer resíduo.

  • Limpe completamente o lugar da fogueira para que outros também o usem.

O convívio com impacto mínimo no ambiente natural depende muito mais de atitudes e de consciência individual do que de fiscalização, leis e regulamentos.

A idéia não é se transformar em um eco-chato mas valer-se do bom senso e de consciência ética adotando regras pequenas, adaptadas ao nosso meio e que, multiplicadas pelo máximo de pessoas, produzam os resultados cumulados que preservarão um mundo melhor e mais limpo para as gerações vindouras.

Divulgue você também as técnicas de mínimo impacto!