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segunda-feira, novembro 24, 2014

Família Rodante rumo Chile 1: Viajando (muito) com crianças


Foto João Paulo Lucena

A tradição familiar é antiga e remonta a mais de 50 anos de paixão pela vida ao ar livre e os acampamentos junto à natureza como atividade lúdica e prazerosa. Coisa que, confesso, para muita gente é algo impensável, excêntrico e, até, de outro mundo.

Com meus pais saí a primeira vez para acampar ainda com 6 meses de idade, bem instalado em uma grosseira barraca militar, de lona e armação de ferro, sem piso, tendo a porta fechada por laços no lugar de zíperes. Dentro, camas de lona com armação de madeira, cobertores ao invés dos hoje indispensáveis sacos de dormir e, claro, muita formiga e mosquito.

O tempo passou, as barracas evoluíram, surgiram os trailers e motorhomes. Em família fomos acompanhando a mudança dos tempos, desbravando caminhos pelo Brasil e pelas rotas castelhanas do Cone Sul, opção facilitada pela proximidade dos Rio Grande do Sul com o Uruguai, o Paraguai, a Argentina e o próprio Chile, a pouco mais de dois dias de viagemininterrupta por terra. De minha parte a paixão pela vida simples e o contato direto com o mundo outdoor só potencializou-se conforme fui crescendo e conquistando independência e a experiência de viajar sozinho.

A grana curta dos tempos de estudante nunca impediu o sonhar com novas viagens, que a cada vez se superavam em desafios e dificuldades. Com uma mochila nas costas fui aos poucos conhecendo os caminhos do meu estado, depois do país, das Américas e da Europa. Pela proximidade geográfica, a identificação cultural e mais algum misterioso componente genético, a paixão maior sempre foimesmo pelo sul da América Latina, onde comecei a explorar com meus pais nos anos 70 e nunca mais consegui parar.

Agora, reavivando o espírito das antigas férias familiares, o desafio e a adrenalina são diferentes: ir por terra de Porto Alegre a Valparaíso, no Chile, com 3 crianças entre 8 e 12 anos no banco traseiro do carro, através de 6 mil Km e passando por 4 países diferentes. E, depois de tudo, sobreviver e retornar a casa com pleno domínio de todas faculdades mentais...

É pouco? Então somem a isso saber que não ficamos em hotéis, resorts ou pousadas de luxo mas, no melhor clima easy rider, por opção os pernoites foram exclusivamente em hostels, campings, cabanas, refúgios de montanha e, eventualmente, recebidos por amigos queridos colecionados ao longo de anos e anos percorrendo os caminhos da América do Sul.

Feita a apresentação, vamos contar aqui no blog como se faz para aventurar-se assim com crianças, relatando a nossa viagem e, tomara, estimulando outros a descobrir que a desconexão não só é possível mas pode esconder surpresas incríveis no prazer das coisas simples, onde, como gosto de lembrar, o menos é mais.

Não é tão difícil. Basta uma boa dose de desprendimento, força de vontade e espírito de aventura. O resto se descobre - e se resolve - pelo caminho.

Viajamos durante 25 dias e a idéia era ir postando aqui o relato da viagem conforme possível, eventualmente escrito por um ou outro dos tripulantes, cada um no seu estilo e com a própria visão dos acontecimentos. Todavia, a inexistência de acesso contínuo à rede wi-fi aliada ao cansaço no final de cada dia, ao avançado das horas e, mais que nada, a uma irresistível vontade de ficar longe do notebook durante a viagem, nos trouxe à realidade e, portanto, estas postagens foram feitas logo do nosso retorno ao Brasil.

Então nós, a partir de agora a Família Rodante, convidamos todos a nos acompanhar nesta aventura!

João Paulo, Karina, Gabriel, João Pedro e Katharina


sábado, setembro 11, 2010

Cone Sul/Chile: Festival de cinema chileno em Porto Alegre

Recebo em Porto Alegre minha querida amiga Mónica Villarroel, em missão oficial como representante da Cineteca Nacional de Chile e mentora da Mostra Especial: Uma História do Cinema Chileno, a realizar-se entre os dias 11 e 26 de Setembro, nas instalações do Santander Cultural, em pleno Centro Histórico da capital gaúcha.

A oportunidade é única para deliciar-se com algumas pérolas do cinema do Cone Sul, como o histórico "Tierras Magallánicas", do Padre Alberto Maria de Agostini, de 1933, que inspirou a premiada co-produção brasileiro-chilena "Extremo Sul", da gaúcha Monica Schmiedt e Sylvestre Campe, que também participará da mostra.

Serão 21 obras desde o cinema mudo, os anos 50, o Nuevo Cine Chileno, exílio e transição, até as últimas produções contemporâneas, com três sessões comentadas.

Já conhecia alguns filmes como "La Frontera" e "La Luna en el Espejo" mas no programa senti falta de "Machuca", que retrata a Santiago pouco antes do golpe de 1973 sob a ótica de dois meninos de 11 anos, estudantes internos de um tradicional colégio local. Mónica me explicou que a prioridade foi para obras de pouca ou nenhuma divulgação no Brasil e Machuca já está, inclusive, disponível em DVD no mercado nacional.

Num almoço entre amigos em meio à atribulada agenda da missão chilena, tive a oportunidade de conhecer Paula Leonvendagar, diretora do documentário arqueológico "Portales: La Última Carta" (2010), do qual fica para vocês uma pequena prévia:

Sinopsis "Portales, La Última Carta" from Sólo por las Niñas on Vimeo.

As exibições no Santander Cultural são únicas, em espanhol e a programação será a seguinte:

11 set – sábado:
15h00 La frontera - Ricardo Larraín
17h00 La ciudad de los fotógrafos - Sebastián Moreno
19h00 Coquetel de abertura no Café do Cofre
20h00 Episodio + Portales, la última carta - Paula Leonvendagar
Sessão Comentada com Paula Leonvendagar

12 set – domingo:
15h00 Caluga o menta - Gonzalo Justiniano
17h00 Extremo sul - Monica Schmiedt, Sylvestre Campe
19h00 Tierras magallánicas - Alberto Maria de Agostini
Sessão Comentada com Monica Schmiedt

14 set – terça-feira:
15h00 Taxi para tres - Orlando Lübbert
17h00 Canta y no llores corazón - Juan Pérez Berrocal
18h00 Programa Documentários históricos 2
19h00 Programa Documentários históricos 1
Sessão Comentada com Mónica Villarroel Márquez

15 set – quarta-feira:
15h00 Sexo con amor - Boris Quercia
17h00 Sexo com amor? - Wolf Maya
19h00 Johnny 100 pesos - Gustavo Graef Marino

16 set – quinta-feira:
15h00 Programa Documentários históricos 2
17h00 El húsar de la muerte - Pedro Sienna
19h00 Episodio + Portales, la última carta - Paula Leonvendagar

17 set – sexta-feira:
15h00 La luna en el espejo - Silvio Caiozzi
17h00 Valparaíso mi amor - Aldo Francia
19h00 El chacal de Nahueltoro - Miguel Littin

18 set – sábado:
15h00 El Jaguar - Sebastián Alarcón
17h00 Programa Documentários históricos 1
18h00 Canta y no llores corazón - Juan Pérez Berrocal
19h00 Largo viaje - Patricio Kaulen

19 set – domingo:
15h00 La nana - Sebastián Silva
17h00 La buena vida - Andrés Wood
19h00 Caluga o menta - Gonzalo Justiniano

21 set – terça-feira:
15h00 Valparaíso mi amor Aldo Francia
17h00 El chacal de Nahueltoro Miguel Littin
19h00 El Jaguar Sebastián Alarcón

22 set – quarta-feira:
15h00 Largo viaje - Patricio Kaulen
17h00 La ciudad de los fotógrafos - Sebastián Moreno
19h00 La luna en el espejo - Silvio Caiozzi

23 set – quinta-feira:
15h00 Río abajo - Miguel Frank
17h00 El ídolo - Pierre Chenal
19h00 La buena vida - Andrés Wood

24 set – sexta-feira:
15h00 La buena vida - Andrés Wood
17h00 Johnny 100 pesos - Gustavo Graef Marino
19h00 La buena vida - Andrés Wood

25 set – sábado:
15h00 La ciudad de los fotógrafos - Sebastián Moreno
17h00 La Frontera - Ricardo Larraín
19h00 La nana - Sebastián Silva

26 set – domingo:
15h00 El ídolo - Pierre Chenal
17h00 Río abajo - Miguel Frank
19h00 Taxi para tres - Orlando Lübbert

10 out – domingo:
18h00 Show no Átrio com Magdalena Matthey

Sessão Comentada
11 set – sab – 19h

Paula Leonvendagardiretora de diversos curtas, entre eles, Episodio, baseado em fragmento de um conto de Roberto Bolaño; seu primeiro longa é o documentário recém estreado no Chile, Portales, la última carta.

Sessão Comentada
12 set – dom – 19h

Monica Schmiedtprodutora executiva dos longas Anahy de las Misiones, Memórias póstumas e O quatrilho, entre outros; diretora dos documentários Antártida, o último continente (1997), Extremo Sul (2004), Doce Brasil holandês (2010).

Sessão Comentada
14 set – ter – 19h

Mónica Villarroel Márquezchefe de Cooperação e Desenvolvimento da Cineteca Nacional de Chile; professora na Escuela de Cine da Universidad Mayor; publicou La voz de los cineastas - Cine e identidad chilena en el umbral del milenio (Santiago de Chile, Cuarto Propio, 2005), sua dissertação de mestrado em Comunicação, cursado em Porto Alegre, na UFRGS (2001-2003).

Vejam aqui a sinopse dos filmes a serem apresentados na mostra:

Cinema silencioso:

DOCUMENTÁRIOS HISTÓRICOS 1
- Paseo a Playa Ancha (A. Massonier, 1903, 3 min)
- Recuerdos del mineral El Teniente (Salvador Giambastiani, 1918, 11 min)
- Funeral de Luis Emilio Recabarren (Carlos Pellegrín, 1924, 11 min)
- Combate de boxeo de Tani Loayza (anos 20, 14 min)
- Notas del terremoto (Luis Fiol Bemer, 1939, 7 min) + Terremoto (1939, 7 min)

DOCUMENTÁRIOS HISTÓRICOS 2
- Exposición de Animales en la Quinta Normal (1907, 2 min)
- Celebración del centenario de la República (Julio Cheveney, Arturo Larraín Lecaros, 1910, 8 min)
- Visitas a la Viña Undurraga I (1910, 2 min)
- Manuel Rodríguez (Adolfo Urzúa Rozas, 1910, 1 min)
- Funeral del presidente Pedro Montt (Arturo Larraín Lecaros, 1911, 9 min)
- “Volación” (1911, 2 min)
- Representação teatral da colônia e danças de salão (anos 1910-20, 2 min)
- Actualidades esportivas (anos 1910-20, 1 min)
- El cerro Santa Lucía (Armando Rojas Castro, 1930, 10 min)
- Santiago (Armando Rojas Castro, 1933, 10 min)

EL HÚSAR DE LA MUERTE
Chile, 1925, 35 mm, pb, 84 min, silencioso
Após o desastre de Rancagua, em 1814, o patriota Manuel Rodríguez (1785-1818) luta pela independência do Chile contra os realistas dirigidos por Vicente San Bruno a serviço dos opressores espanhóis. Ele vai a Mendonza traçar planos com o general San Martín e, ao regressar, organiza a ação guerrilheira, roubando cavalos, recrutando e armando camponeses. Depois de diversas peripécias heróicas, Rodríguez é traído e assassinado numa emboscada. Seus amigos o enterram jurando vingança.
D, R: Pedro Sienna, sobre argumento de Hugo Silva e Pedro Sienna. CI: Livre.

CANTA Y NO LLORES CORAZÓN O EL PRECIO DE UNA HONRA
Chile, 1925, 35 mm, pb, 50 min, silencioso
Fresia é uma jovem linda e inocente que vive junto a seu velho pai e seu irmão em uma rica fazenda do sul do Chile. Fresia se enamora do filho do dono da fazenda, ignorando não só que o pai dele se fez rico tirando a fortuna do pai dela, mas também que seu novo amor só a verá como outra conquista passageira.
D, R: Juan Pérez Berrocal. CI: Livre.

Os anos 50:

RÍO ABAJO
Chile, 1950, 35 mm, pb, 83 min
Rosario, uma bela jovem que vive na região da campanha, em sua busca de superação, vai trabalhar para Doña Justa num lugar de reputação “duvidosa”. Aí, ela conhece um cabeleireiro que consegue convencê-la a deixarem o vilarejo, precisamente, rio abaixo.
D: Miguel Frank. CI: Livre.

EL ÍDOLO
Chile, 1952, 35 mm, pb, 83 min
Um ator de cinema e teatro é acusado da morte de sua mulher.
D: Pierre Chenal. CI: Livre.

Nuevo cine chileno:

LARGO VIAJE
Chile, 1967, 35 mm, pb, 88 min
No velório de um recém-nascido se perde uma das asas de anjo que se havia colocado para que ele chegasse ao céu conforme o costume popular de vestir aos pequenos falecidos como se fossem anjos. O irmão, um menino de uns 8 anos, sai em busca da asa perdida e inicia uma longa viagem pelas ruas santiaguinas.
D: Patricio Kaulen. CI: Livre.

VALPARAÍSO MI AMOR
Chile, 1969, 35 mm, pb, 87 min
História inspirada em fatos reais que ocorreram no porto de Valparaíso. Quatro meninos ficam abandonados porque o pai, sem trabalho, ao roubar para alimentar os filhos, é detido pela polícia.
D: Aldo Francia. CI: 14 anos.

EL CHACAL DE NAHUELTORO
Chile, 1969, 35 mm, pb, 94 min
Baseado na vida de José del Carmen Valenzuela Torres, um camponês alcoólatra e ignorante, da localidade de Nahueltoro, perto de Chillán, que em 1960 assassinou sua companheira e os cinco filhos dela. Em 1963, depois de aprender a ler e escrever, o chacal de Nahueltoro enfrenta um pelotão de fuzilamento.
D, R: Miguel Littin. CI: 14 anos. Berlim 1970: seleção oficial.

Exílio e transição:

EL JAGUAR
Yaguar
União Soviética, 1986, 35 mm, cor, 88 min
falado em russo com legendas em espanhol
História dos cadetes Ricardo Arana, "el Esclavo", "el Boa", "el Jaguar", Alberto Fernández, do Teniente Gamboa e do Sargento Pessoa na Escola Militar, durante o período da ditadura militar no Chile.
D: Sebastián Alarcón. CI: Livre.

LA LUNA EN EL ESPEJO
Chile, 1990, 35 mm, cor, 75 min
Um velho e enfermo marino, Don Arnaldo, vive encerrado com seu filho “el Gordo”. Desde sua cama, ele controla todos os movimentos da casa através dos espelhos colocados nas paredes do quarto, especialmente os movimentos do “Gordo”.
D: Silvio Caiozzi. CI: 14 anos. Veneza 1990: atriz (Münchmeyer). Trieste 1990: melhor filme. Havana 1990: ator (Benavente). Cartagena 1990: direção. Amiens 1990: OCIC. Valladolid 1990: prêmio especial do júri.

CALUGA O MENTA
Chile-Espanha, 1990, 35 mm, cor, 102 min
Niki é um jovem desesperançado que vive na periferia de Santiago. Seu espaço é a rua e sua ocupação é o ócio e a delinqüência. Ele conhece e se apaixona por Manuela, da classe alta, mas entediada com seu entorno, assim como Niki. Juntos conhecem a paixão e a cumplicidade sem limites.
D: Gonzalo Justiniano. CI: 14 anos. Goya 1990: indicado melhor filme estrangeiro de língua hispânica.

LA FRONTERA
Chile-Espanha, 1991, 35 mm, cor, 95 min
Durante os últimos anos da ditadura militar no Chile, Ramiro Orellana, professor de matemática, é condenado à prisão na região La Frontera, território marcado pelas catástrofes naturais, terra forte e desolada. Submetido a um controle autoritário, afastado de seu filho, viverá todas as dores do exílio, mas encontra o amor numa intensa e contraditória paixão com Maite, uma espanhola refugiada da Guerra Civil.
D: Ricardo Larraín. CI: 14 anos. Goya 1991: melhor filme estrangeiro de língua hispânica. Berlim 1992: Urso de Prata. Gramado 1992: menção especial. Trieste 1992: melhor filme. Biarritz 1992: melhor filme (júri + crítica). Havana 1992: direção + OCIC. Cartagena 1993: ator + atriz.

JOHNNY 100 PESOS
Chile-Estados Unidos-México, 1993, 35 mm, cor, 90 min
Baseado em fatos reais. Johnny García e quatro cúmplices assaltan uma casa de câmbio num edifício no centro de Santiago, mas o plano que parecia perfeito, falha. A enorme operação montada pela polícia atrai a imprensa e a TV, que passa a transmitir ao vivo.
D: Gustavo Graef Marino. CI: 14 anos.

TAXI PARA TRES
Chile, 2001, 35 mm, cor, 90 min
Uma dupla de assaltantes embarca no táxi de Ulises Morales e lhe faz uma oferta: ou torna-se cúmplice ou vítima
D, R: Orlando Lübbert. CI: Livre. San Sebastián 2001: melhor filme (Concha de Oro). Havana 2001 + Lima 2002: roteiro. Goya 2001: indicado melhor filme estrangeiro de língua hispânica. Gramado 2002: ator (Trejo). Cartagena 2002: roteiro + ator (Gómez-Rovira)

LA CIUDAD DE LOS FOTÓGRAFOS
Chile, 2006, cor, 80 min
Durante o período da ditadura de Pinochet, um grupo de chilenos fotografou os protestos e a sociedade chilena em suas mais variadas facetas. Na rua, ao ritmo dos protestos, estes fotógrafos se formaram e criaram uma linguagem política. Para eles, fotografar foi uma prática de liberdade, uma tentativa de sobrevivência, uma alternativa para poder seguir vivendo.
D: Sebastián Moreno. CI: Livre. Guadalajara 2007: menção especial.

LA BUENA VIDA
Chile-Argentina-Espanha-Reino Unido, 2008, 35 mm, cor, 96 min
exibições em 35 mm
Teresa é uma psicóloga que busca salvar vidas. Edmundo é um cabeleireiro que anseia ter um carro. Mario quer entrar na Filarmônica. Patricia sobrevive. Quatro habitantes da cidade, cujas vidas se entrecruzam no meio de buzinas, freadas e alarmes de carros, mas que dificilmente chegam a tocar-se. Tragados pela voragem urbana, cada um persegue seu sonho.
D: Andrés Wood. CI: 14 anos. Biarritz 2008: atriz + ator. Huelva 2008: melhor filme. Goya 2008: melhor filme hispano-americano.

LA NANA
Chile-México, 2009, 35 mm, cor, 95 min
Raquel, a amarga e introvertida empregada da casa dos Valdés, com quem trabalha há 23 anos, vê em perigo o seu posto quando estes contratam uma nova empregada que lhes ajude durante sua convalescência. Raquel se dedica a tornar impossível a vida das novas ‘nanas’. Esta mecânica se repete até a chegada de Lucy.
D: Sebastián Silva. CI: Livre. Sundance 2009: melhor filme + prêmio especial do júri (Saavedra). Biarritz 2009: atriz (Saavedra). Cartagena 2009: atriz (Saavedra) + melhor filme (crítica). Guadalajara 2009: melhor filme (FIPRESCI). Huelva 2009: melhor filme + direção + atriz (Saavedra). Lima 2009: melhor filme (júri + crítica). Havana 2009: atriz (Saavedra) + melhor filme (segundo lugar). Globo de Ouro + Spirit 2009: indicado melhor filme estrangeiro. Contato: Gregorio González (gregorio@forastero.cl).

EPISODIO
Chile, 2001, 16 mm, cor, 24 min
O dia e a noite em que Ana decide prostituir-se.
D, R, M: Paula Leonvendagar, sobre fragmento do conto “Vida de Anne Moore” do livro Llamadas telefónicas, de Roberto Bolaño. Oberhausen 2002: seleção oficial.

PORTALES, LA ÚLTIMA CARTA
Chile, 2010, cor, 71 min
Em março de 2005 durante as escavações arqueológicas na Catedral de Santiago apareceram surpreendentemente os restos embalsamados de um emblemático personagem da história chilena: Diego Portales (1793-1837). Quem foi este personagem? Desde o achado, a identificação do corpo através de radiografias, exames de DNA e scanner, é narrada a intensa vida, obra e morte do ministro, reinterpretando sua figura no contexto do século XXI.
D, R: Paula Leonvendagar. CI: Livre. Contato: Alejandro Parra (gitanofilms@gmail.com).

Correspondência Chile-Brasil:

TIERRAS MAGALLÁNICAS
Terre magellaniche
Itália-Chile, 1933, 35 mm, pb, 62 min
No extremo sul do Chile e Argentina se encontram as terras magalânicas formadas por Tierra del Fuego e Patagonia. Na sua parte ocidental, de múltiplos canais e bosques, vivem nômades onas (Selk’nam) e yámanes (yaganes). Na região oriental de estepes habitam os tehuelches (patagones). Os três grupos em extinção, por epidemias mundiais de gripe que derivam em tuberculose, são assistidos por missioneiros da Congregação Salesiana.
CI: Livre.

EXTREMO SUL
Brasil-Chile-Espanha, 2004, 35 mm, cor, 92 min
Em março de 2003, cinco alpinistas montaram um acampamento no extremo sul da Terra do Fogo. Enfrentando o frio, a chuva e os ventos fortes, uma equipe de filmagem estava lá para documentar uma expedição movida por um objetivo ambicioso: escalar o Monte Sarmiento, uma montanha muito pouco explorada, célebre por sua beleza, isolamento e dificuldade de acesso. Diante da esfinge gelada do Sarmiento, vieram à tona os sentimentos e expectativas mais secretos de cada integrante do grupo.
D: Sylvestre Campe, Monica Schmiedt. CI: Livre. International Documentary Film Festival, Amsterdam, 2004: seleção oficial. Trento Film Festival 2005: melhor filme (Genziana d'Oro 'Gran Premio Città di Trento'). International Mountain & Adventure Film Festival Graz, Áustria, 2005: melhor filme (Grand Prix Graz). International Festival of Mountain and Adventure Films, Torelló, Espanha, 2005: fotografia.

SEXO CON AMOR
Chile, 2003, 35 mm, cor, 108 min
Luísa é uma professora que tem uma vida sexual cheia de surpresas, vivendo no momento um ardente romance com Jorge, pai de um de seus alunos. Precisando discutir em sala de aula o tema educação sexual, Luísa passa a reanalisar seus conceitos e percebe que os pais de seus alunos têm as mesmas dúvidas que ela.
D, R: Boris Quercia. CI: 14 anos. Huelva 2003: prêmio especial do júri ao elenco + diretor estreante.

SEXO COM AMOR?
Brasil, 2008, 35 mm, cor, 96 min
Jorge e Mônica formam um casal sofisticado, de classe alta. Jorge é um renomado escritor que tem o amor e o sexo como temas recorrentes em seu trabalho e mantém um caso com Luísa, professora de seu filho, sem que a esposa saiba.
D: Wolf Maya. CI: 14 anos.

SHOW
Em sintonia e integração com a Mostra Especial Uma história do cinema chileno, o projeto Ouvindo Música apresenta pela primeira vez em Porto Alegre a excepcional cantora chilena Magdalena Matthey, uma das vozes mais expressivas da música contemporânea. 10 out – dom – 18h – Átrio do Santander Cultural Magdalena Matthey – cantora e compositora chilena com quatro discos lançados: Latidos del alma (EMI Odeon, 1997), Del otro lado (Fondart, 1999), Mañana será otro día (Machi, 2004), Afuera (Machi, 2007); todos disponíveis em www.magdalenamatthey.cl “Pasillo de amor” do terceiro é uma das canções que faz parte da última criação de Pina Bausch, a peça “… como el musguito en la piedra, ay si, si, si...”.

Uma história do cinema chileno:

Entrada franca (ingressos na bilheteria por ordem de chegada)
Funcionários do Grupo Santander Brasil têm entrada gratuita nos dias de programação regular (ingressos limitados).
Garanta com antecedência seu ingresso para qualquer dia do mês.
Agendamento de grupos para programação regular ou horários especiais.
Confira a possibilidade de transporte gratuito no telefone 51 3287.5940
Programação sujeita a alteração
85 lugares – Dolby Digital - Ar-condicionado
Acesso para portadores de necessidades especiais

Santander Cultural
Rua Sete de Setembro, 1028 Subsolo
Praça da Alfândega
Porto Alegre RS Brasil 90010-191
Telefone: 51 3287.5718
http://www.santandercultural.com.br/

Horários de funcionamento
ter a sex, das 10h00 às 19h00
sab, dom e feriados, das 11h00 às 19h00

domingo, julho 11, 2010

Ecologia: Costeau na Lagoa do Peixe

(Foto: Blog Mostardas Virtual)

A notícia desta ilustre visita à região litorânea do Rio Grande do Sul foi publicada na página 3 do Jornal Zero Hora deste domingo, em Porto Alegre.

Agradecendo convites para palestras e ampla exposição na mídia do Rio de Janeiro e São Paulo, Jean-Michel Costeau, filho do famoso Comandante Jaccques Costeau, preferiu trocar o exercício da fama pela exploração dos solitários horizontes do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, em pleno inverno gaúcho.

Titular da Ocean Future Society, ONG que busca o desenvolvimento de soluções sustentáveis para o oceano e vida marinha, o famoso ecologista é considerado um dos principais ativistas pró-ambiente do mundo, levando adiante o legado do seu pai, oceanógrafo, mergulhador e explorador francês, pioneiro na exploração das profundezas do mar.

Na imagem acima Jean-Michel assina o livro de presenças da Estação Ecológica do Taim, onde estive em março deste ano acompanhando como fotógrafo de natureza as gravações de um programa educativo para a televisão (veja aqui), além de inúmeras visitas com meu grupo de fotografia.

Segundo informou o ICMBIO, dentre vários programas disponíveis para visitação no Brasil, Costeau escolheu conhecer o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, que conta com três títulos internacionais pela sua relevância para a conservação das aves migratórias.

Apesar da fama internacional da Lagoa do Peixe ainda são poucos os gaúchos que conhecem este maravilhoso santuário localizado bem debaixo do seus narizes.

quarta-feira, março 31, 2010

Fotografia/4x4: Extremo sul - De volta ao Taim


Trinta-Réis na zona costeira da Estação Ecológica do Taim.  Foto: João Paulo Lucena

No extremo inferior do Rio Grande do Sul, onde termina - ou começa (!) - o Brasil, está a região do Taim, santuário de avifauna que abriga uma reserva ecológica com mais de 33 mil hectares de campos, dunas, banhados, mar e lagoa, também apelidada de o "Pantanal Gaúcho". Localizado em uma estreita faixa de terra entre o Oceano Atlântico e a Lagoa Mirim, a 370 quilômetros ao sul de Porto Alegre, compreende parte dos municípios de Santa Vitória do Palmar e Rio Grande.

Ali foi criada a Reserva Ecológica do Taim para preservar as últimas áreas de banhado do Rio Grande do Sul, formados a partir do prolongamento assoreado da Lagoa Mangueira, e evitar a extinção de espécies como o cisne-de-pescoço-preto. A unidade de conservação abriga diversos ecossistemas de praias lagunares e marinhas, lagoas, pântanos, campos, cordão de dunas e campo de dunas.

Estação Ecológica do Taim - Municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar/RS
A estimativa é que no Taim se encontrem mais de 230 espécies de aves que, entre agosto e janeiro, aumentam com a chegada de outras espécies migratórias dos dois hemisférios. Ainda vivem no banhado jacarés-de-papo-amarelo, capivaras, preás, gambás, lagartos e cerca de 60 tipos de peixes. Alguns animais são bastante fáceis de avistar como as emas, gaviões, a saracura, o joão-de-barro, tartarugas, tuco-tucos e o ratão-do-banhado.

A flora compõe-se principalmente de vegetação típica de campos, figueiras, corticeiras, quaresmeiras, orquídeas, bromélias, cactos, juncos e aguapés.

Emas, bastante comuns nos campos da região. Foto: João Paulo Lucena

Jacaré nos banhados do Taim. Foto: Renato Grimm

Lembro desde pequeno das tantas passagens que fiz com meus pais pelos 15 km da BR-471 que cruzam a reserva ecológica do Taim. Repleta de capivaras, jacarés, tartarugas e aves migratórias de todos os tipos, os animais eram (e ainda são) facilmente avistáveis desde a estrada e constituíam um dos principais atrativos da longa viagem entre Porto Alegre e La Coronilla, já do outro lado da fronteira internacional com o Uruguai.

Para uma criança nascida e criada na cidade grande, a visão destes animais libertos em seu próprio ambiente, longe das enfadonhas visitas ao jardim zoológico, era o prenúncio da tão esperada quebra da rotina que acompanha o período de recesso escolar. Além disso, passar pelo Taim significava que também já estava próxima a fronteira brasileira com o vizinho Uruguai, onde o mundo conhecido se transmudava em um novo espaço de ricos sotaques, aromas e sabores estrangeiros.

Pausa para o mate... Foto: João Paulo Lucena
À época, lá por 1972, com os doís países sob o jugo de ditaduras militares, os burocráticos trâmites fronteiriços eram repletos de policiais, agentes de imigração, soldados com metralhadoras, uma infinidade de papéis a carimbar e a obrigatória revista dos automóveis em busca de algum pretenso material subversivo da ordem e da paz. Sob a ótica de um menino que ignorava a realidade por trás da repressão política, isto dava a tudo um ingênuo clima de perigo e aventura, digno dos melhores filmes de espionagem...

Transcorrido o tempo e já distantes os anos de chumbo, a condição de efêmero passante transformou-se na de visitante regular, admirador da diversidade da fauna e da flora e, mais do que tudo, dos grandes espaços da planície costeira do Rio Grande do Sul.

Hoje, não mais de passagem mas sim como meu destino principal, volto ao Taim para me apropriar da sua paz, fotografar e percorrer seus tantos quilômetros de trilhas de campos, dunas e banhados, visitando capelas seculares e faróis perdidos entre horizontes de areia e o perigoso mar do Rio Grande do Sul.

Vista nordeste desde o Farol de Albardão. Foto: João Paulo Lucena

Margaridas típicas da flora que recobre o cordão de dunas. Foto: João Paulo Lucena
Aproveitando um convite para acompanhar as gravações do Programa Adrenalina decidi compartilhar minhas recordações de infância com meus filhos, gêmeos de 8 anos. Assim, direto depois da escola, entre mochilas escolares, equipamento fotográfico e material de camping, ao anoitecer de uma sexta-feira de outono tomamos o rumo direto para o Taim.

Capivaras ao final da tarde, à margem da Lagoa Mirim. Foto: João Paulo Lucena
A programação foi variada e intensa. Em paralelo com as gravações de TV tivemos todo o tempo do mundo para visitar a estação ecológica e seu pequeno museu, observar os animais no banhado, deliciar-nos nas águas transparentes da Lagoa Mirim, percorrer trilhas de 4x4 e se extasiar com a paisagem litorânea repleta de dunas e faróis.

Banho nas águas doces da Lagoa Mirim. Vila do Taim. Foto: João Paulo Lucena
O uso de técnicas de condução 4x4 foram um dos objetivos da equipe de televisão. Foto: Renato Grimm
Vista sudeste desde o Farol do Albardão. Foto: João Paulo Lucena
Junto com vários amigos a diversão foi garantida, reforçando laços de afeto e de união entre pai e filhos. Conosco estavam parceiros de longo tempo: Renato Grimm, fotógrafo de natureza, e Rui Ehrenbrink, da Rotas e Trilhas. Além de um final de semana cheio de novos conhecimentos bebidos diretamente da fonte, quebrou-se para as crianças aquela urbana rotina de intermináveis aniversários infantis, horas de televisão e partidas de videogame...



Observando pássaros com fotógrafo Renato Grimm e o ornitólogo curitibano Raphael Luiz Sobania. Será que existem professores melhores? O que se aprende na prática não se esquece jamais... Fotos acima Ana Karina Belegantt. Canon G9


Em um dos dias fomos visitar a área da reserva junto ao mar, passando pelos Faróis Verga e Albardão. Com direito a várias paradas, em comboio de 4x4 avistamos grande variedade de pássaros, restos de naufrágios, lobos e tartarugas marinhas e até uma grande baleia junto à areia da praia.

Foto: João Paulo Lucena
Foto: João Paulo Lucena

Passamos por um dos marcos da presença humana nestes confins solitários. O Farol Verga possui 11 metros de altura e foi construído em 1964. Foto: João Paulo Lucena
O Farol de Albardão é de 1909 e com 40 metros de altura seu sinal luminoso alcança quase 80 quilômetros. Foto: João Paulo Lucena
Foto: João Paulo Lucena

Sendo um dos poucos ainda guarnecidos (com pessoal da Marinha residente no local), quem vencer a sua escadaria de 209 degraus será presenteado com 360 graus da típica paisagem costeira do litoral gaúcho...

Foto: João Paulo Lucena

Foto: João Paulo Lucena

Foto: João Paulo Lucena

Foto: João Paulo Lucena

Foto: João Paulo Lucena

E... com um pouco de sorte e bom tempo... também com um magnífico pôr-do-sol...

Foto: João Paulo Lucena
Foto: João Paulo Lucena

Antigamente toda a região estava abrangida pelos Campos Neutrais, denominação dada pelo Tratado de Santo Idelfonso em 1777 a uma faixa de terra demarcada que se estendia do Taim até o Chuí e que não pertencia nem a portugueses, nem a espanhóis. Este espaço foi palco durante muitos séculos de grandes revoluções e acirradas batalhas por disputas territoriais e políticas.

Visitamos a Capela do Taim (conhecida como Capilha), sobre a única linha de falésia viva da Lagoa Mirim. Os fundamentos da primeira construção espanhola são de cerca de 1700 (!) e agora este importante patrimônio histórico está sendo restaurado por arqueólogos da Universidade Federal de Rio Grande - FURG.

Foto: João Paulo Lucena
Foto: João Paulo Lucena
Dentre um pouco de trabalho, locações de TV e bastante diversão, depois de um final de semana repleto de aventuras, ar puro e paz de espírito, restou em todos aquele gostinho de quero-mais e a vontade de logo logo voltar ao Taim...

Foto: João Pedro de Azevedo Lucena
E como se diz por aí... fiquem conosco e até a próxima!

Foto: Renato Grimm

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IMAGENS: Todas as fotografias sem indicação específica de crédito são de minha autoria. Equipamentos utilizados: Canon EOS-1D e Canon G9. Copyright©João Paulo Lucena 2010

DICAS DE VIAGEM:

Foto: João Paulo Lucena
- A 6 quilômetros antes da reserva ecológica, para quem chega de Porto Alegre, está a pequena Vila do Taim, também conhecida como Capilha. Não deixe de visitar a Capela do Taim sobre a falésia que dá para a Lagoa Mirim. A capela tem fundamentos datados de cerca de 1700, construção espanhola em 1785 e reconstrução portuguesa em 1844, com uma imperdivel paisagem para o pôr-do-sol na lagoa. Diz-se que é a mais antiga do Rio Grande do Sul.

- Se quiser saborear uma deliciosa comida caseira, faça sua refeição no Restaurante Lancheria Mirim, na Vila do Taim. Mescla de mercearia e pequeno restaurante, a simplicidade do local não deixa nada a desejar. Fale com a dona, Jaqueline, pelo telefone  (53)9975-0085 . Não abre aos domingos.

- Pedágios: Entre Porto Alegre e o Taim são 370 Km e existem CINCO (!) pedágios a R$ 7,20 reais cada um. Significa R$ 72,00 apenas para ir e voltar, sem contar o combustível...

- Combustível: Se estiver rumando ao Taim desde Porto Alegre, não deixe de encher o tanque de combustível em Rio Grande pois o próximo posto de abastecimento será somente em Santa Vitória do Palmar. No Taim não há combustível para venda!

- Repelente: leve muito pois os mosquitos são insaciáveis nas regiões de banhado...

- Celular/Internet wireless: A comunicação é muito deficiente. A única operadora que possui antena na Vila do Taim é a Vivo.

- GPS: S323218.6 e W523217.8

PARA SABER MAIS:

- Visitas: Na sede do Instituto Chico Mendes (Fone  (53)3503-3151 , 2ª/6ª 8h30/12h, 13h30/18h), na beira da rodovia, pode-se visitar um pequeno museu com animais taxidermizados e assistir a um vídeo sobre o ecossistema. No entorno da estação há quatro trilhas (de 1h30 a 2h cada) monitoradas (agendar).

- Reportagem: Especial sobre o Taim

- Blog: O Taim pegou fogo!

- Sobre as pesquisas arqueológicas da Capela do Taim:

Equipe da Furg faz trabalho arqueológico no Taim Equipe da Furg faz descoberta arqueológica no Taim Arqueólogos encontram vestígios de templo erguido há 300 anos em Rio Grande

- FURG entrega à Diocese trabalho da Capela do Taim

- Restauro da Capela do Taim - RS
POSTAGENS RELACIONADAS AO TAIM NESTE BLOG:

- Cinema: Câmera de filmar x Câmera fotográfica. As novas tecnologias em longa-metragem de Carlos Gerbase. Locações nos barrancos da Lagoa Mirim, junto à capela centenária.

- Ecologia: Costeau na Lagoa do Peixe. A visita de Jean-Michel Costeu à Lagoa do Peixe e Reserva do Taim.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Cone Sul/Argentina: Cascatas Congeladas na Revista Sul Sports


Rapaziada, em julho estive documentando em fotos o II Festival Internacional de Escalada de Cascatas Congeladas em Vallecitos, Argentina, a convite de uma equipe de escaladores gaúchos que estava a estrear em competições de ice climbing.
Elton Fagundes, Eduardo Fontoura e Neison Hoffmann deixaram sua marca na competição, tendo meu velho e querido amigo Elton conquistado o primeiro lugar na categoria Iniciante e sido reconhecido como o atleta-revelação da competição.
Vallecitos está a aproximadamente 80 quilômetros de Mendoza, na rodovia que atravessa os Andes rumo ao Chile, constituindo a 3.000 metros de altitude um importante centro referencial de esportes invernais e escalada ao pé do Cordon del Plata.
O festival de escalada, já em sua segunda edição, foi organizado por outro gaúcho, Humberto Câmara Jr. (entre os amigos carinhosamente chamado de "Suicida"), há tempos estabelecido na Argentina como prestigiado guia de alta montanha.
A viagem rendeu um artigo em parceria com a jornalista de esportes de aventura Ana Karina Belegantt  publicado na 29ª edição (setembro/2009) da revista Sul Sports, incluindo sete imagens minhas e sendo uma de página inteira.

O lançamento foi no dia 18 de setembro e algumas imagens pode ser conferidas no link http://www.queb.com.br/galeria.php?id=2258&ini=0&id_foto=2&obj=foto2&tot=20 .

Em breve postarei aqui no blog alguns relatos e fotos exclusivas da viagem que atravessou também a bela região argentina das serras de Córdoba.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Cone Sul/Cartografia - Parte II: GPS, Cartas e mais Mapas. Alguns Comentários.


Orientação terrestre com carta topográfica. Foto: João Paulo Lucena

A grande popularização dos aparelhos de GPS (Global Posicioning System) na última década abriu um horizonte ilimitado para quem gosta de aventurar-se por novos caminhos, muitos deles sequer mapeados.

Me lembro bem das dificuldades sair para alguma trilha a pé ou de 4x4 aqui mesmo no Brasil onde sequer os mapas comerciais eram detalhados. Viagens pelos Andes, Cone Sul e outros países latinoamericanos então, nem se fala.

Mas estas coisas têm evoluído a passos largos. Vejam a seguir...

MAPAS E CARTAS TOPOGRÁFICAS - No Brasil, até algum tempo atrás, na falta de mapas decentes a solução era recorrer às cartas topográficas produzidas pelo Serviço Geográfico do Exército, à venda nas Divisões de Levantamento (veja AQUI como solicitar) ou nas agências do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.

Todavia, estas cartas, em escala 1:50.0000 e 1:100.000 (a versão 1:25.000 é restrita ao uso militar), incluindo relevo topográfico e muitíssimo mais detalhadas que os mapas convencionais estilo Quatro Rodas, apresentam algumas peculiaridades.

Primeiro, abrangem uma área muito menor do que os mapas normais (menos de 30 quilômetros na sua extensão maior no caso das cartas 1:50.0000), sendo necessário adquirir várias delas até mesmo para uma viagem rápida, o que acaba limitando o seu uso para trekkings ou off-road em percursos relativamente curtos.

Em segundo, veja-se como exemplo as cartas topográficas militares MI-2955/2 e MI-2956/1 que abrangem os Parques Nacionais de Aparados e Serra Geral na divisa do RS com SC, baseadas em levantamento aerofotográfico realizado nos anos 60, com primeira impressão em 1980 e algumas atualizações em 1995.


Logo, a exemplo destas, muitas cartas topográficas já apresentam pelo menos 50 anos passados desde o início da sua elaboração e estão carentes de uma atualização acurada, apesar de revestirem-se de utilidade inestimável face à riqueza de detalhes e informações de relevo geográfico nelas contidas.

Há algum tempo as cartas topográficas impressas passaram a ser disponibilizadas também em versão digital, na ordem de R$ 120,00 cada uma (o dobro da versão impressa), facilitando bastante o uso em aplicativos de navegação terrestre, em especial quando combinados com aparelhos do tipo GPS.

APARELHOS GPS - Os primeiros GPS´s causaram uma verdadeira revolução, pois enquanto com as cartas topográficas era necessário um conhecimento mínimo de topografia, navegação terrestre e a tomada de notas o tempo todo para traçar o percurso percorrido, o GPS passou a fazer este trabalho automaticamente, inclusive gravando os caminhos percorridos (tracklogs) e pontos de importância para o usuário (waypoints), fornecendo de imediato as coordenadas de sua localização na face da Terra com uma insignificante margem de erro.

Estas coordenadas associadas ao uso de uma carta topográfica ou náutica deram grande impulso à popularização do GPS na medida em que dispensaram o usuário de dominar a utilização de bússolas, sextantes, compassos, esquadros, transferidores e cálculos de declinação magnética quando em regiões desconhecidas ou carentes de pontos de orientação, como por exemplo, no mar ou em terra sob condições de neblina cerrada.

Os primeiros GPS´s, entretanto, não possuíam mapas em seus bancos de dados. Na sequência passaram a ser fornecidos com algumas versões de mapas muito grosseiros e pouco detalhados.

Hoje já temos o melhor dos dois mundos: a alta capacidade de localização e processamento do GPS com a possibilidade de uso de mapas digitais de ótima qualidade carregáveis na sua base de dados, inclusive disponíveis gratuitamente na internet.

É claro que, na medida em que o GPS surge como uma ferramenta maravilhosa, também pode "emburrecer" o usuário pois o dispensa dos conhecimentos técnicos básicos de orientação, aumentando a sua responsabilidade em caso de defeito do aparelho ou falta de bateria...


Pessoalmente já utilizei diversos modelos a partir de 1997, todos eles da Garmin, de longe a marca mais popular e, portanto, com maior rede de assistência técnica e disponibilidade de mapas - inclusive gratuitos na internet.

Nesta esteira evolutiva e conforme o uso náutico e/ou terrestre, experimentei os aparelhos II Plus, Etrex Summit, Rhino, Map 76S, Map 76CSX, Map 276C e Zumo 550.

Dentre todos destaco para uso misto náutico/terrestre as linhas 76CSX e 276C, este último um chart plotter com tela maior e excelentes recursos técnicos para usuários mais avançados.

A linha Zumo 550, apesar de pertencer a última geração de GPS´s, com recursos de touch screen, antena quadrihelix de alta sensibilidade e mapas em 3 D, decepcionou-me bastante em função dos bugs de projeto que apresenta. Este modelo em certas ocasiões somente reinicializa se a bateria for retirada e recolocada, algo inadmissível para um equipamento de segurança em navegação náutica e terrestre onde uma fração de segundo pode ensejar a perda de uma rota ou um acidente grave.


Também achei o Zumo excessivamente simples, com ferramentas muito restritas para o que poderia oferecer. Um usuário mais exigente e familiarizado ao uso mais técnico do equipamento não vai se conformar com um GPS que sequer grava os tracklogs percorridos, algo fundamental na hora do transferir as informações do aparelho para o banco de dados do seu computador.

Em função destes aspectos, preferi fazer um downgrade do Zumo 550 e atualmente estou utilizando um Map 276 C, de geração anterior e uso misto náutico e terrestre, mas com ótima relação custo/benefício, robustez, bateria de longa duração e todos os recursos que um usuário minimamente experiente classifica como fundamentais.

GOOGLE EARTH E FOTOS SATELITAIS - Alguns anos atrás, quando ainda se navegava somente com mapas e cartas impressos, o máximo era obter-se alguma foto satelital para visualização do terreno real. Então seria difícil imaginar o incrível e democrático recurso hoje disponibilizado pelo Google Earth, um impressionante mosaico global de fotos de satélite que reconstitui toda a superfície da Terra.

No Google Earth é possível visualizar e baixar imagens e mapas atualizados e detalhados, bem como combiná-los com aplicativos e com os próprios aparelhos de GPS, um recurso inestimável para navegação náutica e terrestre, especialmente se tratando de áreas remotas ou pouco cartografadas.

SOFTWARES PARA GERENCIAMENTO DE DADOS DO GPS E MAPAS DIGITAIS - Utilizo dois, o MapSource, software oficial da Garmin que permite o carregamento de mapas digitais e interação com o Google Earth, e o OziExplorer, que possibilita a sincronização com cartas topográficas ou náuticas digitais ou a partir de arquivos de imagens digitalizadas.

Os mapas podem ser comprados ou baixados gratuitamente na internet a partir de desenvolvedores que prestam um serviço de valor inestimável para a comunidade. Coletando dados de fontes públicas e privadas e de colaboradores do mundo inteiro, disponibilizam informações de excelente qualidade e em contínuo processo de atualização.

 

(Exemplo do uso do OziExplorer combinado com cartas topográficas militares digitalizadas)

Pessoalmente me valho de mapas do Brasil, rodovias e municípios, disponibilizados pelo Projeto TrackSource para Argentina, Chile e Uruguai os mapas podem ser baixados a partir do Proyecto Mapear ou no site Geored Conosur, este último bem mais detalhado no que tange ao Chile.

Em quaisquer dos casos, apesar da grande variedade de marcas de GPS hoje disponíveis no mercado, a quase totalidade dos mapas gratuitos disponíveis na internet é configurada para uso em aparelhos Garmin.


(Veja aqui a Parte I desta postagem)


PARA SABER MAIS:

- uma boa dica de informação é o blog MapForum, com cursos e notícias postadas por Ayr Müller, especialista em navegação terrestre.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Cone Sul/Cartografia - Parte I: Estradas, Mapas e Guias de Viagem

Cone Sul durante o ano. Fotografia animada: Wikipedia

Alguns dos temas mais acessados no meu blog são os relativos à informações cartográficas, GPS e rotas pelos países do Cone Sul. Em função disto preparei uma síntese de informações que vai dividida em duas postagens.

Confiram aí!

INFORMAÇÕES SOBRE AS CONDIÇÕES DAS ESTRADAS NO CONE SUL - Embora não seja hábito dos brasileiros consultar informações prévias sobre as condições das estradas que vão percorrer no país, tal prevenção é indispensável para rodar na região andina e ao sul da Argentina e do Chile em função da possibilidade de bloqueio de estradas por condições climáticas extremas, especialmente devido à neve. Isto pode ocorrer em qualquer época do ano, inclusive no verão.

Em setembro de 2005 uma enorme tempestade de neve bloqueou todos os passos andinos entre o Chile e a Argentina e, com um grupo de amigos, fiquei bloqueado em San Pedro de Atacama sem poder voltar ao Brasil via Passo de Jama, em Salta. Tivemos que descer mais de 1.000 quilômetros até Santiago e aguardar que as máquinas abrissem a neve do passo que leva a Mendoza. Apesar de aumentar o curso da viagem, por muito pouco não tivemos que retornar ao Brasil de avião e deixar o jipe no Chile.

Para tanto, recomendo como a melhor fonte de informações sobre as estradas chilenas e passos transandinos o site da Dirección de Vialidad, do Ministério dos Transportes chileno, contendo também excelentes descrições das Rutas Costera, Interlagos, Andina e da Carretera Austral. Para a Argentina o site da Vialidad Nacional oferece informações semelhantes ao equivalente chileno e um outro site interessante é o Ruta Zero, também com informações sobre as condições rodoviárias deste país.

GUIAS DE VIAGEM IMPRESSOS E NA INTERNET - Para o Chile e Argentina considero como os melhores guias de viagem o Guia YPF e o seu equivalente chileno Guia Turística de Chile - Turistel Ambos são editados no estilo dos tradicionais guias europeus Michelin, anualmente atualizados e encontrados em bancas de revistas e postos de gasolina ao preço médio de US$ 10,00.

O meu complemento preferido são os guias Lonely Planet sendo disponíveis para o Cone Sul as edições temáticas Argentina, Argentina, Uruguay & Paraguay, Buenos Aires Encounter, Buenos Aires (City Guide), Chile; Easter Island, Trekking in the Patagonian Andes, Uruguay (Custon Guide), disponíveis em inglês e espanhol (alguns) e considerados no mundo todo como as melhores companhias para quem gosta de viajar de forma independente. Porém, na hora de comprar, muita atenção para procurar a última edição disponível pois algumas tiragens mais antigas estão bastante desatualizadas.

MAPAS IMPRESSOS - Os motoristas poderão encontrar ótimos mapas rodoviários na Argentina, também em postos de gasolina e bancas de revista. Peça por mapas carreteros da série AutoMapa, de capa vermelha e adquiridos conforme a região desejada. O de número 44 refere-se à Patagônia e Terra do Fogo em conjunto. Já vi estes mapas disponíveis em português aqui mesmo no Brasil e também pode ser encontrados em versão torrent pela internet.

MAPAS DIGITAIS PARA GPS - Como já registrei anteriormente, mapas digitais gratuitos de excelente qualidade especialmente desenvolvidos para GPS´s Garmin podem ser baixados no Projeto TrackSource no caso do Brasil. Para Argentina, Chile e Uruguai estão disponíveis no site do Proyecto Mapear ou no site Geored Conosur - conforme comentários bem mais detalhado para o Chile que o Mapear.

Em resumo é isto e espero que algumas destas dicas lhes possam ser úteis na próxima viagem ao Cone Sul...

P.S.: Leiam também a parte II deste post...

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Cone Sul/Argentina: A Mítica Ruta 40


A mítica Ruta 40 na Patagônia é para os amantes da aventura o equivalente à Rota 66 nos EUA para a tribo beatnik, embora a supere em quase mil quilômetros. Ao longo de 5.224 Km ligando paralelamente aos Andes o sul com o norte do país, por ela se descortinam paisagens grandiosas onde os superlativos são um lugar-comum.

Um dos muitos aspectos que justificam o seu rótulo de rota de aventura são os longos trechos sem absolutamente qualquer recurso e pavimentação, o que serve como uma espécie de repelente do turismo convencional.


O preço do privilégio para percorrê-la não é pequeno: despreendimento dos confortos básicos, pneus furados, pára-brisas quebrados, panes secas e milhares de quilômetros de muita, mas muita poeira.


As estatísticas da Ruta 40 são impressionantes:
  • a estrada liga o Farol de Cabo Vírgenes no extremo sul do litoral da Província de Santa Cruz na Patagônia a La Quiaca no norte, divisa com Bolívia, ao longo de mais de 5 mil quilômetros;
  • sua altitude varia do nível do mar a quase 5 mil metros, contando com 27 passos cordilheiranos, cruzando 11 províncias argentinas e atravessando paralelos de mais de 30 latitudes;
  • em seu traçado podem ser visitados 20 reservas naturais e parques nacionais, sendo 5 deles patrimônio da humanidade;
  • a estrada construída pela Vialidad Nacional a partir de 1935 atravessa dezoito rios importantes, cruza duzentas e trinta e duas pontes, passa por sessenta localidades e treze grandes lagos e salinas, variando do frio extremo ao calor abrasador dos desertos;
  • a estrada une três regiões geográficas: o Norte ( províncias de Jujuy, Salta, Tucumán e Catamarca), Cuyo (La Rioja, San Juan e Mendoza) e a Patagônia ( Neuquén, Rio Negro, Chubut e Santa Cruz);
  • desde o Alto Vale do Rio Negro até Cachi (Salta), a Ruta 40 comunica 132 vinícolas (das cento e trinta e cinco existentes na Argentina em dez/2008) abertas ao turismo na denominada Rota do Vinho;
  • os órgãos de turismo na Argentina costumam sugerir aos que pretendem conhecer a Ruta 40 em toda a sua extensão, uma viagem de quarenta dias (“La 40 en 40 dias"); a melhor época de viajar pelo norte é durante o inverno, que é mais seco; e na temporada de outubro a abril, menos fria, pela região patagônica;
  • parte em rípio (cascalho) e parte asfaltada, em 2008 dos 5.224 quilômetros da estrada cerca de 2.700 – norte da Patagônia, quase todo Cuyo e Catamarca, todo Tucumán e o sul de Salta - estavam asfaltados. A Previsão da Vialidad para o término dos trabalhos de pavimentação é no ano de 2010;
  • 0 quilômetro Zero da Ruta 40 esteve, até fins de 2004, no cruzamento das ruas San Martin e Garibaldi, em pleno centro da cidade de Mendoza. Desse ponto partia o trecho Norte - 1551 km - até Abra Pampa, Jujuy e o trecho Sul – 3115 km - até Punta Loyola, Santa Cruz.

Em viagens diferentes já percorri aproximadamente 5 mil quilômetros da Ruta 40, parte ao sul de Mendoza, então 80% em rípio e o resto em asfalto precário, e mais um trecho maravilhosamente pavimentado ao norte de Salta.

O percurso retratado nestas imagens está mais ao sul, na Patagônia, onde apesar da claridade de verão as latitudes baixas garantem uma luz bonita, atravessada, deixando as fotografias com as cores quentes e aveludadas.


Se a viagem compensa? Evidente que sim! Experimente para ver e me conte na volta...


As fotos desta postagem foram captadas em fevereiro de 2000 durante a Expedição Terra Australis com uma câmera Canon EOS 5 e negativos Fuji. A digitalização foi feita a partir das cópias em papel com scanner comum em baixa resolução. Prometo mais adiante providenciar digitalizações melhores diretamente dos negativos. Todas as fotografias foram tomadas pelo autor deste blog na Patagônia.

Copyright © 2000 João Paulo Lucena. Proibida reprodução sem a permissão expressa do autor.

*** Complementando estas imagens, descobri no YouTube um video promocional muito bacana sobre a Ruta 40. Confiram diretamente aqui no blog!