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sexta-feira, dezembro 10, 2021

Náutica: Vilfredo Schürmann lança livro sobre submarino encontrado em Santa Catarina


Fonte: Schürmann

Thank you for watchingSegundo o  patriarca da família Schürman

Vilfredo Schürmann lançou ontem seu terceiro livro, Em busca do submarino U-513 – Uma incrível aventura nos mares do Sul, onde onde descreve a saga de 10 anos do Veleiro Aysso em busca do submarino alemão afundado em águas brasileiras durante a II Guerra Mundial.

Segundo o patriarca da Família Schürmann foram 11 os submarinos alemães afundados na costa brasileira, sendo que o U-513 foi o primeiro deles a ser descoberto e, também, no mundo, o primeiro encontrado por um veleiro. O fato ocorreu em 2011 a cerca de 65 milhas náuticas da Ilha de Santa Catarina, a 130 metros de profundidade e já foi relatado com detalhes aqui neste blog, o que pode ser conferido AQUI.


Fonte: Schürmann


O evento de lançamento ocorreu em noite de autógrafos e palestra no Cabanga Iate Clube de Pernambuco e foi prestigiado por navegadores, interessados e autoridades da Marinha do Brasil. A obra conta com fotografias e ilustrações,  356 páginas e capa dura e foi impressa em uma tiragem de 3 mil volumes. Graças ao apoio de patrocinadores, está sendo vendido a R$ 30,00 e pode ser adquirido por meio do site oficial u513.com.br.

POSTAGEM RELACIONADA NESTE BLOG:

Náutica: Submarino alemão da II Guerra Mundial é localizado em Santa Catarina

PARA SABER MAIS:

Site Oficial da Expedição U-513 - Família Schürmann

sexta-feira, agosto 19, 2011

Náutica: Palestra e lançamento de livro sobre U-Boats em Porto Alegre


Outro dia publiquei aqui no blog uma matéria um pouco mais ampla sobre o submarino alemão da II Guerra Mundial recentemente descoberto pela Família Schürmann no litoral de Santa Catarina (veja o post AQUI).

Pois no próximo dia 1/09/2011, às 19h00, o Iate Clube Guaíba, em Porto Alegre/RS, promoverá a palestra "U-BOATS, MERGULHANDO NA HISTÓRIA", com Nestor Antunes de Magalhães, velejador, pesquisador de história militar e escritor.

Nestor Antunes de Magalhães também é mergulhador e oficial R/1 do Exército Brasileiro. É mem­bro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e mergulha­dor CMAS com quatro especializações. Viajou pelo mundo durante 7 anos, mergulhando em naufrágios de submarinos alemães, os U-Boats, e explorando também nos destroços do Dia D e em vítimas destes submarinos. Dentre outros mergulhos des­taca-se a participação em uma expedição exploratória nos naufrágios do Parcel de Manuel Luis, Maranhão.

Todo este material e muita pesquisa rendeu o livro U Boats, Mergulhando na História, cuja segunda edição estará sendo lançada e autografada na palestra em Porto Alegre, quando haverá também uma projeção de imagens relacionadas aos trabalhos e mergulhos do autor.

O ingresso para o evento é gratuito e o Iate Clube Guaíba está localizado na Av. Guaíba, 777, Bairro Cristal e mais informações podem ser obtidas junto à secretaria da entidade pelos telefones (51)3268-0397 e 3268-0380.

POSTAGENS RELACIONADAS NO TERRA AUSTRALIS:

15/07/2011 - Submarino alemão da II Guerra Mundial é localizado em Santa Catarina

quarta-feira, agosto 17, 2011

Vela/Náutica: Adrenalina estréia hoje a 6ª Temporada com Vela no Sul do Brasil!

Veleiro Manatee na Regata Cidade de Porto Alegre 2011. Foto: JPlucena

Hoje é dia de Programa Adrenalina que estréia a 6ª temporada nacional e internacional, veiculado pelo Canal Futura e Rede Globo Internacional, cujo anúncio já fiz AQUI no blog.

O primeiro episódio da nova temporada será sobre a vela no sul do país. Serão dois blocos tratando das suas principais vertentes - o cruzeiro e a regata - tendo como cenário o Rio Guaíba, em Porto Alegre, com muita informação, imagens incríveis e entrevistas onde os praticantes contam um pouco do seu amor ao esporte e por que o sul do país é um dos grandes pólos mundiais do esporte e de formação de velejadores.

Os dois maiores clubes de vela do RS - Jangadeiros e Veleiros do Sul - apoiaram integralmente as gravações do programa.

O episódio será transmitido pela primeira vez hoje às 21h00, pelo Canal Futura (Sky 8 e Net 32), sendo reprisado no domingo às 4h30 e às 17h30. No RS também pode ser assistido pela TV UNISINOS às sextas-feiras às 19:30h, sábados às 12:30h e terças-feiras às 12h.

Seguem  o  release, o clip do programa de hoje e uma pequena amostra do making-off das gravações, onde participei não só como fotógrafo da equipe mas também como velejador convidado no bloco que trata da vela de cruzeiro.

Então não perca a estréia do Adrenalina hoje à noite, às 21h00!

"RELEASE EPISÓDIO 1 - VELEJANDO EM PORTO ALEGRE: O Rio Guaíba, que banha a cidade de Porto Alegre e fornece uma rota de navegação fluvial para a Lagoa do Patos e para o Oceano Atlântico, é um dos maiores pólos de vela no sul do Brasil. Foi lá, que a equipe do Programa Adrenalina experimentou as duas divisões do esporte: vela competição e cruzeiro.

Conhecemos as escolas de vela e a sua importância na formação dos velejadores e dos competidores, entrevistamos atletas profissionais que falam de suas aventuras velejando, bem como, da segurança no esporte. Fizemos um cruzeiro com três velejadores experientes a bordo de um Delta 36, aprendemos sobre as velas, as partes do barco e as nomenclaturas corretas dos velejadores.

Na segunda parte do programa, a equipe do Programa Adrenalina se dividiu em dois veleiros durante uma competição de vela mostrando todas as emoções de uma regata. Finalizando com um final de tarde com um pôr do sol que é considerado um dos mais belos do Brasil."







POSTAGENS RELACIONADAS AQUI NO TERRA AUSTRALIS:

08/08/2011 - Programa Adrenalina estréia 6ª Temporada dia 17/11

sexta-feira, julho 15, 2011

Náutica: Submarino alemão da II Guerra Mundial é localizado em Santa Catarina

U-Boat. Fonte: Lock the Welder

Durante a II Guerra Mundial estima-se que pelo menos 11 submarinos alemães tenham afundado em águas brasileiras, especialmente quando da grande ofensiva de 1943 feita por Hitler nas águas do Atlântico. 

Também conhecidos como U-Boats, depois de 68 anos no fundo do mar o primeiro deles - o U-513 -também chamado de o "Lobo Solitário" foi finalmente localizado por uma equipe de pesquisadores do Instituto Kat Schürmann e da Universidade do Vale do Itajaí, nas proximidades de São Francisco do Sul (SC).

Sem dúvida trata-se de um evento histórico e o submarino encontrado, cujas coordenadas exatas ainda foram reveladas a fim de protegê-lo de saqueadores, está a 75 metros de profundidade, o que significa que será um dos raros naufrágios desta natureza acessível a mergulhadores.

O Submarino - O U-513 era um submarino de longo alcance do tipo IXC, lançado em 1941 e representava um dos maiores exemplos do grande avanço da tecnologia alemã de batalha. Sua missão na costa brasileira era vigiar e atacar as embarcações na rota Rio de Janeiro-Buenos Aires.


Fonte: Revista Época
Para se ter uma idéia o que representava esta máquina de guerra em 1941 quando foi construída, basta considerar que o primeiro submarino totalmente brasileiro, o "Tamoio", foi lançado somente em 1993 e, portanto, mais de meio século depois do U-513.

O U-513 parte da sua base na França. Fonte: Revista Época


U-513. Fonte: The Battle of Bell Island
Em junho de 1943, o U-513 patrulhava a rota Buenos Aires-Rio de Janeiro com a missão de afundar qualquer navio aliado.

Depois de torpedear pelo menos três navios em águas brasileiras, no dia 19 de julho de 1943 o avião Martin PBM Mariner do Esquadrão VP-74/P5, comandado por Roy S. Whitcomb e operando em apoio ao navio de guerra americano USS Banergat, localizou o submarino e o atacou com cargas de bombas.

Atingido na popa de forma irreparável o U-513 afundou imediatamente, salvando-se apenas os tripulantes que estavam na ponte e no convés superior.

O hidroavião Martin PBM. Fonte: Uboatarchive.net

Interior do Martin PBM. Fonte: Uboatarchive.net
A sequência de imagens a seguir foi captada a partir do avião de ataque e tida como do afundamento do U-513:




Fonte: História de Iguape
As próprias aeronaves de patrulha lançaram botes salva-vidas e os sobreviventes foram recolhidos pelo navio USS Barnegat, integrante da força norte-americana enviada para deter o U-513. Da tripulação de 54 homens, somente foram encontrados, incluindo o capitão Friedrich Guggenberger que ficou bastante ferido.

USS Banergat recolheu os sobreviventes do U-513 - Fonte: Uboatarchive.net

Cargueiro "Tutoya", torpedeado pelo U-513 na costa brasileira em 1943.
Fonte: História de Iguape

O cargueiro norte-americano Elihu B. Washburne, outra embarcação afundada pelo U-513 em águas brasileiras.
Fonte: Fundação Mar
Apenas um colete salva-vidas que chegou à costa poucos dias depois foi o que sobrou do U-513. Já os relatórios confidenciais do ataque, do resgate da tripulação e dos interrogatórios dos prisioneiros alemães estão integralmente disponíveis na internet no site UBoat Archive, uma interessante leitura para os apreciadores do tema.

Marinha Brasileira na guerra anti-submarino.
Fonte: Wikipedia
O Comandante - O Capitão do submarino Friedrich Guggenberger merece uma história à parte.

Friedrich Guggenberger.
Fonte: Wikipedia
Com apenas 28 anos quando o U-513 foi afundado no Brasil, já possuía importantes condecorações e uma extensa folha de serviços prestados à Marinha alemã. Herói de guerra no seu país, foi o responsável pelo afundamento de inúmeros navios e do poderoso porta-aviões inglês HMS Ark Royal, nas cercanias de Gibraltar.

Depois de capturado Guggenberger foi levado para os Estados Unidos para interrogatórios. Lá fugiu duas vezes dos campos de prisioneiros, até ser transferido para a Alemanha e lá libertado em 1946. 

Após a guerra formou-se em arquitetura e voltou à Marinha em 1956. Mesmo tendo sido prisioneiro de guerra nos EUA, esteve de novo naquele país para cursar a Naval War College em Newport, EUA, tendo chegado ao posto de Contra-Almirante e de comandante das forças da OTAN.

Aposentou-se em 1972 e em 13 de maio de 1988 desapareceu misteriosamente durante um trekking em um bosque, tendo seu corpo sido encontrado somente dois anos depois.

Emblema do U-513.
Fonte: U-Boat.Archive
Projeto de pesquisa - O descobrimento do submarino no mar catarinense se deu depois de dois anos de pesquisas em arquivos brasileiros, americanos e alemães, dentro de um projeto conjunto do Instituto Kat Schurmann e da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). A fase de prospecção oceanográfica foi iniciada no último dia 9 de julho pelo veleiro Aysso, comandado por Vilfredo Schürmann, com a localização do objetivo no dia 14, por volta das 22 horas.

A Família Schürmann ficou famosa pelas suas navegações ao redor do mundo a bordo de veleiros e desde então se dedica a vários projetos, inclusive educacionais. A idéia de buscar o submarino perdido veio de uma conversa de Vilfredo Schürmann durante uma velejada no ano de 2002, quando soube da história do U-513 e toda a  investigação está sendo registrada para um futuro documentário.

Trabalhos de prospeção marítima no Veleiro Aysso. No destaque o Comandante Vilfredo Schürmann.
Fonte: Revista Época
Um esquema bastante interessante sobre o U-513 e as prospecções feitas pelo Aysso foi preparado pelo Jornal Zero Hora de pode ser visto AQUI.
"O Último Mergulho", Ed. Record

Literatura e cinema - Há alguns anos li um livro muito interessante chamado "O Último Mergulho", de Bernie Chowdhury (Ed. Record, ISBN: 85-01-06006-2), sobre uma história real que trata dos esforços e aventuras de um grupo de mergulhadores de profundidade na exploração de um U-Boat espião na costa dos Estados Unidos.

Já para quem gosta de cinema a melhor dica possível é "O Barco - Inferno no Mar" (Das Boot), de Wolfgang Petersen, filme antibelicista de 1981 considerado até hoje a mais perfeita recriação da luta submarina durante a II Guerra Mundial e disponível em DVD.

U-Boats - Uma grande rede de informações e imagens sobre os U-Boats também está disponível em sites especializados na internet como o UBoat.Net e o UBoat.Archive e cada nova descoberta de um embarcação perdida é imensamente comemorada.

Alguns submarinos alemães da II Guerra Mundial que sobreviveram ao tempo ou que foram recuperados do mar estão hoje abertos à visitação pública e atraem grande fluxo de visitantes, assim como o U-995, em Laboe, Alemanha, o U-534, em Birkenhead, Inglaterra, ou o U-505, em Chicago, EUA.

U-995 em Laboe, Alemanha. Fonte: Wikipedia
 
U-535 em Birkenhead, Inglaterra. Fonte: Geograph

U-505, no Museum of Science and Industry, Chicago, EUA.
Fonte: Wikipedia


Da mesma época também está aberta à visitação a embarcação-museu USS Pampanito, submarino americano lançado em 1943 que participou da II Guerra Mundial e está hoje atracado no Pier 45, em San Francisco. Já tive a oportunidade de visitá-lo e a sua conservação é absolutamente impecável.


USS Pampanito, hoje atracado no Pier 45 - Fisherman´s Wharf, San Francisco/EUA
Fonte: Wikipedia

Quem sabe o Brasil não poderá ter um dia o seu próprio parque temático em Santa Catarina?

A Familia Schümann já anunciou que o resgate do U-513 do fundo do mar seria inviável financeiramente devido ao seu peso, superior a 700 toneladas, mas que já há a intenção de construir uma réplica da embarcação.

Documentário - O próximo passo é o início da fase de exploração submarina do U-513, a partir da qual muitas notícias interessantes vão surgir com a utilização de mergulhadores e um robô.

Parte do material poderá ser usado para um quadro no programa “Fantástico”, da TV Globo e para uma série no Discovery Chanel, além de um documentário específico produzido pelos Schürmann e cujo trailer vocês pode conferir abaixo.




Agora é esperar para ver! 

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Nota do Editor em 14/10/2020. Ao que consta até a presente data o documentário não foi produzido devido à proibição por parte da Marinha do Brasil de mergulhos até o U-513, conforme informações constante no Canal da Família Schürmann no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=-5IOycQN_ME).

Nota do Editor em 10/12/2021. Lançado livro de Vilfredo Schürmann relatando a expedição de busca ao U-513. Vide link abaixo.
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POSTAGENS RELACIONADAS NESTE BLOG:

Náutica: Vilfredo Schürmann lança livro sobre submarino encontrado em Santa Catarina


PARA SABER MAIS:
 
- Submarino alemão próximo a São Francisco do Sul - 24/03/2006
- História de Iguape - Navio "Tutoia" é torpedeado pelo U-513 - 27/12/2008
- The Battle of Bell Island - 11/07/2009
- Navio "Tutóia" é torpedeado pelo Revista Época - 11/09/2009
- Naufrágio do U-513 é filmado em Barra Velha - 26/04/2010
- Diário Catarinense - 03/07/2011
- Família Schürmann encontra submarino alemão U-513 nesta quinta depois de dois anos de buscas - Jornal Zero Hora - 14/07/2011
- Família Schürmann e pesquisadores da Univali encontram submarino nazista U513 - Revista Época - 15/07/2011
- Família Schürmann
- Navios brasileiros afundados na Segunda Guerra Mundial
- U-Boat - Wikipedia
- UBoat Net
- UBoat Archive
- UBoatwaffe
- U-513 / Capitão Guggemberger / Tutoia
- U-513 - O Lobo Solitário - Documentário da Família Schürmann em produção

quinta-feira, março 03, 2011

Náutica: Relíquias do Titanic exibidas em Porto Alegre, Curitiba e Brasília

O Titanic em Southampton. Foto: Internet

No próximo dia 17 de março uma exposição de relíquias autênticas do Titanic e dos seus passageiros será inaugurada em Porto Alegre, parte de uma tournée mundial com passagem por apenas três cidades do Brasil. Após a capital gaúcha ela seguirá para Curitiba e Brasília).

A mostra denominada "Titanic: A Exposição - Objetos Reais, Histórias Reais" contará com 243 objetos resgatados do fundo do mar e já foi vista por 22 milhões de pessoas, enfocando desde a construção do navio, a vida a bordo, o naufrágio e a redescoberta do Titanic.

Apesar da tragédia humana onde morreram 1523 passageiros em 14 de abril de 1912, o afundamento daquele que já foi considerado o maior e mais seguro navio do mundo constitui um fato histórico e a exposição será uma oportunidade ímpar para os interessados em temas náuticos e para o público em geral.

Consta que ao todo pelo menos 5.550 objetos históricos foram resgatados do Titanic e boa parte deles compõe exposições intinerantes como esta, havendo várias ações judiciais no exterior discutindo a titularidade quanto aos direitos sobre os objetos trazidos do navio.

A RMS Titanic, Inc. é empresa por trás das exposições no Brasil é conforme uma decisão da justiça federal dos EUA de 1994 é hoje a única autorizada a explorar o despojos do Titanic, tendo organizado as expedições que resgataram a totalidade das relíquias que circulam pelo mundo.

A exposição em Porto Alegre será realizada no Barra Shopping Sul, Av. Diário de Notícias, 300, a partir do dia 17 de abril e os ingressos custarão R$ 40,00, com descontos para estudantes e terceira idade.


Foto: Divulgação

Trabalhos de resgate do Titanic. Foto: Divulgação


quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Náutica/Vela: Travessia da Lagoa dos Patos - Alguns comentários finais...

Pilotando o Arraia Manta em Rio Grande. Foto: Ana Karina Belegantt

Finda a nossa jornada pela Lagoa dos Patos, faço aqui alguns comentários gerais.

Distância percorrida - 160 milhas náuticas (296 Km).

O veleiro - Costuma-se referenciar as embarcações pela classe ou estaleiro de origem e o seu tamanho. No nosso caso estávamos em um Delta 36, construído pela Delta Yatchs de Gravataí/RS, com 36 pés (11 metros).

O Arraia Manta ainda com o antigo nome pintado no costado e fundeado na Praia do Sítio.
Quem pode navegar - Para a condução amadora (não comercial) de um veleiro como o nosso é necessário possuir habilitação concedida pela Marinha do Brasil, a qual pode ser de 3 tipos:

- Arrais Amador - Permite a condução de embarcações de esporte e recreio, em qualquer tamanho e peso, à vela ou a motor, dentro do limite de águas abrigadas (rios, canais, lagos, lagoas, represas, baías, etc.)

- Mestre Amador - Amplia o limite acima para águas costeiras até aproximadamente 40 milhas da terra (74 Km), entre portos nacionais e estrangeiros.

- Capitão Amador - Habilitação máxima para um amador, autoriza a navegação transoceânica.

Para uma viagem relativamente longa como a nossa, a cautela recomenda que pelo menos duas pessoas estejam habilitadas a pilotar o barco. No Arraia Manta tínhamos dois capitães e um arrais amador.

A partir dos 4 anos de idade qualquer pessoa pode aprender a navegar, independente de condição física.

Crianças à bordo - É claro que em uma embarcação em movimento sempre haverá certo risco para os tripulantes, crianças ou não. A chave é primeiro reconhecê-lo e depois preveni-lo e controlá-lo. Crianças de qualquer idade podem viajar em um barco à vela, variando os cuidados necessários conforme a sua idade. Há que ter precaução para não se perder o equilíbrio quando o barco balança com as ondas, quando singra adernado, com os movimentos bruscos dos cabos e da retranca da vela mestra e, por óbvio, para não cair na água.

O nosso tripulante mirim tinha 12 anos de idade, experiência em velejadas anteriores e sabia nadar. As precauções maiores eram tomadas à noite, quando ele somente subia ao convés com um salva-vidas inflável e um sinalizador estroboscópico de emergência, pois uma das tarefas mais difíceis em uma embarcação é regatar um "homem ao mar" durante a noite. Com meus filhos que são ainda menores que o Pipe costumo utilizar também uma "linha de vida", um cabo de segurança com presilhas nas pontas que prende o tripulante pelo peito ou cintura a um ponto de segurança no barco.

Um registro especial: o Pipe foi de um desempenho exemplar, da manhã à noite fazendo companhia a quem estava pilotando na roda do leme, bem-humorado, prestativo, interessado em aprender e sem apresentar reclamações ao comando uma única vez! Em suma, um perfeito parceiro de navegação!

A água da Lagoa dos Patos - Tínhamos a bordo um bom suprimento de água potável para consumo humano e os banhos eram todos nas águas navegadas. Com exceção dos portos e zonas próximas a centros urbanos, a água da Lagoa dos Patos é limpa, livre de poluição.

Como em verdade a lagoa é uma laguna pois se comunica com o oceano, a água doce se mescla com a salgada em uma extensão que varia conforme o regime de ventos, das correntes, marés e da época do ano. No verão a salinidade mais concentrada provoca maior limpidez e a cor esverdeada das águas, ao mesmo tempo em que permite a pesca de camarões e lulas. A cidade de Rio Grande é um dos grandes centros pesqueiros destes produtos.

Na medida em que se avança na lagoa rumo norte, para o estuário do Rio Guaíba, vai diminuindo a salinidade e as suas águas vão se tornando um pouco mais escuras e turvas, em um tom de chá, mas ainda assim limpas o suficiente para permitir a pesca abundante e banhos memoráveis!


A ala masculina da tripulação se refresca nas águas límpidas ao largo do Farol Capão da Marca, margem leste da Lagoa dos Patos. Foto: Ana Karina Belegantt
Uma curiosidade: golfinhos na lagoa - Devido ao fenômento acima golfinhos, ou botos, já foram avistados muito longe lagoa adentro e até mesmo em afluentes do Rio Guaíba, a mais de 160 milhas (300 Km) do oceano!! O mesmo já aconteceu com lobos marinhos, avistados junto ao Clube Náutico de São Lourenço, muito adentro na Lagoa dos Patos. Pessoalmente ainda não tive este privilégio...

Confira alguns relatos e fotos AQUI e AQUI!

Golfinho avistado em 2009, nas águas doces da Enseada de Tapes, a 110 milhas do Atlântico.
Fonte: Popa.Com - Danilo Ribeiro

O camarão - Relatei aqui no blog que a base dos pratos servidos à tripulação foi o camarão. Não que no Arraia Manta alguém tenha nascido em berço de veludo ou escove os dentes com champanhe. Mas em plena safra se consegue comprar camarão fresco a ótimos preços no mercado público de Rio Grande ou diretamente dos pescadores na lagoa.

O preço varia conforme o tamanho do camarão, se está descabeçado ou totalmente descascado. Como não chegamos em boa hora no mercado acabamos pagando R$ 18,00 pelo quilo, ainda assim mais barato do que no supermercado.

Marinheiro Pipe adquire estratégico conhecimento náutico: como escolher camarão para a bóia da tripulação!
Fotografia - Utilizei uma Canon EOS 1 Mk II basicamente com duas lentes: uma grande angular 17-40 mm e uma telezoom 100-400 mm com estabilizador de imagem. O contínuo balanço do barco não permite o uso de tripé o que obrigou a combinação da tele com altas velocidades de obturação (1/1000) e ISO maior (entre 400 e 1600). Já a Ana Karina utilizou uma Canon G9, uma excelente compacta de desempenho profissional.

Bom, por enquanto era isto.

Até a próxima aventura!!

 
IMAGENS: João Paulo Lucena e Ana Karina Belegantt

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Náutica/Vela: Do Farol de Itapuã a Porto Alegre

Praia do Sítio e Farol de Itapuã ao fundo. Construído em 1860, está no limite geográfico entre a Lagoa dos Patos e o Rio Guaíba.
3º e último dia.

Agora que estamos a somente 20 milhas de Porto Alegre a alvorada é mais tranquila, cada um acordando conforme o corpo vai pedindo, enquanto se escuta ao longe o ronco dos bugios na mata nativa que recobre a pequena baía da Praia do Sítio.

A paisagem novamente se transformou e nem parece que estamos em uma praia fluvial do Rio Grande do Sul. Quem sabe, não fosse pela cor da água até pudesse confudir-se com alguma praia do litoral do Rio de Janeiro ou de Santos...

Acredite se quiser, mas estamos a apenas 40 Km de Porto Alegre...


Esta praia pertence ao Parque Estadual de Itapuã, município de Viamão, e está a aproximadamente 1 Km do Farol de Itapuã. É famosa pelos bugios que habitam suas matas e nela é proibido o desembarque sem permissão das autoridades ambientais.

Uma vez ao ano os velejadores da região se organizam para uma atividade comunitária de limpeza das suas margens, ocasião em que dezenas de embarcações transformam a pequena baía da Praia do Sítio em uma cidadezinha flutuante. Trata-se do já tradicional Cruzeiro do Bugio, organizado por Danilo Ribeiro, velejador de Porto Alegre famoso pelos eventos náuticos que unem navegantes de todas as origens e idades.

Enormes rochas de granito arredondas pelo tempo compõem um bonito cenário com palmeiras, orquídeas, bromélias, cactáceas e figueiras centenárias, recobertas de barba-de-pau.


Mas nem sempre foi assim.

Há anos uma pequena vila de pescadores e veranistas ocupava o local onde hoje só vemos mata, tendo sido também lugar de combates históricos entre gaúchos que lutavam pela independência do sul e imperialistas durante a Revolução Farroupilha, de 1935 a 1945.

Restos de armamentos já foram encontrados em antigas trincheiras no Morro da Fortaleza e em naufrágios de embarcações militares próximos ao local onde estamos fundeados.

Depois da criação do parque estadual em 1973 uma de suas administrações entrou em conflito com os velejadores ao tentar impedir o fundeio na Praia do Sítio. Conta Danilo Ribeiro que quem resolveu a parada foi o Delegado da Capitania dos Portos de Porto Alegre que, de forma muito incisiva, deixou clara a sua jurisdição sobre as águas do parque ao declarar:

- "Onde uma acha de lenha flutuar, quem diz o que pode e o que não pode, sou eu!"
E desde então os navegantes, sem desembarcar, voltaram a fundear tranquilamento neste belo recanto do Rio Guaíba...

O dia está quente, ensolarado, com bom vento e os sinais de telefonia celular e de internet 3G voltam ser captados, anunciando o retorno do Arraia Manta à civilização.

Alguns reparos precisam ser feitos e trocamos a vela genoa que rasgou na tarde de ontem por uma nova, um pouco menor, mas que substitui com eficiência a antiga.

Colocando as postagens em dia. Foto: Ana Karina Belegantt

A tripulação se diverte com banhos de rio - já saímos da Lagoa dos Patos - e brincadeiras com o bote inflável, quando aproveito para fotografar o barco em um ângulo diferente, a partir da água.



O Comandante Tita também dá duro nas remadas...
O almoço é puro luxo pois precisamos terminar o principal mantimento da viagem, comprado lá na feira do peixe de Rio Grande. Assim são servidas variações sobre um mesmo - mas nada entediante - tema: camarão ao bafo, pirão de camarão, camarão com espagueti...

Velejar na Lagoa dos Patos durante a safra do camarão é muito duro...
Após a refeição içamos vela e seguimos com bom vento e velocidade média de 6 nós rumo a Porto Alegre, onde devemos chegar em aproximadamente 4 horas mais.

No caminho vamos apreciando as margens do Guaíba, passando pela Ilha do Junco, a Ponta da Fortaleza, Itapuã, Ilha Chico Manuel, as Pedras do Arado, a Ponta Grossa, a Ilha Pedras Brancas, passando por velejadores de classes diversas - wind, kite, monotipos, veleiros oceânicos - enquanto ao mesmo tempo vamos preparando o barco para a chegada.

Poucos sabem mas o Rio Grande do Sul rivaliza com o Rio de Janeiro como maior pólo de vela do Brasil, tanto na formação de velejadores, inclusive de classe olímpica, quanto na construção de embarcações. O Delta 36 em que estamos viajando foi construído na cidade de Gravataí/RS, um dos melhores estaleiros do gênero no país.


Preparando o barco para atracar...
Velejadores da classe Laser em frente ao clube Jangadeiros, que junto com o Veleiros do Sul formam as duas principais agremiações náuticas do Rio Grande do Sul.

Aos poucos vislubramos o perfil de Porto Alegre, tendo a Usina do Gasômetro e a sua imensa chaminé como ponto referencial da paisagem urbana.


Finalmente, depois de uma magnífica velejada, vamos chegando de mansinho, velas caçadas, motor em baixa rotação e atracamos no clube náutico Veleiros do Sul, em Porto Alegre, base permanente do Arraia Manta.

Corpo cansado mas com a mente leve, barco e tripulação em segurança, a satisfação da missão cumprida depois de 160 milhas navegadas.

Agora é despedir-se temporariamente dos amigos, recuperar as energias e já começar a pensar na próxima viagem!

Afinal, como bem diz o Amyr, "um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir..."

João Paulo Lucena, João Baptista Beck Pinto e Demóstenes Luiz Beck Pinto. O trio que tem conduzido o Arraia Manta (ex-Brubalu) - agora na sua terceira versão - pelas águas do sul do país. Foto: Ana Karina Belegantt
IMAGENS: João Paulo Lucena e Ana Karina Belegantt