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segunda-feira, julho 26, 2010

Náutica: Baleia salta sobre veleiro na costa da África do Sul

(Foto: MSNBC)

Acredite se quiser. Esta foi demais!

De tantas imagens e vídeos fake que rolam livremente pela internet, de vez em quando é difícil acreditar no que se vê, em especial quando a realidade supera a imaginação.

No litoral africano da Cidade do Cabo uma baleia franca de 33 metros e cerca de 40 toneladas simplesmente saltou sobre um pequeno veleiro. Sem feridos mas com um enorme susto para os tripulantes, a cena foi integralmente captada em vídeo a partir de uma embarcação que navegava próxima ao veleiro.

Se o azar foi do dono do veleiro pelos prejuízos materiais sofridos, sem dúvida foi sorte grande do cinegrafista amador que estava com sua câmera acionada exatamente no local e na hora certa e captou o seu momento de ouro. Agora é só aproveitar seus 5 minutos de fama enquanto o vídeo corre o mundo inteiro.

O veleiro, tripulado por um casal de namorados, conseguiu voltar ao porto navegando a motor.

- "Nós estávamos observando a baleia por aproximadamente meia hora", disse Paloma Werner, que estava no iate com seu namorado, o instrutor de iatismo Ralph Mothes.

- "Ela estava a cerca de 100 ou 200 metros de nós quando desapareceu sob a água e reapareceu a uns 10 ou 20 metros do barco, mas nós não pensamos que ela estivesse em rota de colisão", disse Werner.

(Fonte: MSNBC)

Confiram com seus próprios olhos:

P.S: Sobre o tema agrego este complemento publicado pelo amigo Danilo, do Popa.Com:

"Por que baleias esbarram em barcos? Em um belo domingo na África do Sul, uma jovem baleia de 40 toneladas atingiu um iate à vela de 10 metros que estava no Cabo da Boa Esperança. O animal atingiu o barco quebrando o mastro, e antes de deslizar de volta para o mar deixou pele e gordura no convés do iate.Qual a probabilidade de um ataque de baleia intencional? Provavelmente, ela simplesmente cometeu um erro. Embora haja muitos casos conhecidos de baleias atacando navios, é altamente improvável que esta pretendesse bater no iate.

Baleias jovens são como motoristas adolescentes: mais propensas a julgar errado as coisas e a se acidentar do que os adultos. A maioria da aquisição de cicatrizes nas baleias vem das complicações que acontecem aos jovens.Em todo caso, baleias não são conhecidas por serem agressivas. No máximo, um bebê pode ser curioso.

Por exemplo, em 2001, no Havaí, um bebê de baleia jubarte de 6 metros e 15 toneladas saltou sobre as costas de um barco de observação de baleias, quebrando o joelho de um passageiro.A função de saltar das baleias não é bem compreendida. Estas acrobacias podem ser sinal de agressão ou irritação, mas pode também ser simplesmente um ato de exuberância de uma baleia jovem.

Segundo biólogos, tais comportamentos podem ter significados diferentes de ataques deliberados. Se houve qualquer intenção agressiva, a baleia deve ter tido um bom motivo, como ser assediada pelo barco.

Instituições da África do Sul estão investigando se o barco estava “perturbando” a baleia, por exemplo, se aproximando repetidamente do animal mais do que o limite legal, que é de 300 metros.

Vindo de cetáceos, as expressões de agressividade mais comuns são lançar água ou dar um tapa com a cauda. Talvez o exemplo mais famoso ocorreu em 1820, quando um navio baleeiro de 218 toneladas foi abalroado por uma baleia e afundou. O incidente inspirou Herman Melville a escrever Moby Dick. (***)

E embora tenha sido notícia no início deste ano, uma orca cativa que atacou e matou seu treinador, não é tão comum que baleias ataquem. É inclusive mais raro que afundem um barco, considerando a freqüência com que eles as perturbam em praticamente todos os oceanos. "

(Fontes: HypeScience / Popa.Com)

(***) O fato que inspirou Herman Melville está descrito na excelente obra de Nathaniel Philbrick "No Coração do Mar", quando uma baleia do tipo cachalote atacou e afundou o navio baleeiro Essex em pleno Oceano Pacífico. A resenha do livro e meus comentários já foram postados neste blog. Veja aqui.

domingo, janeiro 11, 2009

Livros/Náutica: Nathaniel Philbrick e a Saga do Essex - O Caso que Inspirou "Moby Dick"


O livro "No Coração do Mar", de Nathaniel Philbrick (Cia. das Letras, 2000, ISBN 8535900705), foi considerado uma das melhores obras do gênero editadas no final de século XX nos Estados Unidos. Nela o autor nos conta a história real na qual um cachalote de 26 metros abalroa e afunda o Essex, um velho navio baleeiro americano em pleno Oceano Pacífico, no ano de 1821. A semelhança com o drama de "Moby Dick", não é mera coincidência, pois foi neste fato, amplamente noticiado pelos meios de comunicação da época, que Hermann Melville inspirou-se para escrever o livro que se tornou um dos maiores clássicos da literatura marítima.

No rastro deste sucesso, Philbrick escreveu "Mar de Glória" (Cia. das Letras, 2005, ISBN 8535906347) que trata da conflituosa primeira expedição exploratória oceânica empreendida pelos Estados Unidos entre 1838-1842 e, por enquanto sem tradução no Brasil, "Mayflower: A Story of Courage, Community, and War" (2008), tratando da saga dos pioneiros na colonização dos EUA.

A partir do caderno de notas de um dos tripulantes do Essex aliado a uma minuciosa pesquisa, Philbrick retraça com detalhes a vida dos homens baleeiros de então: de onde vinham, como construíam seus navios, como escolhiam a tripulação, as características e o comportamento das baleias, a industrialização dos seus produtos derivados e inúmeros outros detalhes que vêm a compor com perfeição a vida marinheira na época.

Todavia, enquanto o ponto final do livro de Melville é o afundamento do navio Pequod pela famosa baleia branca, este fato por si só inacreditável é apenas o início de "No Coração do Mar", cuja linha mestra é a trágica odisséia dos tripulantes do Essex que se seguiu ao ataque do cachalote, os quais restaram três meses confinados em botes à deriva no Pacífico, entre a loucura e a morte e por fim recorrendo ao canibalismo como medida extrema de sobrevivência.

Um livro eletrizante que imortaliza uma das raras ocasiões em que a imaginação humana foi de longe superada pela realidade.