domingo, 11 de janeiro de 2009

Livros/Náutica: Nathaniel Philbrick e a Saga do Essex - O Caso que Inspirou "Moby Dick"


O livro "No Coração do Mar", de Nathaniel Philbrick (Cia. das Letras, 2000, ISBN 8535900705), foi considerado uma das melhores obras do gênero editadas no final de século XX nos Estados Unidos. Nela o autor nos conta a história real na qual um cachalote de 26 metros abalroa e afunda o Essex, um velho navio baleeiro americano em pleno Oceano Pacífico, no ano de 1821. A semelhança com o drama de "Moby Dick", não é mera coincidência, pois foi neste fato, amplamente noticiado pelos meios de comunicação da época, que Hermann Melville inspirou-se para escrever o livro que se tornou um dos maiores clássicos da literatura marítima.

No rastro deste sucesso, Philbrick escreveu "Mar de Glória" (Cia. das Letras, 2005, ISBN 8535906347) que trata da conflituosa primeira expedição exploratória oceânica empreendida pelos Estados Unidos entre 1838-1842 e, por enquanto sem tradução no Brasil, "Mayflower: A Story of Courage, Community, and War" (2008), tratando da saga dos pioneiros na colonização dos EUA.

A partir do caderno de notas de um dos tripulantes do Essex aliado a uma minuciosa pesquisa, Philbrick retraça com detalhes a vida dos homens baleeiros de então: de onde vinham, como construíam seus navios, como escolhiam a tripulação, as características e o comportamento das baleias, a industrialização dos seus produtos derivados e inúmeros outros detalhes que vêm a compor com perfeição a vida marinheira na época.

Todavia, enquanto o ponto final do livro de Melville é o afundamento do navio Pequod pela famosa baleia branca, este fato por si só inacreditável é apenas o início de "No Coração do Mar", cuja linha mestra é a trágica odisséia dos tripulantes do Essex que se seguiu ao ataque do cachalote, os quais restaram três meses confinados em botes à deriva no Pacífico, entre a loucura e a morte e por fim recorrendo ao canibalismo como medida extrema de sobrevivência.

Um livro eletrizante que imortaliza uma das raras ocasiões em que a imaginação humana foi de longe superada pela realidade.

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