sábado, novembro 01, 2008

Livros/Cinema: Into the Wild, na senda de Jon Krakauer

Poster do filme "Na Natureza Selvagem". Fonte: Divulgação

A adaptação para o cinema da obra já cult de Jon Krakauer "Na Natureza Selvagem" (Into the Wild, 1996), editada no Brasil pela Companhia das Letras em 1998 justifica o resgate desta obra publicada no Brasil apenas em 1994 mas que na época não teve a repercussão que merece, agora resgatada pelo sucesso do filme dirigido por Sean Penn e estrelado por Emile Hirsch e com uma belíssima trilha sonora do Eddie "Pearl Jam" Vedder.

Influenciado pelo estilo jornalístico de Truman Capote e envolvendo-se de corpo e alma nos assuntos sobre os quais descreve cada detalhe, Krakauer é também um excelente montanhista e um dos principais editores da prestigiada Outdoor Magazine, repositório de históricas reportagens sobre atividades junto à natureza como Into the Wild e Into the Thin Air do próprio Jon Krakauer e The Perfect Storm de Sebastian Junger, todas transformadas em posteriores best sellers.

Em "Na Natureza Selvagem", Krakauer narra a história do jovem Chris MacCandless que abandonou os bens materiais e a vida confortável em busca de si mesmo e de uma vida pura e ascética junto à natureza. Anos após o seu desaparecimento, MacCandless é encontrado morto no Alaska.


O romance foi idealizado em 1992, quando Krakauer foi enviado para a região pela revista norteamericana Outdoor Magazine para reportar a descoberta do corpo de um jovem aventureiro. O escritor, porém, não imaginava que aquela viagem seria o início de uma obcecada investigação, coroada pelo sucesso editorial publicado, anteriormente, no Brasil pela Companhia das Letras, o best seller "No Ar Rarefeito".

Os excelentes Emile Hirsch e Sean Penn nas gravações da versão para o cinema.
Fonte: Divulgação

Depois da publicação da obra e da exibição da versão cinematográfica dirigida por Sean Penn o ônibus na Stamped Trail, em Healy, Alaska, virou um local de romarias visitado constantemente por fãs da obra de Krakauer.

A fotografia abaixo é a última imagem do verdadeiro Chriss MacCandless e foi revelada a partir do negativo da câmera fotográfia encontrada após a sua morte no ônibus que lhe serviu de derradeiro refúgio.



Bibliografia de Jon Krakauer:

  1. Eiger Dreams: Ventures Among Men and Mountains, 1990, ISBN 0-385-48818-1. No Brasil Sobre Homens e Montanhas, São Paulo: Cia. das Letras, 1999
  2. Into the Wild, 1996, ISBN 0-385-48680-4. No Brasil Na Natureza Selvagem, São Paulo: Cia. das Letras, 1998
  3. Into the Thin Air, 1997, ISBN 0-385-49208-1(expandido a partir do artigo original publicado na Outside Magazine (EUA). No Brasil a última edição é No Ar Rarefeito, São Paulo, Cia. das Letras, 2006
  4. Under the Banner of Heaven: A Story of Violent Faith, 2003, ISBN 0-385-50951. No Brasil Pela Bandeira do Paraíso – Uma História de Fé e Violência, São Paulo: Cia. das Letras, 2003

Confira aqui o trailer da versão para o cinema de Into the Wild.



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sábado, outubro 25, 2008

Fotografia/Náutica: No Mar de Dentro I - A Lagoa dos Patos

A Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul é imensa, tão grande que na maior parte da sua extensão não se consegue ver a margem do outro lado. Possui 265 quilômetros de ponta a ponta e é considerada a maior é também para os gaúchos o seu mar interior e, por tal motivo, também apelidada de “Mar de Dentro”.

As margens da Lagoa dos Patos escondem muitas regiões selvagens com belas supresas para amantes da vida natural. Um dos lugares especialmente ricos para fotografia de natureza é o Porto do Barquinho, na foz de um arroio junto à costa leste da Lagoa, a 12km da cidade de Mostardas.

Gosto muito desta imagem pois me passa uma grande sensação de harmonia e tranquilidade. Foi captada no ínicio da manhã quando o sol começava a dissipar a neblina, anunciando muito calor pela frente. O efeito do contra-luz na névoa e nas teias de aranha formaram um belo fundo para a silhueta do passarinho em primeiro plano.

Foto .raw captada em 300 mm, ISO 100, f/250, f/7,1, abril de 2007.

sábado, outubro 18, 2008

Náutica: O Resgate do HMS Beagle


E já que falei em Darwin, li outro dia que depois de 130 anos de mistério historiadores marítimos ingleses anunciaram a localização em Essex dos despojos do HMS Beagle, o navio com o qual foram realizadas as viagens pelo mundo que o inspiraram a formular a Teoria da Seleção Natural.

Os famosos diários do Beagle, comandado pelo Capitão FitzRoy, constituem uma história tão especial que no futuro merecerá um comentário específico.

Com a ajuda de um radar submarino o navio foi encontrado debaixo de seis metros de lodo nos pântanos do Condado de Essex, ao sul de Londres. Os pesquisadores se valeram de recenseamentos que listavam familiares ainda vivos de tripulantes do Beagle e de velhos mapas para rastrearem o famoso navio.


A ironia é que desconheceu Darwin até o seu falecimento em 1882 na propriedade familiar do Condado de Kent, que seu antigo navio estava repousando tão perto do seu mais ilustre tripulante.

Mas a notícia mais interessante é que está sendo construída uma réplica do Beagle para os festejos dos 200 anos do nascimento de Darwin em 2009. Diferente do seu modelo original, o novo HMS Beagle terá motores auxiliares diesel, radar, GPS, comunicação por satélite e modernos equipamentos de segurança. Vamos aguardar.



PARA SABER MAIS:

Evolution of radar points to HMS Beagle's resting place. Disponível em 18-09-2008 em http://www.guardian.co.uk/science/2004/feb/15/sciencenews.science

The HMS Beagle Project. Disponível em 18-09-2008 em www.thebeagleproject.com/links.html

sexta-feira, outubro 10, 2008

Cone Sul/Uruguai: Pelas Calçadas de Sacramento

Colônia do Sacramento foi fundada pelos Portugueses em 1680 e depois de muitas disputas e negociações está hoje em território uruguaio. O Barrio Viejo foi declarado patrimônio da humanidade pela ONU e abriga históricas pousadas, pubs, restaurantes, lojas de artesanato e um charme incomparável.

Apenas sentar em uma de suas centenárias calçadas, sentir o tempo passar vagarosamente e degustar a calidez de um sol de inverno já mais do que compensa a visita. E se a fome apertar é só pedir uma Norteña de litro acompanhada pelos descomunais milanesas do Uruguai!

Esta imagem da Plaza Mayor foi captada em .raw com uma lente fixa de 20 mm, ISO 50, 1/200, f/9,0 em julho de 2007.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Crônica: Desculpas para Darwin


O Estado de São Paulo publicou no último dia 15 que a Igreja Anglicana da Inglaterra pretende pedir desculpas públicas a Charles Darwin em função das hostilidades praticadas contra este cientista quando da divulgação da sua teoria quanto à origem das espécies. Este ato de contrição faria parte das ações comemorativas dos 200 anos do nascimento de Darwin e dos 150 anos da publicação da "Origem das Espécies" previstas para 2009.

Como entendido por Darwin, a seleção natural não precisa de uma intervenção divina como variável independente, o que tem provocado até os dias de hoje reação de diversos grupos religiosos. Lembra a reportagem do Estadão que em um debate na Universidade Oxford em 1860, o bispo Samuel Wilbeforce perguntou a um apoiador de Darwin, o cientista Thomas Huxley, se ele descenderia de um macaco pelo lado da mãe ou pelo lado do pai...

Por outro lado, a Igreja Católica, mesmo contando com igual pecado em carteira, afirma (hoje) que em verdade as idéias de Darwin não são incompatíveis com o relato bíblico da criação e que, portanto, o pedido de excusas não seria devido ao sábio inglês. Em 1992, o papa João Paulo II declarou que Igreja Católica Romana tinha errado ao condenar Galileu Galilei por afirmar que a Terra gira em torno do Sol. Ainda em 2008 o papa Bento XVI publicou livro afirmando que a Teoria da Evolução não pode ser provada de modo conclusivo e que a forma como a vida se desenvolveu indica uma "razão divina" que não pode ser explicada apenas por métodos científicos. Parece então que Darwin não merecerá dos Católigos a mesma consideração devotada a Galileu Galilei.

Apesar da publicação da "Evolução das Espécies" há um século e meio, o tema continua atual face à adaptação da Teoria Darwinista à vários outros ramos da ciência, a partir da qual muitas teorias de seleção artificial foram propostas sugerindo que os fatores de aptidão econômica e social atribuídos por outros seres humanos, ou por seu ambiente construído, são de certa forma biológicos ou inevitáveis (Darwinismo Social) . Outras sustentam que houve uma evolução das sociedades análoga àquela das espécies. As idéias de Darwin, juntamente com as de Freud, Adam Smith e Marx são consideradas por muitos historiadores como tendo uma profunda influência no pensamento do Século XIX ao desafiar as escolas de pensamento racionalista e o fundamentalismo religioso que então prevaleciam na Europa.

A evolução das espécies ao longo das eras formando linhagens que chegam aos atuais seres vivos constitui o cerne das idéias de Darwin. Antes dele acreditava-se na versão religiosa segundo a qual por volta do ano 4004 a.C., Deus criou o homem, a mulher e os demais seres vivos exatamente como eles são agora. Essa visão pré-darwinista, que só sobrevive dentro dos círculos religiosos e ainda se reveste nos nossos dias uma projeção assustadora.

Nos Estados Unidos, conforme artigo publicado na Revista Veja 54% dos adultos dizem descender de Adão e Eva e, segundo um levantamento recente do Instituto Harris Poll, menos da metade das pessoas crêem na teoria da evolução de Darwin. Informa ainda que muitas escolas americanas, nas aulas de ciências, decidiram substituir os ensinamentos de Darwin por uma variante do criacionismo batizada de "design inteligente". Segundo essa teoria, há elementos na natureza, como o olho humano, que têm uma estrutura tão engenhosa que só podem ter sido criados por um projetista, ou seja, um ser superior.

Passada a I Guerra Mundial um forte movimento comandado por fundamentalistas religiosos conseguiu que fosse adotada a proibição do ensino do Darwinismo nas escolas em vários estados do sul dos Estados Unidos. Nessa época, o caso de John Scopes, um professor do Tennessee foi condenado por ter ensinado a Teoria da Evolução e inspirou o filme O Vento será tua Herança, dirigido por Stanley Kramer). Embora o advogado de Scopes, Clarence Darrow, tenha feito uma defesa brilhante do Darwinismo, mostrando as contradições e incoerências de uma leitura literal da Bíblia, a Corte Estadual entendeu que a proibição não violava a Constituição Federal. Veja-se que somente nos 60, a lei do de Tennesse foi julgada inconstitucional pela Suprema Corte daquele país.

Mas talvez certo mesmo esteja o tataraneto de Charles Darwin, Andrew Darwin, que em declaração ao jornal Daily Mail afirmou que não há motivos para tanta preocupação pois "Quando as desculpas chegam 200 anos depois, é menos para corrigir um erro e mais para fazer com que a pessoa ou organização que pede as desculpas se sinta melhor".

O assunto é tão interessante que por certo voltaremos a ele neste blog. E para complementar, veja abaixo umas das principais cenas de "O Vento Será sua Herança" (em inglês):

PARA SABER MAIS:

Papa questiona teoria da evolução de Charles Darwin http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL20435-5602,00.html, disponível na internet em 20.01.2010
A Revolução Sem Fim de Darwin. Veja.com, disponível na internet em 17.09.2008(http://veja.abril.com.br/090507/p_112.shtml)
Igreja Anglicana deve desculpas a Darwin, diz clérigo. Estadao.com.br (http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid242077,0.htm)
O Vento Será tua Herança ("Inherit the Wind", EUA, 1960). Filme estrelado por Spencer Tracy e dirigido por Stanley Kramer (http://www.cineplayers.com/filme.php?id=3460)