quinta-feira, abril 21, 2011

Balonismo: Festival Internacional de Torres bate recorde de equipes inscritas


Na última quarta-feira foi dada a largada para o 23º Festival Internacional de Balonismo na praia gaúcha de Torres, evento classificado entre os mais relevantes do mundo pois está entre os únicos três festivais já realizado por 15 anos consecutivos.

Neste ano foram 44 equipes inscritas com representantes brasileiros e de países como a Suíça, Estados Unidos, Argentina, França e Austrália. Dentre os inscritos estão o campeão de 2010, Carlos Augusto Marques, Gérard Moss e o hexacampeão Sacha Haim, maior vencedor nos 23 anos do festival. O publico esperado nesta edição é de pelo menos 150 mil pessoas.

Na competição estão agendadas sempre duas provas por dia, as 7h00 e às 16h00.

Apesar da previsão do tempo ser de muita chuva para os três primeiros dias do festival, o que motivou o cancelamento já da primeira prova da quinta-feira em função de forte temporal, antes do meio-dia o sol abriu dando espaço a um magnífico dia, permitindo não só o vôo dos balões na prova da tarde, a "caça a raposa", mas também que o público curtisse as areias e o mar da praia de Torres.  
 

 
Este tradicionalíssimo evento é organizado pela Prefeitura Municipal de Torres com responsabilidade técnica da empresa Air Show, com a seguinte programação:

Quarta 20 de Abril

15h - Abertura dos estandes (Parque)
16h30 - Prova Abertura (Prova Normélio Gregório)

Quinta 21 de Abril

7h – Prova
16h – Prova
Sexta 22 de abril

7h – Prova Roni Pinho Lopes
16h - Prova da chave (opção 1)
20h - Carreata com Night Glow no Parque - Balões números pares

Sábado 23 de Abril

7h – Prova
16h – Prova
20h - Carreata com Night Glow no Parque - Balões números impares

Domingo 24 de Abril

7h - Última Prova - Prova da chave (opção 2)
13h - Premiação/Almoço de encerramento
16h - Voo Fiesta com premiação especial

Lista de pilotos confirmados:

Carlos Augusto Marques – São Paulo - SP
Sacha Haim – São Paulo - SP
Fernando Hennig – Porto Alegre - RS
Giovani Pompermaier – Torres - RS
Ricardo Zavarello - Rio Claro - SP
Luiz Eduardo Consíglio -São Paulo - SP
Jorge Tzitzis Queluz – São Paulo - SP
Luís Henrique Silvestre - São Paulo - SP
Ademir Brolacci – Campinas - SP
Valdemir Taveira – São Paulo – SP
Mauro Chemin – Curitiba - PR
Ulrich Krahenbuhi – USA
Peter Blaser – Suíça
Shawn Mackinga - Suíça
Peter Vizzard - Austrália
Javier Barozza - Argentina
Norberto Barozza - Argentina
Adrian Barozza - Argentina
Carlos Niebuhr - Argentina
Olivier Roux Devillas - França
Jean Marc Guérin- França
Gérard Moss – Brasília - DF
Salvator Haim/Cacá - São Paulo - SP
Fábio Salvador Pereira (Visão) São Paulo - SP
Jairo Fogaça - São Paulo - SP
Alexandre Giglio - Rio de Janeiro - RJ
Fábio Passos - São Paulo - SP
Davi Iannibelli - São Paulo - SP
Edeson Luis Buch - Curitiba - PR
André Ibanhês - Florianópolis - SC
Rubens Kalousdian - São Paulo- SP
Markus Kalousdian - São Paulo - SP
Antônio Correia Lorenço - Rio de Janeiro - RJ
Renato M. Gonçalves (Alemão) - Rio de Janeiro - RJ
Leandro Chemin - Curitiba- PR
Mário Pierre – Rio de Janeiro - RJ
Cristian Herfert - Argentina
Ricardo Alvarez - Argentina
Antonio Carlos Hays Marques- (Caco) São Paulo - SP
Daniel Chiquieri - Rio de Janeiro - RJ
Antônio Pereira Filho - São Paulo SP
Clóvis Kerber Junior - Canoas - RS
Cid Ferraz - Piracicaba - SP
Bruno Schwartz- Rio de Janeiro- RJ

quarta-feira, abril 20, 2011

23º Festival Internacional de Balonismo de Torres/RS

Festival Internacional de Balonismo em Torres/RS, 2009. Foto: João Paulo Lucena

Depois da festa do surf no mês passado agora estou retornando a Torres/RS para a 23ª edição do Festival Internacional de Balonismo, que neste ano já conta com a surpreendente marca de 44 competidores inscritos.

O festival que foi criado em 1989 e desde 2000 ganhou o status internacional será realizado de 20 a 24 de abril aproveitando a cumulação dos feriados de Tiradentes e Páscoa e, como já é tradição, deverá cobrir de cores os céus da mais bela praia gaúcha.

Em função do regime de ventos e correntes térmicas as provas serão realizadas diariamente sempre às 7h00 e às 16h00, com os balões concentrados no Parque do Balonismo.

Em duas noites serão realizadas exibições de Night Glow, quando balões cativos (ancorados no solo) realizarão exibições conjuntas de iluminamento interno por meio dos seus maçaricos, o que é sempre uma das grandes atrações de público nos festivais de Torres.

Os balões poderão ser avistados no céu a partir da maior parte da praia, o ingresso no Parque do Balonismo é gratuito e paralelamente ao evento serão apresentados dezenas shows, feiras, apresentações de jipes e motocross, além de inúmeras outras atrações.

Confiram aqui no blog notícias e imagens exclusivas do festival!

Informações sobre o evento: 23º Festival Internacional de Balonismo de Torres

segunda-feira, abril 11, 2011

Surfe: Três gerações celebram sua história no Festival Madeirite Trópico


No final de semana de 26 e 27 de março estive na Praia da Guarita, em Torres/RS, participando da cobertura do Festival Madeirite que homenageou representantes do surfe gaúcho das décadas de 60, 70 e 80.

Para quem não sabe o madeirite nada mais é do que o compensado naval, utilizado na fabricação das primeiras pranchas de surfe que chegaram ao país.

Longe de ser uma competição, o encontro organizado pela Trópico juntou três gerações de surfistas em um point considerados como um dos berços deste esporte no sul do país.

Surf na Praia da Guarita, Torres/RS, 1977.
Foto: Acervo Histórico Caldas Jr.
Para o encontro acorreram surfistas de todas as idades, hoje profissionais das mais diversas áreas, nomes conhecidos do empresariado como Jorge e André Johannpeter e Dado Bier, avôs, filhos, sobrinhos e netos levando juntos suas pranchas para o mar.




De pai para filho seguindo a tradição do surfe: Cristiano e Roberto Bins!


O tempo ruim no sábado não prejudicou aqueles que iam para a água e muito menos o entusiasmado público presente, composto também por amigos e familiares dos surfistas que de corpo e alma se esforçaram muito para que o festival fosse um grande reencontro de companheiros.

O mar cinza, a névoa e a garoa fizeram do primeiro dia uma amostra típica das condições do surfe no litoral do Rio Grande do Sul, não dando trégua para os fotógrafos e câmeras que cobriam a festa.


Para o encontro a Trópico mandou confeccionar réplicas de pranchas utilizadas nas décadas de 60, 70 e 80 de forma que os surfistas pioneiros e atuais se sentissem bem à vontade com os seus equipamentos preferidos.

Alguns desafios como colocar os últimos campeões para surfar com as grandes e pesadas pranchas de madeirite dos anos 60 e baterias de pais com filhos deram um toque bastante divertida a esta grande festa na orla de Torres que a partir de agora deverá se repetir anualmente.




O sábado foi com chuva mas não desanimou a galera...




 



E no domingo o sol abriu por instantes mas a chuva parou de vez!





 
 
Os surfistas dos anos 60, 70 e 80 com a família e amigos reuniram-se para uma foto histórica em frente à torre do meio na Praia da Guarita, em Torres.


E a turma presente homenageou no mais autêntico e tradicional estilo os pioneiros do surfe no Rio Grande do Sul, assim como no 1º Campeonato Gaúcho em1968...

Foto: Acervo Histórico Caldas Jr.
E no Madeirite Tropico em 2011...





A equipe do Programa Adrenalina esteve lá para cobrir a festa, com Ana Karina Belegantt e Leo Sassen...



As gerações dos anos 60 e 70 foram a grande atração do Festival Madeirite...



Na foto abaixo Marco Antonio Silva, Jorge Gerdau Johannpeter e Roberto Bins com seus madeirites em 1967...

Foto: Acervo Histórico Caldas Jr.
Em 2011 Marco Antonio não perdeu a forma...


Roberto Bins ainda é o menino da direita...

 

E Jorge Gerdau não trouxe a sua prancha mas prestigiou a toda a festa com amigos, filhos, netos e sobrinhos, deixando um belo depoimento para o Programa Adrenalina....


A velha guarda não se rendeu para as águas frias do litoral gaúcho, recebendo nos efusivos aplausos do público a grande homenagem para aqueles que introduziram o surfe no sul do país!

 


E para dar um toque no cenário, não poderia faltar uma autêntica Kombi surfista...


O festival Madeirite Tropico homenageou especilamente alguns personagens relevantes do surfe gaúcho com o Troféu Pioneiros, o qual foi entregue aos seguintes escolhidos nesta primeira edição:


Patrono: Mario Pettini
Pioneiros: Jorge Gerdau Johannpeter, Klaus Johannpeter e Frederico Johannpeter
Registro Histórico: Eduardo Kuhn e Manoel Tostes
Serviços prestados ao esporte e a comunidade: Zeca Scheffer (em memória)
Empreendedor pioneiro: Marco Aurélio Raymundo, o Morongo (Mormaii)
Competidor pioneiro: Paulo Sefton
Equipamento (prancha): Speedline
Mídia especializada: Quiver

E até o Madeirite 2012!!

IMAGENS: Para a captação das imagens foi utilizada uma câmera Canon EOS-1D e conjunto de lentes de 17 a 400 mm. Direitos reservados. Proibida reprodução desautorizada.


POSTAGENS RELACIONADAS AQUI NO TERRA AUSTRALIS:

sábado, abril 09, 2011

Fotografia: A remuneração do fotógrafo, um texto de Rodrigo Baleia

Rodrigo Baleia, fotojornalista.

RODRIGO BALEIA é fotojornalista ambiental há mais de dez anos. Gaúcho, estabeleceu sua base em Manaus, trabalha regularmente para o grupo Greenpeace e colabora com a National Geographic Brasil desde 2001. Tem seus projetos pessoais distribuídos por agências como a Gettyimages, ZumaPress e Folha Press e mantém um blog muito legal AQUI.

Dia destes li um texto seu que aborda um assunto permanente nas rodas de fotógrafos profissionais e amadores: a tremenda resistência dos órgãos de mídia para remunerar o trabalho dos fotógrafos.

Por várias vezes já ouvi frases do tipo...

"desculpe, mas só trabalhamos com colaborações e não temos condições de remunerar os fotógrafos mas vamos colocar o seu crédito...".

Ora, colocar o crédito do fotógrafo não é favor nenhum, mas sim obrigação de qualquer publicação e decorre dos termos da lei federal nº 9.610/98 que regula os direitos autorais no Brasil.

Por outro lado, ao que me consta, revistas e jornais são vendidos em bancas e seus editores visam também o lucro, não se confundindo de forma alguma com publicações filantrópicas.

Então, cá entre nós, vamos ser coerentes! Se as fotografias devem ser entregues de graça pelos seus autores, também quero revistas e jornais se pagar, por favor!

E será que os textos publicados também não são remunerados??

Bom, o Rodrigo Baleia dissertou magistralmente sobre o tema e, claro, com a autorização expressa do autor, reproduzo abaixo as suas palavras.

Afinal, na mesma esteira, luz faz fotografia mas não enche barriga...


____________



"Aviso: fotógrafo também cobra por seus trabalhos - Texto de Rodrigo Baleia
No mesmo dia em que fotografei a seca do rio Manaquiri iniciei a distribuição as imagens por meio da agência Getty Images com o título de "Drought Affects Amazon Basin".
Não demorou para que meu celular começasse a tocar sem interrupção por cerca de quatro dias. Jornais, revistas e sites querendo imagens sobre o assunto e, por incrível que pareça, todos os telefonemas tiveram dois pontos em comum: o primeiro foi o interesse pelo assunto da seca na Amazônia e segundo era que todos esperavam que eu doasse o meu trabalho.
Quando no terceiro telefonema eu ouvi a pergunta clichê: "Ah! mas você cobra?", vi que era o momento de iniciar a minha série irônica do tipo: "o departamento comercial de vocês doa anúncio?" ou "Não! Vivo de doações para posteriormente doar ao caixa do supermercado" ou então "Não! Eu não cobro, é uma taxa que Papai Noel cobra toda vez que ele repõe meu equipamento". Tem outras, mas essas eu guardo para o meu guia de respostas para quem acha que fotógrafo vive de luz. Acho que vou chamar esse guia de "Quem depende de luz é a fotografia, o fotógrafo depende do que cobra". Bom, como o guia é apenas uma brincadeira eu não pretendo escrever mais que algumas linhas, onde quero fazer um alerta aos interessados em fazer do hobby uma futura profissão (falo por experiência própria).
Acredito que a "cultura" de não pagar por serviço de fotografia se estabeleceu em algumas redações quando por muitos anos os fotógrafos brasileiros tiveram que barganhar espaço para ter o seu trabalho publicado e posteriormente criar um portfólio. Meu início não foi diferente, e fui vitima desta armadilha. Lembro de levantar as mãos para o céu por receber R$ 26,00 por foto publicada no maior jornal do Rio Grande do Sul. Hoje a cultura do "não pagar" parece estar crescendo, pois os editores estão tirando proveito da popularização da fotografia.
Os fotógrafos que hoje buscam se lançar ao mercado devem cuidar para não cair na tentação de terem seu material publicado sem que sejam pagos, é importante não cair no velho truque do: "Nós citaremos os seus créditos na foto". Chega a ser engraçado porque os editores costumam dizer isso como se a citação do nome do autor fosse o melhor pagamento para o fotógrafo. Tal citação nada mais é do que um direito previsto por Lei.
O profissional tem que estar atento às ferramentas que hoje ele dispõe. A internet pode divulgar o trabalho de um fotógrafo com êxito muito maior do prometem alguns editores espertinhos. Hoje o fotógrafo coloca o seu portfólio eletrônico em um Picture Desk do outro lado do mundo com um simples clique no ícone "enviar". Sem falar em alguns sites que possibilitam criar redes onde os editores podem procurar pelos fotógrafos.
Um exemplo é o perfil que tenho no www.lightstalkers.org/rodrigo_baleia, uma rede bem difundida entre muitos profissionais. Ali editores buscam por palavras chaves que podem levar aos portfólios dos fotógrafos. Nesta rede vários editores me encontram, inclusive os editores da revista francesa Le'Express.
Mostrar o trabalho é necessário, mas muito mais importante é mostrar o profissional que está entrando no mercado e que sua profissão não vai ser paga por favores ou promessas.
Em um post futuro pretendo comentar os resultados que estou tendo com algumas agências me representando."

segunda-feira, abril 04, 2011

Montanhismo: Kika Bradford divulga nova manifestação sobre o acidente no Fitz Roy

Bernardo Collares e Kika Bradford. Fonte: ClicRBS

Em função os últimos acontecimentos no caso do acidente fatal havido em El Chaltén em janeiro deste ano, Kika Bradford, parceira do montanhista brasileiro Bernardo Collares na escalada ao Cerro Fitz Roy divulgou manifestação pública na sua página no Facebook expondo com detalhes a sua versão do aconteceu na montanha.

Confira o texto integral do seu depoimento divulgado no último dia 03/04/2010:


"AOS MEUS AMIGOS E PESSOAS DE BOA FÉ.


Ainda sob abalo emocional do acidente com o Bernardo, tenho acompanhado as dores da família Collares através do facebook e a sua luta por explicações e possibilidades de resgate do corpo que possam trazer alguma paz e conforto, dentro do possível, para todos.


Tenho também acompanhado as manifestações feitas no facebook do Bernardo por diversas pessoas alheias à família. Vejo com pesar, que, principalmente a partir do "7º Capítulo - PRIMEIROS MOVIMENTOS E A “OPERAÇÃO ABAFA” -Versão da família", postado no dia 21/03, tem havido um elevado número de mensagens, de algumas poucas pessoas, com afirmações que denotam desequilíbrio emocional e irracionalidade que agridem e ofendem gravemente, me atingindo naquilo que mais prezo como pessoa, a minha honra e os meus valores morais.


Momentos de alto estresse muitas vezes levam a atitudes impensadas, mas aqueles calcados em base sólida de caráter sabem respeitar limites e evitar deduções levianas e falsas que possam comprometer os valores morais e honra alheios.


Pela gravidade das opiniões emitidas, que mais parecem fruto de movimento articulado para me desestabilizar em prol da defesa da tese de que houve omissão de resgate, a qual não compartilho, achei necessário fazer uso do meu facebook para os esclarecimentos necessários e evitar a que ‘uma mentira contada muitas vezes se torne uma realidade’


Sobre a dúvida levantada a respeito da veracidade do meu relato, opto por ignorá-la pela insignificância das pessoas que levantam essa premissa e por se tratar de uma questão de credibilidade pessoal, a qual jamais foi questionada por alguém de boa fé, que realmente conhece a situação ou me conhece.


Aos questionamentos, acusações e/ou alegações de falta de solidariedade por abandono do Bernardo (sim, abandono, pois não encontro outra palavra para descrever suposições de que o Bernardo teve simplesmente um dedo da mão quebrado), de que eu relatei não ter examinado o Bernardo, falta de empenho em prol do resgate e contra o parecer da Comissão de Auxilio em El Chalten, falta de atenção à família Collares no devido tempo e falta de desmentido de diagnóstico publicado em algumas mídias, entre outras falsas premissas, eu respondo com os esclarecimentos e detalhamento abaixo.


Em nenhum momento, em nenhuma colocação minha, relatei APENAS um dedo quebrado. Em todos os relatos, chamei MUITA atenção para o fato principal: a dor incapacitante que o Berna sentia na região do quadril / coluna lombar, cóccix.


Em nenhum momento afirmei não ter realizado uma avaliação do estado do Bernardo. Durante as 4 horas que estive com ele, pude averiguar diversos sinais e sintomas, e todos foram relatados para a Dra. Carolina, família e, posteriormente, aos montanhistas no CEB.


O que relatei foi não ter concluído um exame físico minucioso no Bernardo por diversos motivos:


Num acidente com possibilidade de lesão na coluna vertebral, não se deve mover muito a pessoa. O trauma que Bernardo sofreu indicava uma grande possibilidade de lesão na espinha, ainda mais com a presença de fortes dores na região do quadril, lombar e cóccix.


Qualquer movimento mínimo do quadril para baixo, mesmo um toque quase imperceptível na região do quadril, causava uma dor absurda em Bernardo. Qualquer movimento acima do quadril era também sentido com muita dor, embora não tão grande quanto a inferior.


A temperatura baixa e condições climáticas adversas dificultava a movimentação, uma vez que qualquer peça de roupa removida para que eu chegasse a nível da pele deveria ser colocada de volta no mesmo lugar para prevenir a perda de calor.


Evidência de que a região da bacia e lombar também havia sido afetada com gravidade devido à sua dor e incapacidade de mover-se, e que provavelmente outras partes poderiam ter sido afetadas. Imaginei que qualquer que fosse o resultado de uma avaliação completa naquela situação não alteraria a condição paralisante do Berna e a gravidade da situação.


Partiu do próprio Bernardo a verbalização do que foi a melhor e única opção de ajuda para ele: que eu descesse sozinha para buscar ajuda e que necessitava que isso ocorresse naquele dia, com um helicóptero. Interpretei essa sua manifestação como uma confirmação da precariedade do seu estado físico e da urgência na adoção da única alternativa que representasse qualquer fio de esperança: a minha descida solo em busca de resgate.


O que segue também foi relatado para a Dra. Carolina, família e, posteriormente, mídia e montanhistas no CEB (aqui me restrinjo a descrever os sinais e sintomas que observei em Bernado, sem detalhar o acidente em si ou procedimentos técnicos):


Bernardo perdeu a consciência quando seu corpo bateu contra a pedra. Ficou desacordado por 1 a 2 minutos (tempo aproximado), completamente pendurado na corda.


Ao voltar a si, Bernardo se encontrou extremamente desorientado por mais de 40 minutos (tempo aproximado), a ponto de não saber onde se encontrava. Sabia seu nome e sabia quem eu era, e em um momento me disse que não tinha ideia da onde estava, e quando perguntei, me disse que não sabia nem que estava no Fitz Roy. Nesse período, fez diversas perguntas repetitivas: o que aconteceu? e me repetia a mesma coisa: acho que quebrei meu dedo.


Para realização de um procedimento técnico, enquanto ainda pendurado na corda, Bernardo conseguiu, com muito sacrifício e dor intensa, colocar seu peso em uma das pernas com o suporte da corda (que sustentava parte de seu peso).


Bernardo tinha muita dificuldade de olhar para baixo mexendo apenas o pescoço.


Quando eu consegui transferi-lo para o platô, Bernardo conseguiu se arrastar com os braços mais ou menos 0,40 cm. Não conseguiu ficar em pé, nem sentado, deitando-se imediatamente.


Bernardo deitou no chão e quando eu levei o isolante térmico dele, ele levantou o tronco, com muita dor, e eu coloquei o isolante embaixo dele. Imediatamente depois, Bernardo me diz: daqui eu não saio.


A partir desse momento, Bernardo não se moveu mais sozinho. Qualquer movimentação na região das pernas, eu deveria fazer para ele. Toda movimentação causava uma dor monumental, traduzidas em gritos e palavrões. Cabe ressaltar que estou falando de movimentos de menos de 10 cm, apenas para ajeitar o pé para um lado ou outro; ou colocar a mochila abaixo de seus pés para deixá-lo mais confortável e isolado do chão. (OBS - A mochila ficou nesse lugar: embaixo de suas pernas, sem estar totalmente fechada. Dentro dela, havia apenas algum lixo, e acho que um par de meias e não levamos papel e lápis. Ela estava praticamente vazia, uma vez que todo equipamento de bivaque – dormir – e escalada estavam sendo usados e Bernardo usava toda sua roupa).


Bernardo, nesse momento, conseguiu tomar água sozinho, segurando a própria garrafa e mexendo os braços. Não conseguiu comer.


Bernardo tremia incontrolavelmente nesse primeiro momento em que o deixei deitado.


Mais ou menos uma hora e meia depois disso….


10. Bernardo sabia onde estava e o que havia acontecido. Perguntou se eu havia conseguido buscar a corda, demonstrando mais lucidez.


11. Bernardo seguia incapacitado de mover suas pernas, nem que fossem centímetros. A dor estava mais forte. Pediu que mudasse a posição do seu pé (centímetros), o que ocasionou uma dor muito intensa.


12. Ao ajeitar algo a seu lado, encostei levemente, sem querer, na região da sua bacia, o que provocou uma dor excruciante


13. Bernardo me disse que não conseguia pegar a água que estava ao alcance de sua mão, ao lado de sua cabeça e que era para eu deixá-la dentro de seu saco de dormir.


14. Movi minimamente sua cabeça para colocar uma balaclava e nenhum ferimento me chamou a atenção nessa região. Esse movimento causou desconforto, mas não dor. Coloquei suas sapatilhas debaixo de sua cabeça para maior conforto (Bernardo estava calçado com as botas).


15. A dor não deixou que eu colocasse um segundo isolante térmico embaixo de Bernardo completamente. Coloquei-o o máximo que consegui embaixo de parte de seu tronco.


16. Bernardo me disse que não podia se mexer e que dali só sairia de helicóptero. Para quem não conhecia o Bernardo, isso pode significar quase nada. Quem o conhecia sabe da imensa força física, mental e espiritual que ele tinha. Bernardo não iria dizer isso se não fosse algo grave.


Levantar a suposição de que um dedo quebrado tenha sido o causador da trágica conseqüência é menosprezar esses atributos acima descritos.


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O acidente ocorreu dia 03/01 pela manhã, cerca de 9:30/10hs e comecei minha descida às 14hs. No mesmo dia 03, contrariando a previsão do tempo, o Fitz Roy ficou o dia inteiro por baixo das nuvens e começou a nevar no final do dia. No dia 04, o tempo piorou: nevou e ventou o dia inteiro. Dentro dessa conjuntura, Juan avisou a comissão de auxílio que ia subir para as montanhas com Luis e averiguar o que havia ocorrido, já movimentando um resgate. Ao avistarem uma pessoa vindo no glaciar, passaram um rádio para Chalten para avisar que havia apenas uma pessoa (ainda não sabiam quem era). Assim que conseguiram avisar a Chalten, desceram e me encontraram por volta das 5:30 da tarde.


Imediatamente após o meu resgate e obtenção de informações básicas, Luís passou um rádio para Chalten. Quando chegamos a Piedra del Fraile, um abrigo de montanha (mais ou menos 4 horas de caminhada do local onde eles me encontraram), nos encontramos com Marcela, da Comissão de Auxílio / Resgate de Chalten. Ela estava ali para falar diretamente comigo, sem intermediários, e obter as informações necessárias para o possível resgate do Bernardo. Eram, mais ou menos, 10 da noite.


Minha exaustão física e mental não me deixou continuar até Chalten nesse dia. Dormi em Piedra Del Fraile, onde não tem telefone, televisão, internet, etc, e que se encontra a 2 horas de caminhada da estrada + 40 minutos em carro de Chalten. Cheguei em Chalten às 11 da manhã do dia 05/01 e fui direto conversar com a Dra. Carolina. Foi quando recebi a informação de que o resgate era impossível.


A Comissão de Auxílio, coordenada pela Dra. Carolina, havia chegado a essa dolorosa conclusão por diversos fatores (conforme me foi informado por ela e por pessoas que participaram do processo de decisão), entre os quais: os sinais e sintomas de Bernardo, a localização do local na montanha (400 metros do cume e 1500 metros da base), as características da via Afanassief (muitas horizontais, muitas pedras soltas), a impossibilidade de, na melhor das hipóteses, uma equipe de resgatistas chegar ao local em que o Bernardo se encontrava antes da tarde do dia 06 ou manhã do dia 07, ou seja, 4 dias depois do ocorrido, a previsão de piora no clima para o dia 07/01, fatores esses que colocariam toda a equipe de resgate em alto perigo de vida. Sobre a alternativa de resgate aéreo, não havia disponibilidade de um helicóptero com equipamento específico, nem a presença de piloto e equipe experiente em resgate em paredes da proporção do Fitz Roy e com experiência em voos na Patagônia, com seus ventos...


Meu mundo desabou... foram dois dias lutando para buscar o resgate e esse não seria possível. Foi a notícia mais difícil que recebi na minha vida.


Dali, fomos falar com outros escaladores, entre eles o Sérgio Tartari, que me explicaram ainda mais o processo de decisão e o porque daquela decisão. Nessa hora, Sérgio me disse que, como ninguém tinha o telefone de nenhum parente do Bernardo, havia ligado para Cris Jorge para que ela avisasse a família e que a família assim já havia sido comunicada naquele mesmo dia 5, pela manhã, antes da minha chegada à Chalten.


No dia 06/01, apesar dos 10 dedos da mão em estado de congelamento, enviei um email para Leandro e Kátia (irmãos do Bernardo) explicando da minha dificuldade de digitar, passei meu telefone em El Chalten e me pus à disposição da família. Ambos me responderam que não haviam ligado por saber que eu estava “traumatizada de corpo e mente” (email da Katia). Leandro me agradeceu por fazer o que Bernardo me havia pedido e Katia me disse para ficar tranquila que havia um movimento para gerenciar o conteúdo na mídia. Nesse mesmo dia, falei com o André Ilha e relatei o acontecido, seguindo a linha acima descrita.


No dia 07/01, Érica (irmã do Bernardo) e Sblen (que foi a Chalten a pedido da família do Bernardo) chegaram a Chalten. Hugo, filho de Erica e sobrinho do Berna, chegou mais tarde. Durante toda a estadia dos Collares em Chalten, prestei assistência e apoio, junto com Juan, Mita, Sblen e Xande (meu irmão), não medindo esforços para ajudá-los no que necessitavam: encontros, reservas, comidas, hospedagem, etc.


Durante esse tempo em Chalten não me senti em condições emocionais de dar declarações e/ou entrevistas à mídia. Em nenhum momento, porem, essa minha atitude foi para com a família Collares. Pelo contrário, eles sempre tiveram todos meus contatos desde o primeiro momento: telefone, email e facebook.


Cheguei ao Rio de Janeiro, no dia 13/01, à 1:30AM, já com reunião agendada com toda a família do Bernardo, para aquele mesmo dia, na hora e local que eles escolheram. Durante 04 horas forneci todas as informações e me coloquei á disposição para novos esclarecimentos (por email, telefone ou novo encontro), inclusive para aqueles que não puderam estar presentes.


No dia 16/01, saiu uma entrevista no O Globo, com detalhes sobre o acidente e também uma matéria curta no Estadão. Ainda, num pedido da Go Outside, fiz um relato da minha experiência, em como eu vivi tudo (edição de março). Não tive o objetivo de descrever com detalhes o acidente, seguindo a linha editorial que me havia sido requisitada.


Fiz questão de falar também com os montanhistas sem restringir “aos amigos”. Marquei uma “palestra” no Clube Excursionista Brasileiro (CEB), no dia 18/01, que foi divulgada nas listas dos clubes de montanhismo, na lista da FEMERJ e para a família. Aqueles que participaram puderam ter uma visão mais realista do acontecido, uma vez que não se restringiram a informações oriundas de redes de noticias. Imagino que foram mais de 200 pessoas espremidas para escutar meu relato. Berna era querido.


Entre o dia do relato para a família e hoje, a família Collares me contatou 3 vezes, fora o nosso encontro no dia da homenagem ao Bernardo, na Urca. A primeira através de telefonema do Hugo, quando ofereci todas explicações que podia. A segunda foi pela Erica, via email do facebook, solicitando um encontro com urgência, que, a pedido, concordei em ser no dia 09/02, Quarta-feira de cinzas, mesmo em sacrifício do feriado e de compromisso já assumido, mas que foi por ela desmarcado em cima da hora sem justificativa plausível.


Posteriormente, nos dia 12 e 13/03, troquei emails com o Rodrigo a respeito de informações por ele solicitadas sobre a foto do platô onde Bernardo deveria estar e que foram prontamente respondidas.


Não me preocupei em desmentir qualquer publicação de diagnóstico de fratura de bacia, hemorragia interna, etc, a qualquer tempo, por achar que tal afirmativa em nada alteraria o relato da gravidade da ocorrência, inclusive a total incapacidade de locomoção do Bernardo, e que em nada contribuiria para amenizar a dor da família Collares e de todos os amigos.


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Reitero que minha indignação diz respeito a alguns poucos que tem sido responsáveis por muitas mensagens agressivas e ofensivas postadas no facebook do Bernardo. Foi confortante receber da família Collares mensagens no meu email pessoal contendo manifestações como:


“Estamos revoltados com a forma como tudo foi conduzido, mas você participou apenas da parte em que não se poderia fazer mais nada. Você fez o que estava ao seu alcance e nós temos plena consciência disto”.


“O que eu posso afirmar para você é que não existe nenhuma divergência com relação a você na família. Alias é um dos poucos pontos onde existe consenso. Você fez o que tinha que ser feito.”


Finalmente, não pretendo me pronunciar mais de forma aberta para responder a questionamentos injustos, incabíveis e/ou ofensivos, permanecendo à disposição da família Collares para ajudar, sempre que possível.


Kika Bradford"
No dia 04 de fevereiro a ESPN transmitiu um belo programa em homenagem ao Berna. Veja a íntegra no blog do Eliseu Frechou AQUI.


CONFIRA A COBERTURA COMPLETA FEITA PELO TERRA AUSTRALIS:

- 05/01/2011 - Argentina: Montanhismo brasileiro perde Bernardo Collares no Fitz Roy

- 06/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Bernardo Collares, onde está o resgate? Falecimento do montanhista ainda não foi confirmado

- 07/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Comunicado da FEMERJ sobre o acidente no Fitz Roy

- 07/01/2011- Argentina/Montanhismo: Condições de risco não permitem resgate no Fitz Roy

- 08/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Resgate aguarda melhora do clima para busca de Bernardo

- 09/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Autoridades poderão deixar andinista brasileiro na montanha

- 10/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Fim da polêmica, família decide e Bernardo ficará no Fitz Roy

- 11/01/2011 - Montanhismo: Escaladores convocam homenagem a Bernardo Collares no próximo dia 15 no Rio de Janeiro

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