quarta-feira, 30 de março de 2011

Argentina/Montanhismo: Corpo de montanhista brasileiro desapareceu do local do acidente no Fitz Roy

Bernardo e o local onde foi deixado supostamente à morte no Fitz Roy.
Fonte: Eliseu Frechou/ESPN/Estadão

O corpo do montanhista brasileiro Bernardo Collares desapareceu do lugar onde supostamente teria falecido no Monte Fitz Roy, na Argentina, conforme noticiou nesta madrugada o escalador Eliseu Frechou, a partir de uma carta da mãe de Berna - Heliane Collares, postada no Facebook.

Será que de fato ele estava à beira da morte quando autoridades e resgatistas argentinos qualificaram como inútil a sua busca?

Bernardo teria tentado salvar-se sozinho depois de inutilmente esperar pelo socorro?

Mantenho este blog desde 1997 e em 4 anos a minha postagem mais acessada até hoje foi justamente aquela de 06/01/2011 na qual questionei - como tantos outros - a ausência de sequer uma tentativa de resgate de Collares em seguida ao seu acidente.

Argentina/Montanhismo: Bernardo Collares, onde está o resgate? Falecimento do montanhista ainda não foi confirmado.

A mesma indação já havia feito no mesmíssimo dia em que a notícia circulou dentre os montanhistas ao inserir o primeiro post sobre o acidente aqui no Terra Australis, lembrando de casos referenciais de auto-resgate em situações extremas como Beck Weathers no Everest e Joe Simpson nos Andes, desejando que o mesmo pudesse acontecer ao escalador brasileiro.

Argentina: Montanhismo brasileiro perde Bernardo Collares no Fitz Roy

A manifestação da família de Bernardo diz tudo e nos faz imaginar um final ainda mais dramático para esta triste história. Agora é aguardar a reabertura do processo de investigação que está sendo solicitado aos meios diplomáticos do Itamaraty.

Confiram abaixo o a carta de Heliane Collares noticiada por Eliseu Frechou no Estadão Online/ESPN (confira a matéria AQUI):
"Após todo o sofrimento pelas tentativas frustradas de salvar o Bernardo, após tantos "nãos" para nossos apelos pelo resgate, recebemos a notícia de que o corpo do MEU FILHO não se encontra no local onde sua parceira o deixou VIVO, em 03/1/11.

Fotos tiradas em fevereiro constataram que, no local, só permanecem algumas barras de cereal, uma corda (identificada pela Kika como sendo a da ancoragem de Bernardo), o cantil, um bujão de gás para fogareiro, um stopper,uma piqueta e um par de sapatilhas de escalada.

Inexplicável!

Várias indagações podem ser feitas a partir desse fato.

Será que o estado de saúde de Bernardo não era tão ruim quanto as previsões pessimistas que o condenaram, e ele arrumou a mochila, abandonando alguns itens, tentando salvar-se, ante a demora do resgate, tendo queda fatal em outro lugar? Quanto tempo ele esperou? O que sofreu?

Será que saqueadores estiveram lá (onde nos diziam que ninguém conseguiria ir para ajudá-lo), levando o que tinha valor e empurrando o corpo no precipício?

Como, após tantos dias, barras de cereal permaneceram num lugar em que nos falaram de terríveis ventos que inviabilizavam vôos de helicópteros?

Como nos propusemos a falar somente do que podemos provar aqui nos limitamos a lançar as interrogações, que permanecem como facas nos nossos corações.

As fotos foram encaminhadas ao Itamaraty, com requerimento no sentido de que se reabra processo judicial que tramitou na Argentina, com novas investigações e resgate do corpo. Na carta, informamos, ainda, que, pelas informações preliminares recebidas dos montanhistas locais, o corpo deve se encontrar no glaciar, a 1000 metros abaixo, próximo à "grande canaleta", em local que pode ser atingido inclusive sem escalada e onde foram resgatadas duas pessoas no ano passado.

E agora, aqueles que nos falaram com tanta certeza de que Bernardo morrera nas primeiras horas do acidente, de hipotermia, teriam as respostas de que nós precisamos para dormir em paz?

E eles, será que têm a consciência livre da culpa por seu amadorismo ter concorrido para a morte de uma pessoa?

Heliane Damiano Collares (mãe do Bernardo)"

CONFIRA A COBERTURA COMPLETA FEITA PELO TERRA AUSTRALIS:
- 05/01/2011 - Argentina: Montanhismo brasileiro perde Bernardo Collares no Fitz Roy
- 06/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Bernardo Collares, onde está o resgate? Falecimento do montanhista ainda não foi confirmado
- 07/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Comunicado da FEMERJ sobre o acidente no Fitz Roy
- 07/01/2011- Argentina/Montanhismo: Condições de risco não permitem resgate no Fitz Roy
- 08/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Resgate aguarda melhora do clima para busca de Bernardo
- 09/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Autoridades poderão deixar andinista brasileiro na montanha
- 10/01/2011 - Argentina/Montanhismo: Fim da polêmica, família decide e Bernardo ficará no Fitz Roy
- 11/01/2011 - Montanhismo: Escaladores convocam homenagem a Bernardo Collares no próximo dia 15 no Rio de Janeiro
- 14/01/2011 - Montanhismo: Acidente no Fitz Roy. Um ponto final
- 16/01/2011 - Montanhismo: Escalada coletiva cobre a Urca em homenagem a Bernardo Collares
- 22/01/2011 - Escaladora relata com detalhes acidente na Patagônia

2 comentários:

  1. Maurício Lucena Prévide31 de março de 2011 10:32

    A morte de Bernardo Collares sensibilizou o país. Primeiro, porque alpinistas que percorrem o mundo conquistando picos em áreas remotas, estão, sim, a representar toda a nossa nação. Segundo, porque o desaparecimento de Collares, conforme relatado por sua parceira de escalada, teria ocorrido de forma traumática (queda seguida de hipotermia), o que tornou o acidente ocorrido em 03.01.2011, ainda mais dramático.O que nao se pode admitir, e falo exclusivamente às autoridades argentinas, que nenhuma tentativa de resgate tenha sido elaborada/organizada, ainda mais com a notícia de que Collares permanecia vivo após a queda.
    Não é crível admitir que numa região onde as escaladas são frequentes, e, por consequencia, os acidentes, por menores que sejam, também, nao tenham equipamentos adequados e material humano treinado que possibilite ao menos uma tentativa de resgate.
    Posto esse comentário como forma de expressar os meus sentimentos, nao como colega de escalada, mas sim, como apreciador do esporte, e me solidarizo com o sentimento de dor pela perda e revolta negligência das autoridades que deixaram de fazer aquilo que deveria ter sido feito. Um Abraço à família, aos amigos e a todos que como eu, se sensibilizaram com o acidente ocorrido no Fitz Roy no verão de 2011.
    Mauricio Lucena Prévide (31.03.2011)

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  2. Rodrigo Collares Arantes comentou:
    Esta foto foi tirada no primeiro dia da escalada irresponsável e fatídica. Dois dias depois começariam os problemas.
    Largado lá em cima para morrer pelas pessoas que poderiam fazer alguma coisa e se limitaram a declarar sua morte prematura logo nos primeiros dias;
    Ignorado pelas autoridades argentina e brasileira na tentativa de viabilizar algum resgate durante os dias que se seguiram
    Esquecido, por aqueles que dentro da Femerj o chamavam de “ETERNO”, nos 15 meses que se seguiram ao acidente
    Abandonado lá em cima (ou em qualquer outro lugar) por aqueles que ele sempre fez questão de viabilizar o resgate (alpinistas brasileiros). 10 brasileiros fizeram o cume pelo mesmo caminho do Bernardo em um autêntico “passeio no parque” em fevereiro de 2012 para um lugar que inicialmente diziam ser impossível chegar. E todos se negaram a ajudar ou mesmo dizer alguma coisa eu teriam visto;
    A grande verdade é que, além de não fazerem nada, os alpinistas brasileiros ainda tentaram convencer os poucos brasileiros que se prontificaram a ajudar a não fazerem nada. Atitude de marginais que tentaram, a todo custo, encobrir alguma coisa que não querem que apareça. Só não sabemos o que.
    Os poucos brasileiros que se prontificaram a ajudar (e ajudaram muito) nos pediram segredo por medo de pressões de pessoas importantes no montanhismo brasileiro.
    Infelizmente para eles, algumas verdades começam a aparecer:
    1- A Gendarmeria começa a fazer as mesmas perguntas que nós fizemos no início e nos chamaram de tolos;
    2- As versões de morte por hipotermia nas primeiras horas ou de queda acidental “caíram por terra” depois de contratarmos 5 gringos (isto mesmo, 5 gringos) que vasculharam toda a base da supercanaleta e áreas próximas onde ele deveria estar se as primeiras versões fossem verdadeiras.
    3- Restou, por enquanto, apenas a tese de tentativa de autoresgate, o que reforça que nossos pedidos iniciais tinham todo o sentido;
    4- Fica a pergunta do porque da pressão por não ajudar no resgate do corpo
    5- Fica a sensação de que a operação abafa ainda não acabou.
    Espero que cada uma dessas pessoas possa dormir tranquilo. Porque eu posso.
    Abraço
    4 de Junho às 21:21
    ·
    Heliane Collares Vc disse tudo meu filho Rodrigo Collares Arantes.Qdo vc começou a questionar a veracidade da versão oficial, logo em seguida ao acidente, causou reações furiosas das pessoas que a aceitaram numa vassalagem voluntária. Na época, nós não dormiamos e estávamos perplexos com o decorrer dos acontecimentos. Saber que há uma pessoa viva esperando pelo resgate que ele mesmo pediu e a partir de uma avaliação equivocada, errada, decidiram que ele teria morrido na primeira noite! Como vc bem o disse. Será que eles dormem hoje??? E querem deixar o corpo dele poluindo um lugar considerado SAGRADO, por todos! As faces se deformando por causa do frio, como aqueles das fotos do Everest... Não, MEU FILHO não !!!!!!!!!! ·

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