segunda-feira, 29 de abril de 2013

Aparados da Serra: Drama fatal no Cânion Itaimbezinho

Cânion do Itaimbezinho - Parque Nacional dos Aparados da Serra

Recebi ontem a notícia por amigos da região quanto à ocorrência de um acidente fatal na Trilha do Cotovelo, junto ao Cânion do Itaimbezinho, no Parque Nacional de Aparados da Serra, localizado nos municípios de Cambará do Sul/RS e Praia Grande/SC.

Região do Parque Nacional da Serra Geral
Cambará do Sul/RS e Praia Grande/SC
Segundo as informações, ainda predominantemente verbais, Márcia da Silva Magnus, 23, procedente de Canoas/RS e com familiares em Praia Grande/SC, teria caído pela escarpa e dentro do Cânion Itaimbezinho durante o período de abertura do parque à visitação pública no último sábado.

O cânion pode atingir uma altura de cerca de 700 metros no local e esperei a confirmação do fato antes de postar a notícia no blog. Até o momento a notícia sequer apareceu na mídia falada e escrita.




A polícia civil e os bombeiros foram acionados para investigação e resgate do corpo e há indícios de que possa se tratar de suicídio, uma vez que um bilhete e pertences da jovem teriam sido encontrados junto à borda do cânion após a queda.

Um helicóptero do Corpo de Bombeiros de Florianópolis foi deslocado para auxiliar no resgate e, na sequência, deverão ser procedida perícia no documento encontrado e também exames clínicos para verificação de eventual uso de álcool ou drogas pela jovem.

Márcia Magnus
Foto Facebook
O Chefe do Parque Nacional de Aparados da Serra, Deonir Geolvane Zimmermann, informou hoje diretamente para este Blog que, diante das efetivas evidências de prática de suicídio sobre a qual não há responsabilidade da unidade, não haverá qualquer restrição à entrada de visitantes.

Embora seja sabido que a mídia não costuma divulgar notícias desta natureza, aguardemos maiores informações.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Cone Sul: Exposição "12 Mil Anos de História - Arqueologia e Pré-história do Rio Grande do Sul"

Fonte: Museu da UFRGS

Para quem gosta de história e arqueologia, e eu me incluso nesta lista, segue a notícia de abertura de uma exposição sobre a arqueologia e a pré-história no sul do Brasil organizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, enfocando a ocupação humana antes da chegada dos colonizadores europeus na região.


A ocupação humana do território hoje definido pelo Estado do Rio Grande do Sul iniciou há cerca de 11 mil anos com a chegada de grupos de caçadores-coletores vindos do norte, seguida por uma segunda onda migratória há dois mil anos, composta por índios guaranis oriundos da Amazônia.

Sendo um povo mais forte e mais organizado, submeteram praticamente todos os antigos habitantes, introduzindo também a agricultura e aperfeiçoando a cerâmica.

Quando o Brasil foi "descoberto", em 1500, quase todos os índios do Estado, que somavam de 100 mil a 150 mil na estimativa dos estudiosos, já eram guaranis ou estavam misturados a eles e habitavam a região há pelo menos 11.500 anos da chegada dos europeus.

A exposição é pequena em tamanho mas interessantíssima em conteúdo, destacando as descobertas arqueológicas como fio condutor da pré-história gaúcha.

Belas peças líticas podem ser vistas, assim como grandes ilustrações sobre o modo do vida dos primeiros habitantes do sul do país. Uma impressionante escultura (zoólito) de um tubarão é para mim um dos destaques da mostra e foi encontrada no litoral do Rio Grande do Sul, na região de Capão da Canoa.





Toda esta saga pode ser conferida na exposição 12 Mil Anos de História: Arqueologia e Pré-história do Rio Grande do Sul aberta para visitação até o dia 14/03/2014 no Museu da UFRGS, situado na Av.  Oswaldo Aranha, 277, no Campus Central da universidade, em Porto Alegre/RS.

A entrada é gratuita e o horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 18h00, bem como no último sábado de cada mês das 9h00 às 13h00.

O evento possui apoio da Sociedade Brasileira de Arqueologia, do Ministério da Cultura e do Instituto Histórico e Artístico Nacional, e patrocínio da Petrobrás.

Segue a notícia publicada no Jornal Zero Hora de hoje:


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Zero Hora - Porto Alegre - 23 de abril de 2013 | N° 17411
Museu da UFRGS mostra pré-história

O Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Núcleo de Pesquisa Arqueológica (NuPArq) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas promovem a exposição 12 Mil Anos de História: Arqueologia e Pré-história do Rio Grande do Sul.

Inaugurada ontem, a exposição segue até 14 de março do ano que vem.

Inspirada no ofício do arqueólogo, a mostra apresentará a História pré-colonial do Rio Grande do Sul, que pode ser contada por meio das sucessivas migrações humanas para o nosso território, das relações destes migrantes com os grupos já existentes, dos novos padrões culturais adotados como respostas adaptativas aos diversos ambientes.

Com o objetivo de aproximar o público do ofício do arqueólogo e do patrimônio arqueológico, bem como proporcionar uma maior aproximação com noções de preservação, o museu oferecerá oficinas, visitas mediadas, cursos para professores da rede pública, entre outras atividades.

Interessados podem agendar visitas de grupos, mediadas por alunos de diferentes cursos de graduação da UFRGS. Com curadoria de Silvia Copé, doutora em pré-história e coordenadora técnica do NuPArq, o evento tem apoio da Sociedade Brasileira de Arqueologia, do Ministério da Cultura e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e patrocínio da Petrobras.

Exposição conta objetos como pontas de flecha

A exposição ilustra as ondas migratórias que ajudaram a formar a população do Rio Grande do Sul. São recriados ambientes que mostram como viviam os grupos em casas subterrâneas na Serra, em sambaquis no Litoral, em cavernas próximas do Rio Ibicuí e em casas dos homens do Planalto das Araucárias.

Também são expostas pontas de flecha, boleadeiras, machados e instrumentos de caça diversos, urnas e vasos de cerâmica e zoólitos (pedras com representação de animais).


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ecologia: A Febre de Gaia, uma lição de Lutzenberger

Um frágil equilíbrio...
Rincão Gaia. Fotografia macro. Pantano Grande/RS


Nos últimos tempos tenho me dedicado um tanto à leitura dos escritos de José Lutzenberger, pensador, filósofo, ambientalista e referência global na ciência da Ecologia e do ativismo em prol da conservação da natureza e da adoção de uma economia eco-sustentável.

Na data em que se comemora o Dia da Terra trago para a reflexão um do seus escritos, curto em extensão mas de imenso conteúdo.

Por favor, pare por apenas 5 minutos, faça esta leitura e reflita. Não demora e garanto que você vai gostar.

Nosso planeta merece, Feliz Dia da Terra para todos nós!


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A FEBRE DE GAIA 


Um texto de
José Lutzenberger, julho de 2000 



A faixa de temperaturas nas quais a Vida pode existir e florescer, isto é, a faixa de temperaturas que torna possível a bioquímica, a química das proteínas, carboidratos, hidrocarbonetos, ácidos nucleicos, a construção de células vivas e organismos, a qual é também a faixa na qual a água pode coexistir em suas três fases físicas – líquida, gasosa e sólida – é extremamente estreita, se comparada com as temperaturas que prevalecem no Universo como um todo. 

Estas variam desde perto do zero absoluto, 273ºC negativos, no espaço interplanetário ou em planetas distantes como Netuno e Plutão, até entre 400 e 500ºC positivos em Vênus; aproximam-se dos 20 a 40°C negativos no verão, ao meio-dia, na linha do Equador de Marte; vão a aproximadamente 6000°C na superfície de nosso Sol, perto de 20 milhões de °C em seu interior; mais, muito mais ainda, na superfície de estrelas maiores e chegando a bilhões de °C nas fornalhas de estrelas em implosão – as supernovas. 

Tivéssemos de representar este alcance de temperaturas sobre uma linha na qual cada grau fosse um milímetro, esta teria um comprimento de várias centenas de milhares de quilômetros. Ela iria a uma distância muito além da Lua.

A faixa propícia para a Vida vai de alguns graus abaixo de zero, onde a Vida só sobrevive em repouso, até aproximadamente 80 graus positivos para alguns poucos organismos - certas bactérias e algas que conseguem viver em vertentes quentes nos precipícios marinhos e nos géiseres, o que totaliza uma faixa de aproximadamente 100°C. Se aplicada na referida linha, ela cobriria uns dez centímetros. Dez centímetros sobre várias centenas de milhares de quilômetros! 

Desde esta perspectiva, percebemos o quanto é precioso nosso mundo. Ele se torna mais precioso ainda quando aprendemos que a Vida foi capaz, ao longo de mais de 3,5 bilhões de anos, de contrabalançar forças que tendiam a tornar a Terra muito mais quente ou muito mais fria. Sabemos, por considerações cosmológicas, que o Sol é atualmente de 20 a 30% mais quente do que era quando a Vida começou a se estruturar nos oceanos primordiais. Nosso planeta poderia ter acabado numa situação de descontrolado efeito estufa, como em Vênus: um pouco menos quente, mas, ainda assim, com ao redor de 200°C positivos. Os oceanos teriam se evaporado. 

Ou se, por alguma razão, na época das primeiras manifestações de Vida, com o Sol ainda mais frio, houvesse nebulosidade demais, o desequilíbrio poderia ter ido em sentido contrário. O albedo elevado - isto é, a refletividade aumentada para a luz – teriam refletido grande parte da energia solar incidente de volta para o espaço sideral. Menos calor, mais neve, mais albedo ainda, menos calor ainda. A Terra poderia ter se tornado uma bola coberta de neve. Em qualquer dos casos, Gaia nem teria se tornado realidade ou teria perecido logo.

No entanto, conscientemente, estamos bagunçando todos os mecanismos de controle climático - com dióxido de carbono demais, metano, óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre, freons, hidrocarbonetos, desmatamento e desertificação. Por quanto tempo mais poderemos abusar do sistema? Quanto tempo demorará Gaia para ficar com febre? Será mesmo necessário que conheçamos todos os detalhes para começarmos a agir? 

Quando as coisas começarem a dar errado, elas não precisam descontrolar-se completamente. Não precisamos chegar a outra era glacial ou derretimento das capas de gelo na Groenlândia e Antártida, com inundação das maiores cidades e territórios de elevada densidade populacional. A exacerbação das irregularidades climáticas que já se verificam, breve nos colocará numa situação na qual não mais poderemos contar com colheitas seguras. Atualmente, somos ao redor de 6 bilhões de humanos. As reservas de alimentos estão diminuindo. De que nos serviria um clima de praia em Spitzbergen, se não tivermos mais o suficiente para comer? E o que dizer das convulsões sociais, revoluções e guerras que resultariam daí, com figuras como Saddam Hussein e outros tendo acesso a armas de destruição em massa? 

O que para Gaia, ao longo de seus 10 bilhões de anos de expectativa de vida e com pelo menos mais 5 bilhões pela frente, poderia ser apenas uma leve e passageira febre, talvez representasse o fim da Civilização Humana. 

Uma pessoa sábia talvez arrisque aprender com seus erros, mas ela certamente evitará experimentos nos quais, se derem errado, as consequências serão inaceitáveis e irreversíveis. Como podemos fazer os poderosos compreenderem que a Moderna Sociedade Industrial está embarcada precisamente neste tipo de experimento? 

(Tradução por Lilly Lutzenberger, do original GAIA’S FEVER, publicado na revista ambientalista britânica “The Ecologist”, volume 29, nr. 2, março/abril 1999. Fonte subsidiária: Fundação Gaia - Legado Lutzenberger)

* Todas as macrofotografias que ilustram esta postagem foram feitas no Rincão Gaia, em Pantano Grande/RS, concebido por José Lutzenberger como exemplo de recuperação de áreas degradadas e centro de educação ambiental e de divulgação da agricultura regenerativa.

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Gostou? Então saiba um pouco mais sobre José Lutzenberger assistindo o vídeo a seguir!


 

Ficha técnica do filme "O Legado Lutzenberger":

"Excêntrico. Profundamente lúcido. Idealista. Gênio. José Lutzenberger morreu em 14 de maio de 2002, mas suas idéias continuam vivas. Este documentário mostra depoimentos inéditos do ambientalista Lutzenberger. Num conturbado momento ambiental, O LEGADO LUTZENBERGER é mais um sinal de alerta para os graves problemas mundias, na área do meio-ambiente. Com gravações em Porto Alegre (RS), Viamão (RS), Torres (RS), Garopaba (RS) e Brasília (DF), o documentário tem depoimentos de amigos, colaboradores e suas filhas que continuam o trabalho do pai através da Fundação Gaia. A direção é de Frank Coe, que durante anos acompanhou Lutzenberger, que assina o roteiro junto com Rafael Guimaraens. Narração João Diemer e trilha sonora de Yanto Laitano.

Frank Coe"

terça-feira, 2 de abril de 2013

Off-Road: Como escolher um veículo 4x4?


Saudoso Toyota Bandeirante...







Há 16 anos que venho utilizando exclusivamente veículos 4x4 no meu dia-a-dia, seja na vida profissional ou pessoal, na cidade ou fora dela, sozinho, com amigos ou com a família que veio com o tempo.

O primeiro deles foi um pequeno Suzuki Samurai, que veio no rastro de um antigo sonho de desbravar caminhos onde meu automóvel "normal" não chegava, trazendo independência e novos horizontes num mundo até então limitado aos caminhos convencionalmente transitáveis.

A partir daí foi paixão à primeira vista com o mundo 4x4, ou melhor, paixão à primeira viagem.

Além da experiência trazida com a prática, fui atrás de conhecimentos básico de pilotagem fora de estrada e de mecânica, diferenças entre os motores à diesel e à gasolina, mapas, gps, faróis, pneus, uso de guinchos, macacos, ferramentas, bagageiros e uma parafernália interminável que atrai como um ímã os aficcionados de expedições e atividades off road.

Meu primeiro 4x4: Suzuki Samurai
Ao minúsculo Samurai seguiram-se um Toyota Bandeirante (o meu preferido até hoje), um Land Rover Defender, um Toyota Hilux e, por último, um Mitsubishi Pajero.

Depois deste tempo todo cheguei à conclusão de que o tipo de 4x4 que você deve adquirir e, eventualmente equipar, depende exclusivamente do perfil de uso, sob pena de se desperdiçar uma pequena fortuna que não será recuperada no momento da venda do veículo.

Atualmente estou na fase mais amadurecida do "menos é mais". Escolhi um automóvel com perfil de uso misto cidade/fora de estrada e meus investimentos se limitaram a um bom jogo de pneus, elevar a suspensão dentro do limite permitido pela fábrica, GPS, cinta de reboque, macaco hidráulico e um bom jogo de ferramentas. Menos incomodação, menos investimento sem retorno, mesmo lamentos na hora de revender o veículo. Ponto final. O resto fica por conta da habilidade e o jogo de cintura (ou falta de) do motorista.

Assim, pergunte-se primeiro:

- Quem e quantas pessoas vão utilizar o carro?
- Será meu único veículo?
- Por quanto tempo quero ficar com ele?
- O uso será urbano, misto ou 4x4?
- Viagens convencionais, expedições ou trilhas off road?
- Quanto custa a manutenção?
- Pretendo recuperar meu investimento no momento de me desfazer do veículo?
- Existe seguro para o meu carro? Se existir, o prêmio cobrirá o custo do meu investimento?
- Quero conforto ou sou desapegado de luxos como isolamento acústico, banco de couro e ar condicionado?          

Comecei cedo no mundo 4x4...
Sobre o que deve ser considerado por alguém que pretende comprar um veículo off road meu amigo Fabio Rosa, com 11 anos de atuação profissional no mundo 4x4, escreveu um pequeno artigo com excelentes dicas de quem tem muita experiência no mercado e já passou pelos mais diferentes erros e acertos.

Com a autorização dele me permito transcrever aqui para vocês.

Bom proveito!


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Escolhendo seu 4x 4

Por Fabio Niemezewski da Rosa*

Uma das coisas que muita gente ao entrar no mundo 4x4 não sabe é exatamente o que quer fazer com o seu 4x4. Já cansei de escutar aqueles que vem e dizem que querem só coisa leve, passeio de estradas de terra, para não estragar o carro, etc... e quando a gente vê, já estão com a camionete levantada, pneus grandes, proteções, guincho, e só querem saber de muita adrenalina.

Claro, não é regra. Mas a regra é que ao ingressar no mundo dos 4x4, nunca sabemos ao certo até onde queremos ir, que tipo de terreno iremos gostar, e que tipo de trilha será a nossa preferida.
Uma das maiores frustrações que identifico é que as pessoas compram um veiculo baseado na aparência dele, sem se preocupar com o que pretendem fazer e consequentemente com a facilidade ou não da preparação do veiculo.


Tem muitos 4x4 aí no mercado que não dispõe de muitos acessórios para preparação, e as vezes uma simples troca de pneu pode ser um dor de cabeça muito grande.


A maioria começa na escolha do veiculo. Após, participa de uma ou outra aventura, e já identifica problemas a serem corrigidos. Mas, não são problemas, e sim deficiências de um veiculo para aquela situação ao qual o mesmo esta sendo submetido. Normalmente a primeira é a questão da altura do mesmo. Vai a camionete para a oficina para levantar um pouco, normalmente uns 5 cm já da uma diferença considerável.


Depois, aparece a questão dos pneus. Pneus maiores, com desenho fora de estrada. Mas ai vem ou podem vir os problemas. A grande maioria dos pneus disponíveis são aro 15 ou 16. Mas tem muito 4x4 com aro 17 ou aro 18. E agora? Os MT com aro 17 são grandes, e não cabem. Trocar as rodas? Ih, a brincadeira esta ficando cara ja de partida.


Mas, se você investiu no veiculo, o que é levantar e trocar as rodas e pneus? Um valor bem menor e que deverá proporcionar um monte de alegrias a mais.


Com certeza, se a maioria conseguisse parar por ai, estava bom. Mas um dos problemas do fora de estrada, é que na primeira vez que você desce um cordão de calçada, acha o máximo. Na quinta vez, não tem mais graça. Assim, procura obstáculos maiores. E quando estes não tem graça, pois não dão mais aquela adrenalina, maiores ainda.

Foto João Paulo Lucena

Mas o veiculo não cresceu como a expectativa do proprietário. Ele se deu conta de que precisa proteger as partes mecânicas, as laterais, a tomada de ar. E pode-se chegar a conclusão de que não existe nada pronto para o seu 4x4. E vem mais uma dor de cabeça, fazer acessórios sobre medida. Ou, pior, comprar prontos e serem muito ruins, fracos, pois para alguns veículos, o que existe por ai é meramente estético.


Você então já gastou um monte com suspensão, rodas, pneus, proteções, estribos, "snorkel", e agora o que mais? Depois de uns meses, vê que o para-choque original ja era. Quebrou pela quinta vez e agora não tem mais conserto. E dai tem que colocar um de ferro. Se tem modelos prontos, ótimo, mas e se não? Tem que fazer especial. Pode sair caro. Depois do para-choque, bom, vem o guincho.


E assim a conta vai crescendo. E é muito comum quando você vê e soma tudo, a conta passar do valor do carro... Pode parecer estranho para aqueles que não somam o que gastam com o seu 4x4, mas é muito comum a pessoa pegar, preferir comprar por exemplo um Suzuki Vitara original, pagar R$ 20 mil, e depois gastar mais de R$ 25 mil em preparações para ele. Eu já passei por isso. E depois, você não consegue vende-lo por R$ 22.000. Será que na época da compra não seria melhor ter pego um já pronto por R$ 22.000? Muita gente pensa que um carro preparado, de trilha, é muito pior que um original. Mas não é a realidade de muitos. Conheço muitos proprietários que cuidam tanto de suas maquinas que mesmo após 8 anos de trilhas o carro é mais inteiro que um saído da concessionaria.


Então, aquele mito de que carro preparado é tudo carro judiado, com inúmeros problemas, etc... realmente não passa de mito. Tem muita gente preparando veiculo fora de estrada para fazer uma ou outra aventura em estradas de terra e ter um carro bonito, chamativo, com cara de aventura. Obvio que tem outros casos que são carros que não tem a manutenção devida e são uma bomba relógio. E tem veículos originais piores que qualquer outra coisa.

Um 4x4 pode abrir grandes horizontes no seu mundo conhecido.

Mas o que fazer então? Sempre na hora da compra se aconselhar com um bom mecânico, ou com mais de um. Não tem problema. A maioria não se importa de olhar o veiculo usado e fazer um orçamento de tudo que é visível. O problema claro são as coisas escondidas. Mas... melhor ja se ter uma noção. E o mesmo mecânico ja pode fazer uma avaliação de quanto sairá para preparar o 4x4 ou do que vale a preparação que ele  tem.
Fica aqui uma dica de que quase nunca a nossa preparação sairá de cara melhor que uma já instalada em um veiculo. Quando começamos a reinventar a roda, passaremos por uma fase de ajustes, erros, problemas, até dar tudo certo. E as vezes um jipe pronto já passou por isso e te poupará tempo e dinheiro.


Já preparei muito jipe, meu e de outros. E hoje dou muito mais valor ao jipe que menos preciso preparar. Quanto mais você tiver que mexer para ele ficar como você deseja, mais problemas terá. Como diria um participante ativo de fóruns na internet muito conhecido nacionalmente: "Não tem almoço grátis". Isto se refere a tudo que você fizer, terá um efeito negativo em algum local. Não existe 100% ganho. Isto é uma ilusão. Se você levantar o carro, ganhará altura e desempenho fora de estrada. Mas vai perder em estabilidade, vai perder em durabilidade das buchas da suspensão, dos amortecedores, das cruzetas dos cardãs  do estriado do cardã ou da rabeta da caixa de transferência, e outros detalhes. Se você colocar pneus maiores, vai ganhar desempenho fora de estrada, talvez conforto, mas vai perder em durabilidade de rolamentos de roda, conforme o tamanho em durabilidade de todo o trem de transmissão, aumentar o consumo, "perda" de potencia, etc... 

Já dormiu dentro do carro? Eu já, numa Hilux
com muitas histórias para contar...
Foto: João Paulo Lucena

Tudo que se mexer, terá um ganho, e muitas perdas. E quando você vê, gastou um monte, e o jipe esta instável, quebrando outras coisas, e não te da confiança. E isto é bem comum...


O que quero dizer aqui, não é não prepare o seu jipe, não gaste dinheiro, etc... Não. Não se trata disso. Se trata de alertar para que aqueles que nunca prepararam um jipe, não se enganem que só tem ganhos e um dia estarão com o melhor jipe do mundo. Isto não existe. Você ganha de um lado, e perde de inúmeros outros. Sempre. Um jipe para "rockcrawling", será péssimo para viajar.


Portanto, sempre pensem bem antes de sair investindo na emoção no 4x4. As vezes trocar de 4x4 é a melhor saída. Não quero citar marcas para comparar veículos, mas pegar uma camionete de luxo querendo deixa-la igual a outros jipes preparados para encarar obstáculos fora de estrada pode não ser a decisão mais inteligente. Ao prepara-la, ela perderá muito do seu conforto, segurança, e principalmente confiabilidade.





* Fabio Niemezewski da Rosa é Sócio da empresa Rotas e Trilhas e há 11 anos ministra cursos de off-road e organiza atividades fora de estrada, expedições e ralis 4×4 no Brasil e no exterior.