quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Canionismo/Resgate (II): Detalhes do salvamento em Maquiné/RS

Foto Adriana Franciosi - Jornal Zero Hora. Veja o detalhe do helicóptero no canto superior esquerdo da imagem.
Recebo diretamente da Tatiana Bressel (34), canionista que ministrou os primeiros socorros a Juliano Romancini, o relato direto sobre o ocorrido no acidente em Maquiné/RS, cuja notícia postei aqui Terra Australis no último dia 15 (veja AQUI).

O canionista não poderia estar melhor acompanhado em uma situação de emergência. A Tati, além de canionista internacionalmente reconhecida, foi escolhida atleta do ano em atividades junto à natureza pela revista SulSports (veja o post http://terra-australis-br.blogspot.com/2009/12/canionismo-tatiana-bressel-e-atleta-do.html) e é credenciada pela NOLS para prestar primeiros socorros em áreas remotas (também em http://terra-australis-br.blogspot.com/2009/12/primeiros-socorros-em-areas-remotas.html).

Sorte do Juliano? Não! Isto é resultado do investimento responsável em conhecimento técnico e prevenção de acidentes, além da escolha das companhias corretas para a atividade que estava sendo praticada quando ocorreu a fatalidade do deslizamento de pedras sobre ele.

Como disse no post anterior, sorte = preparação + oportunidade...

Conforme a Tati, os médicos do hospital de Porto Alegre registraram que se não fosse os primeiros socorros adequados que Juliano recebeu no interior do cânion, ele não teria sobrevivido à noite que passou lá.

De acordo com o site Piloto Policial sobre notícias da aviação de segurança pública, a equipe de resgate aéreo decidiu pousar o helicóptero MD500E em uma elevação próxima ao canion e montar um ponto de operação nas coordenadas 050º 20′ 20″ W – 29º 30′ 23″ S

Após desceram três tripulantes, com uma maca rígida, do Grupo de Busca e Salvamento dos Bombeiros até a base da cachoeira onde estava o acidentado e os canionistas que lhe prestavam atendimento de primeiros socorros desde o dia anterior. Devido ao estado crítico do paciente politraumatizado não puderam fazer a sua locomoção até o ponto de desembarque.

Com isso, retiraram a vítima de uma clareira valendo-se de mais de 150 metros de cabo com o apoio do helicóptero (a imprensa equivocadamente informou serem 300 metros) - Veja no início deste post a imagem do helicóptero e o enorme cabo suspenso sob ele para a suspensão da maca rígida.

Ainda segundo o relato no site, depois de uma análise pela tripulação, decidiram executar o salvamento realizando quatro descidas de 80 metros de cabo, sendo: 3 tripulantes e uma maca rígida de frente para a cachoeira; uma retirada de vítima com mais de 150 metros de cabo no meio do cânion e quatro retiradas, operando com 100 metros de cabo da base da cachoeira, sendo o último mac-guire com dois tripulantes juntos, pois as condições meteorológicas eram adversas.

A operação do helicóptero iniciou às 06:30 e encerrou às 15:30 horas, com 4.6 horas de vôo.

EQUIPE DA MISSÃO:1) Piloto: Maj QOEM Franck;2) Co-piloto: Cap QOEM Matteo;3) CO: 1 SGT Albanus;4) Tripulantes: Sd Rodrigues, Sd Fernando, Sd Edis.5) Equipe de Solo: 3 Sgt Ezequiel, 3 Sgt Borges, 3 Sgt Vladimir, Sd Joel e Sd Mayer.


Rafael Britto, canionista da Associação Cânions da Serra Geral - ACASERGE que participou do resgate e o helicóptero MD 530E do GPMA. Foto Adriana Franciosi - Jornal Zero Hora

“No sábado dia 13 de fevereiro de 2010, um grupo de 15 praticantes de canionismo dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo se reuniu em Barra do Ouro, Município de Maquiné, Estado do Rio Grande do Sul.

Todos os componentes do grupo são praticantes de canionismo qualificados e experientes, muitos com mais de 10 anos de prática. Além disso, o grupo estava equipado com todos os equipamentos técnicos necessários para a prática segura da atividade.

Este grupo maior se dividiu em 3 grupos menores. Dois destes grupos menores entraram em cânions diferentes e o terceiro deles ficou de apoio, com materiais técnicos e rádio para manter contato com os grupos que estavam nos cânions.

O grupo integrado por Juliano contava com mais 4 pessoas.

O grupo desceu uma primeira cachoeira, utilizando a técnica de rapel, seguiu o curso do rio, desceu uma segunda cachoeira e continuou seguindo o leito do rio.

Eram cerca de 17h30m, quando Juliano sofreu o acidente, ao tentar subir num bloco de pedra. O bloco se desprendeu e rolou sobre ele, derrubando-o e atingindo-o na região do quadril.

O grupo tomou providências para manter Juliano acordado, imobilizado, aquecido e o mais confortável possível, comunicando a equipe de apoio do ocorrido e da necessidade de Juliano ser retirado com maca, o mais brevemente possível. O grupo decidiu, ainda, que dois de seus integrantes concluiriam a travessia do cânion, para levar maiores informações para os encarregados pelo resgate.

Fora do cânion, a equipe de apoio acionou o Corpo de Bombeiros e a Brigada Militar, passando, a partir de então, a colaborar com o resgate.

No início da manhã, chegaram os bombeiros com o helicóptero, viaturas e um avião. O helicóptero sobrevoou o cânion e avistou Juliano e o restante do grupo que havia ficado com ele. Juliano foi retirado de dentro do cânion, pelo helicóptero, por volta do meio dia.

Juliano foi encaminhado para o hospital Santa Luzia em Capão da Canoa e posteriormente transferido para o hospital Mãe de Deus em Porto Alegre.

Esperamos a pronta recuperação de Juliano e nos solidarizamos como os familiares.

Por fim, agradecemos sinceramente a todos que participaram ou auxiliaram no resgate, permitindo que ele fosse bem sucedido e que Juliano pudesse ser retirado do cânion e receber os cuidados necessários, em especial ao Corpo de Bombeiros e à Brigada Militar, ao SAMU, aos médicos que atenderam e estão atendendo Juliano e à reportagem da Zero Hora.

Tatiana Bressel - Canionista"
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SAIBA MAIS AQUI NO TERRA AUSTRALIS:

- 15/02/2010: (I) Relato de um acidente em Maquiné/RS

- 01/12/2011: Canionimo - Discovery Channel poderá reconstituir resgate no Rio Grande do Sul



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Canionismo/Resgate (I): Relato de um acidente em Maquiné/RS

Foto: Adriana Franciosi - Jornal Zero Hora

 Alguém já disse que o conceito de SORTE não é o acaso, mas sim o resultado de PREPARAÇÃO + OPORTUNIDADE.

Pois este foi exatamente o caso do canionista mineiro Juliano Romancini que neste feriado de Carnaval acidentou-se gravemente no município de Maquiné/RS e somente sobreviveu devido aos corretos primeiros socorros recebidos dos seus colegas de atividade.

Juliano e outros companheiros estavam participando de levantamento de novos locais para a prática do Canionismo no Rio Grande do Sul, todos com sólida formação técnica e ampla experiência no esporte. Dentre eles três membros da Associação Cânions da Serra Geral - ACASERGE de Porto Alegre, Neyton Reis - Rafael Britto e Tatiana Bressel, sendo que os dois últimos participaram recentemente comigo do curso de primeiros socorros em áreas remotas ministrado pela NOLS/Brasil na nossa Capital (Veja o post em http://terra-australis-br.blogspot.com/2009/12/primeiros-socorros-em-areas-remotas.html).

A farta experiência da equipe em atividades outdoor e o preparo para situações de emergência certamente contribuíram em muito para a sobrevivência de Juliano.

Uma vez que está bem fiel ao ocorrido, reproduzo a notícia publicada pela Zero Hora no dia de hoje:

"Resgate dramático em Maquiné  - Ao despencar sobre um empresário que praticava canionismo, uma rocha tornou dramático o fim de semana de um grupo de esportistas gaúchos, catarinenses e paulistas na Serra do Umbu, no município de Maquiné, no Litoral Norte.

Com múltiplas fraturas, Juliano Romancini, 38 anos, de São Miguel do Oeste (SC), ficou 18 horas à espera do resgate em uma fenda entre duas montanhas a 32 quilômetros da sede do município, até ser içado por um helicóptero.

O acidente aconteceu por volta das 18h de sábado, quatro horas depois de o grupo de cinco pessoas iniciar um deslocamento que deveria ser de dois quilômetros junto ao curso de um rio. Prensado pela rocha na base de um penhasco de 300 metros de altura, Romancini sofreu fraturas na bacia, em um dos pés e passou a ter hemorragia.

Dois colegas que integravam o grupo pediram socorro por rádio a companheiros que exploravam outro cânion nas proximidades e deixaram o local em busca de ajuda para o ferido. Um homem e uma mulher ficaram prestando apoio a Romancini. Com a chegada da noite, não houve possibilidade de resgate, e os três permaneceram isolados até o amanhecer.

Pela manhã, bombeiros chegaram ao local por terra enquanto policiais militares sobrevoavam a região com um avião Ximango. Por volta do meio-dia de ontem, um helicóptero do Grupamento Aéreo da Brigada Militar conseguiu introduzir na fenda uma maca, por meio de uma corda de cerca de 300 metros de comprimento.

Em um procedimento de alto risco e complexidade, Romancini foi imobilizado na maca e içado para fora. No total, conforme o major Carlos Franck Simanke, comandante do helicóptero, a vítima ficou 35 minutos suspensa até ser levada em segurança a um descampado, onde, por terra, continuou o resgate. Por causa da chuva, que havia começado a se intensificar, o helicóptero não conseguiu pousar nas proximidades do local do acidente.

– Nossa maior dificuldade foi porque este é um vale muito estreito, onde o helicóptero fica muito perto das paredes de rochas e árvores. Essa também é uma região de serra, onde as condições meteorológicas mudam muito rápido. Quando estávamos içando a vítima, a chuva intensa dificultou um pouco – explicou o major Franck.

Amigos foram removidos só cinco horas depois - Romancini, que é ex-presidente da Associação Comercial e Industrial e da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de São Miguel do Oeste, passou por cirurgia no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, e seria transferido à noite para o Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre.

Os amigos que ficaram com a vítima – a bióloga Tatiana Bressel, 34 anos, de Porto Alegre, e Walter Martins Guerra Júnior, 40 anos, de São Paulo – só foram removidos pelo helicóptero da BM por volta das 17h, cerca de cinco horas depois do resgate de Romancini. Eles haviam recebido mantimentos para suportar as quase 24 horas isolados na mata, e não tiveram ferimentos. "

O acidente, decorrente de um caso meramente fortuito, ocorreu no sábado dia 13/02, por volta das 18h, mas devido a dificuldade de acesso ao local de mata densa e estradas precárias, o resgate de Juliano foi bastante complexo.

Conforme relato para o jornal Correio do Povo, o major Carlos Frank, chefe de equipe do Grupamento Aéreo da Brigada Militar na Operação Golfinho registrou que “É um local muito complexo, de difícil acesso. Tivemos que efetuar um sobrevoo e o efetivo desceu em rappel até a vítima, para desestabilizá-lo. Ele estava com hemorragia interna e provável fratura de bacia”.

Após o resgate de helicóptero o paciente, já em estado bastante grave, foi transferido por terra para o hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa/RS, onde passou por uma cirurgia de estabilização antes de ser levado para a CTI do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre.

Foto Camila Domingues - Jornal Correio do Povo
Em breve sigo com mais dados do ocorrido (veja link abaixo).

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SAIBA MAIS AQUI NO TERRA AUSTRALIS:

- 17/02/2010: (II) Relato de um acidente em Maquiné/RS

- 01/12/2011: Canionimo - Discovery Channel poderá reconstituir resgate no Rio Grande do Sul