terça-feira, 29 de outubro de 2013

Surfe: Qual tamanho pode alcançar uma onda - Um recorde mundial brasileiro?

The Great Wave of Kanagawa. Fonte: Wikipedia

Alguma vezes tenho postado aqui alguma notícia, comentário ou matéria fotográfica relacionados ao surfe, quase sempre tendo como fundo a produção de imagens com alguma beleza cênica ou retratando situações inusitadas.

Desta vez não há como deixar passar as incríveis imagens captadas na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal, do que pode ter sido o recorde mundial da maior onda já surfada na história e devidamente documentada.

A façanha foi do brasileiro Carlos Burle (46) e ainda depende dos procedimentos oficiais de estimativa da altura da onda - cerca de 30 metros, para que o recorde seja homologado.

Enquanto isso, mesmo para aqueles que não acompanham o surfe, surpreendam-se com este belíssimo trabalho do videomaker Hélio Valentim ao som de Carmina Burana.

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

1º Festival Gaúcho de Esportes de Aventura

Foto: Divulgação do Festival



A pedido do meu amigo Leandro Bazotti divulgo a realização do 1º Festival Gaúcho de Esportes de Aventura a realizar-se nos dias 15, 16 e 17 de novembro, na localidade de Minas do Camaquã, a 70Km de Caçapava do Sul/RS, a cerca de 300Km de Porto Alegre, qualificado como o primeiro evento multi-esportivo de aventura do Rio Grande do Sul.
O evento já conta com a participação confirmada de 12 modalidades esportivas. Na programação, além da prática amadora das atividades, serão realizados campeonatos, mostras fotográficas e de equipamentos, oficinas técnicas e palestras, além da agenda cultural, que contará com a apresentação de varias bandas musicais. 
O encontro está sendo organizado pela operadora de Ecoturismo e Turismo de Aventura Minas Outdoor Sports, que oferece atividades como trilhas interpretativas, passeios de bicicleta, canoagem, rapel, escalada, arvorismo, tirolesa, quadriciclo e muito mais. 
Todas as atividades esportivas serão representadas por suas respectivas associações e federações. A programação pode ser confirmada AQUI, sendo que a inscrição garante vários benefícios aos participantes. 
A localidade de Minas do Camaquã conta com total infraestrutura, pousadas, restaurante, área de camping, banheiros e muito mais. 
Outras informações com a organização no seguinte contato:
E-mail: sec.executiva@minas.rs
Site: www.minas.rs
(55) 4052 9033 / (55) 9976 5682 
Equipe Minas Outdoor Sports

sábado, 12 de outubro de 2013

Fotografia: Dois ensaios viajantes - Fronteira Mirim e Viagem pela Linha Invisível

Arroio Chuí, fronteira entre Brasil e Uruguai. Foto: Marco A. F.
Faz tempo que estou para indicar aqui no blog dois ensaios fotográficos muito interessantes sobre duas viagens um tanto fora dos roteiros convencionais, no extremo meridional do Brasil, desconhecidos dos próprios gaúchos.

O primeiro é a expedição fotográfica Viagem pela Linha Invisível, dos jornalistas Marco A. F. e Eduardo Veras, que acompanharam por terra o curso do Rio Uruguai, fronteira entre Brasil, Argentina e Uruguai, desde o município de Derrubadas no norte do Rio Grande do Sul até a foz do Arroio Chuí, junto ao oceano Atlântico.

No melhor estilo road movie os autores tecem comentários curtos e reflexões ao longo dos 3 mil quilômetros do trajeto percorrido entre 8 e 21 de julho deste ano, em pleno inverno sulista. As poucos vão registrando impressões e sentimentos sobre a paisagem pampeana e os personagens encontrados pelo caminho, com fotos de Marco A. F. e texto de Eduardo Veras.

Foto: Marco A. F.
Marco foi aluno de Veras, que o convidou para participar do projeto de descoberta, com o mínimo de informações sobre os locais por onde iriam passar, de forma a registrar em imagens e textos a impressão bruta dos cenários e personagens que encontrassem na viagem. O resultado da expedição deverá resultar em uma exposição e livro fotográfico previstos para o início de 2014, com financiamento do Fundo de Apoio à Cultura.

A minha segunda indicação é o projeto Fronteira Mirim, dos fotógrafos - Ana Mendes, Marcella Marer e João Roberto Ripper, este último o fundador da Escola de Fotógrafos Populares, no Complexo da Maré, Rio de Janeiro.

Os três fotógrafos passaram 22 dias explorando a região da Lagoa Mirim, na divisa do Brasil com o Uruguai, tendo como enfoque principal nas comunidades de pescadores artesanais do distrito de Santa Isabel do Sul, no município de Arroio Grande, e de Vila do Porto, um bairro da pequena Santa Vitória do Palmar. O talento dos fotógrafos que imergiram no modo de vida local resultou em imagens p&b e coloridas de grande beleza e sensibilidade.

- A identidade gaúcha que povoa o imaginário é o pampa, o cavalho. Mas há muita água doce e salobra no Estado. Na Lagoa Mirim, onde passa a fronteira com o Uruguai, encontramos um tipo de gaúcho que vive nas águas e anda de barco. E também vimos o quanto eles estão cercados pela destruição ambiental - registrou Ana Mendes para o Jornal Zero Hora.

Foto: Ana Mendes
Foto: Ana Mendes

Veja mais fotos do projeto Fronteira Mirim AQUI.


domingo, 1 de setembro de 2013

Fotografia: Alfonso Abrahan e a época de ouro dos trem no sul do Brasil


Meu amigo Alfonso Abrahm Lhereux, fotógrafo da cepa, inagurará no próximo dia 16 de setembro, às 16h00, no Museu do Trem, Rio de Janeiro/RJ, a exposição ‘O Rio Grande Na Era do trem’, com trabalhos produzidos por ele próprio e por seu pai José Abraham, o "Espanhol", já falecido, que fotografou a fabricação de peças e carros em oficinas de Santa Maria e a chegada das primeiras máquinas G.E, no porto da Capital gaúcha.
Nesta inusitada mostra entre parceria pai e filho, serão enfocados os últimos anos de funcionamento dos trens no Rio Grande do Sul, pela RFFRS, e a desativação das locomotivas movidas a carvão. 
Uma das imagens que compõe a mostra. Crédito: Alfonso e José Abraham
Imagens das chamadas Maria Fumaça, em suas últimas viagens, foram registradas por Alfonso, compondo a exposição 40 fotos em tamanho 30cm x 45cm, em preto e branco. 
Para Alfonso, a mostra constitui uma viagem no tempo, que remete a uma época em que o trem era o principal meio de transporte tanto de cargas como de passageiros. 
Após a capital carioca a exposição irá para a cidade de Santa Maria/RS, em benefício das vítimas do incêndio da Boate Kiss havido no primeiro semestre deste ano.
Vamos torcer para que a exposição rode também por outras cidades, incluindo Porto Alegre!




sábado, 31 de agosto de 2013

Fotografia: Renato Grimm lança guia de aves do Parque Nacional da Lagoa do Peixe

Renato Grimm, um dos meus mestres e parceiros de fotografia de natureza há muitos anos lançou nesta semana um livro excepcional e largamente gestado: Santuário das Aves - Parque Nacional da Lagoa do Peixe, área que serve de abrigo para grandes concentrações de aves migratórias do Hemisfério Norte (no verão) e Sul (no inverno).

Com 232 páginas, capa dura, mais de 200 imagens e textos em português e inglês, o livro é ímpar pois resulta de 17 anos de pesquisas fotográficas na região do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, nos municípios de Mostardas e Tavares, Rio Grande do Sul, um dos locais preferidos do nosso grupo de fotógrafos de natureza.



A obra está disponível na Livraria Cultura ou no website do fotógrafo Renato Grimm e trata-se de guia indispensável para quem pretende visitar a região.

Características:

- Capa dura e qualidade fotográfica
- Tamanho 26 x 19,50 cm
- 232 páginas
- 200 imagens
- textos descritivos em português e inglês com a colaboração de biólogos
- ISBN 978-85-66886-00-9
- Edição independente 2013
- Preço: R$ 90,00

Vejam aqui a recente cobertura da imprensa sobre o livro do Renato (clique para ampliar)!





quarta-feira, 10 de julho de 2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

Lugarzinhos: Pousada Cantelli, no coração da imigração italiana


Em fevereiro deste ano estive mais uma vez percorrendo os Caminhos de Pedra, roteiro no interior de Bento Gonçalves/RS, onde se encontram alguns dos mais belos exemplares de casas remanescentes dos primórdios da colonização italiana no sul do Brasil.

A viagem fotográfica rendeu uma matéria para a Revista Sports Mag, Ed. 47., de maio/2013.

Confira a seguir (clique na imagem para ampliar)!







segunda-feira, 29 de abril de 2013

Aparados da Serra: Drama fatal no Cânion Itaimbezinho

Cânion do Itaimbezinho - Parque Nacional dos Aparados da Serra

Recebi ontem a notícia por amigos da região quanto à ocorrência de um acidente fatal na Trilha do Cotovelo, junto ao Cânion do Itaimbezinho, no Parque Nacional de Aparados da Serra, localizado nos municípios de Cambará do Sul/RS e Praia Grande/SC.

Região do Parque Nacional da Serra Geral
Cambará do Sul/RS e Praia Grande/SC
Segundo as informações, ainda predominantemente verbais, Márcia da Silva Magnus, 23, procedente de Canoas/RS e com familiares em Praia Grande/SC, teria caído pela escarpa e dentro do Cânion Itaimbezinho durante o período de abertura do parque à visitação pública no último sábado.

O cânion pode atingir uma altura de cerca de 700 metros no local e esperei a confirmação do fato antes de postar a notícia no blog. Até o momento a notícia sequer apareceu na mídia falada e escrita.




A polícia civil e os bombeiros foram acionados para investigação e resgate do corpo e há indícios de que possa se tratar de suicídio, uma vez que um bilhete e pertences da jovem teriam sido encontrados junto à borda do cânion após a queda.

Um helicóptero do Corpo de Bombeiros de Florianópolis foi deslocado para auxiliar no resgate e, na sequência, deverão ser procedida perícia no documento encontrado e também exames clínicos para verificação de eventual uso de álcool ou drogas pela jovem.

Márcia Magnus
Foto Facebook
O Chefe do Parque Nacional de Aparados da Serra, Deonir Geolvane Zimmermann, informou hoje diretamente para este Blog que, diante das efetivas evidências de prática de suicídio sobre a qual não há responsabilidade da unidade, não haverá qualquer restrição à entrada de visitantes.

Embora seja sabido que a mídia não costuma divulgar notícias desta natureza, aguardemos maiores informações.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Cone Sul: Exposição "12 Mil Anos de História - Arqueologia e Pré-história do Rio Grande do Sul"

Fonte: Museu da UFRGS

Para quem gosta de história e arqueologia, e eu me incluso nesta lista, segue a notícia de abertura de uma exposição sobre a arqueologia e a pré-história no sul do Brasil organizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, enfocando a ocupação humana antes da chegada dos colonizadores europeus na região.


A ocupação humana do território hoje definido pelo Estado do Rio Grande do Sul iniciou há cerca de 11 mil anos com a chegada de grupos de caçadores-coletores vindos do norte, seguida por uma segunda onda migratória há dois mil anos, composta por índios guaranis oriundos da Amazônia.

Sendo um povo mais forte e mais organizado, submeteram praticamente todos os antigos habitantes, introduzindo também a agricultura e aperfeiçoando a cerâmica.

Quando o Brasil foi "descoberto", em 1500, quase todos os índios do Estado, que somavam de 100 mil a 150 mil na estimativa dos estudiosos, já eram guaranis ou estavam misturados a eles e habitavam a região há pelo menos 11.500 anos da chegada dos europeus.

A exposição é pequena em tamanho mas interessantíssima em conteúdo, destacando as descobertas arqueológicas como fio condutor da pré-história gaúcha.

Belas peças líticas podem ser vistas, assim como grandes ilustrações sobre o modo do vida dos primeiros habitantes do sul do país. Uma impressionante escultura (zoólito) de um tubarão é para mim um dos destaques da mostra e foi encontrada no litoral do Rio Grande do Sul, na região de Capão da Canoa.





Toda esta saga pode ser conferida na exposição 12 Mil Anos de História: Arqueologia e Pré-história do Rio Grande do Sul aberta para visitação até o dia 14/03/2014 no Museu da UFRGS, situado na Av.  Oswaldo Aranha, 277, no Campus Central da universidade, em Porto Alegre/RS.

A entrada é gratuita e o horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 18h00, bem como no último sábado de cada mês das 9h00 às 13h00.

O evento possui apoio da Sociedade Brasileira de Arqueologia, do Ministério da Cultura e do Instituto Histórico e Artístico Nacional, e patrocínio da Petrobrás.

Segue a notícia publicada no Jornal Zero Hora de hoje:


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Zero Hora - Porto Alegre - 23 de abril de 2013 | N° 17411
Museu da UFRGS mostra pré-história

O Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Núcleo de Pesquisa Arqueológica (NuPArq) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas promovem a exposição 12 Mil Anos de História: Arqueologia e Pré-história do Rio Grande do Sul.

Inaugurada ontem, a exposição segue até 14 de março do ano que vem.

Inspirada no ofício do arqueólogo, a mostra apresentará a História pré-colonial do Rio Grande do Sul, que pode ser contada por meio das sucessivas migrações humanas para o nosso território, das relações destes migrantes com os grupos já existentes, dos novos padrões culturais adotados como respostas adaptativas aos diversos ambientes.

Com o objetivo de aproximar o público do ofício do arqueólogo e do patrimônio arqueológico, bem como proporcionar uma maior aproximação com noções de preservação, o museu oferecerá oficinas, visitas mediadas, cursos para professores da rede pública, entre outras atividades.

Interessados podem agendar visitas de grupos, mediadas por alunos de diferentes cursos de graduação da UFRGS. Com curadoria de Silvia Copé, doutora em pré-história e coordenadora técnica do NuPArq, o evento tem apoio da Sociedade Brasileira de Arqueologia, do Ministério da Cultura e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e patrocínio da Petrobras.

Exposição conta objetos como pontas de flecha

A exposição ilustra as ondas migratórias que ajudaram a formar a população do Rio Grande do Sul. São recriados ambientes que mostram como viviam os grupos em casas subterrâneas na Serra, em sambaquis no Litoral, em cavernas próximas do Rio Ibicuí e em casas dos homens do Planalto das Araucárias.

Também são expostas pontas de flecha, boleadeiras, machados e instrumentos de caça diversos, urnas e vasos de cerâmica e zoólitos (pedras com representação de animais).


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ecologia: A Febre de Gaia, uma lição de Lutzenberger

Um frágil equilíbrio...
Rincão Gaia. Fotografia macro. Pantano Grande/RS


Nos últimos tempos tenho me dedicado um tanto à leitura dos escritos de José Lutzenberger, pensador, filósofo, ambientalista e referência global na ciência da Ecologia e do ativismo em prol da conservação da natureza e da adoção de uma economia eco-sustentável.

Na data em que se comemora o Dia da Terra trago para a reflexão um do seus escritos, curto em extensão mas de imenso conteúdo.

Por favor, pare por apenas 5 minutos, faça esta leitura e reflita. Não demora e garanto que você vai gostar.

Nosso planeta merece, Feliz Dia da Terra para todos nós!


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A FEBRE DE GAIA 


Um texto de
José Lutzenberger, julho de 2000 



A faixa de temperaturas nas quais a Vida pode existir e florescer, isto é, a faixa de temperaturas que torna possível a bioquímica, a química das proteínas, carboidratos, hidrocarbonetos, ácidos nucleicos, a construção de células vivas e organismos, a qual é também a faixa na qual a água pode coexistir em suas três fases físicas – líquida, gasosa e sólida – é extremamente estreita, se comparada com as temperaturas que prevalecem no Universo como um todo. 

Estas variam desde perto do zero absoluto, 273ºC negativos, no espaço interplanetário ou em planetas distantes como Netuno e Plutão, até entre 400 e 500ºC positivos em Vênus; aproximam-se dos 20 a 40°C negativos no verão, ao meio-dia, na linha do Equador de Marte; vão a aproximadamente 6000°C na superfície de nosso Sol, perto de 20 milhões de °C em seu interior; mais, muito mais ainda, na superfície de estrelas maiores e chegando a bilhões de °C nas fornalhas de estrelas em implosão – as supernovas. 

Tivéssemos de representar este alcance de temperaturas sobre uma linha na qual cada grau fosse um milímetro, esta teria um comprimento de várias centenas de milhares de quilômetros. Ela iria a uma distância muito além da Lua.

A faixa propícia para a Vida vai de alguns graus abaixo de zero, onde a Vida só sobrevive em repouso, até aproximadamente 80 graus positivos para alguns poucos organismos - certas bactérias e algas que conseguem viver em vertentes quentes nos precipícios marinhos e nos géiseres, o que totaliza uma faixa de aproximadamente 100°C. Se aplicada na referida linha, ela cobriria uns dez centímetros. Dez centímetros sobre várias centenas de milhares de quilômetros! 

Desde esta perspectiva, percebemos o quanto é precioso nosso mundo. Ele se torna mais precioso ainda quando aprendemos que a Vida foi capaz, ao longo de mais de 3,5 bilhões de anos, de contrabalançar forças que tendiam a tornar a Terra muito mais quente ou muito mais fria. Sabemos, por considerações cosmológicas, que o Sol é atualmente de 20 a 30% mais quente do que era quando a Vida começou a se estruturar nos oceanos primordiais. Nosso planeta poderia ter acabado numa situação de descontrolado efeito estufa, como em Vênus: um pouco menos quente, mas, ainda assim, com ao redor de 200°C positivos. Os oceanos teriam se evaporado. 

Ou se, por alguma razão, na época das primeiras manifestações de Vida, com o Sol ainda mais frio, houvesse nebulosidade demais, o desequilíbrio poderia ter ido em sentido contrário. O albedo elevado - isto é, a refletividade aumentada para a luz – teriam refletido grande parte da energia solar incidente de volta para o espaço sideral. Menos calor, mais neve, mais albedo ainda, menos calor ainda. A Terra poderia ter se tornado uma bola coberta de neve. Em qualquer dos casos, Gaia nem teria se tornado realidade ou teria perecido logo.

No entanto, conscientemente, estamos bagunçando todos os mecanismos de controle climático - com dióxido de carbono demais, metano, óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre, freons, hidrocarbonetos, desmatamento e desertificação. Por quanto tempo mais poderemos abusar do sistema? Quanto tempo demorará Gaia para ficar com febre? Será mesmo necessário que conheçamos todos os detalhes para começarmos a agir? 

Quando as coisas começarem a dar errado, elas não precisam descontrolar-se completamente. Não precisamos chegar a outra era glacial ou derretimento das capas de gelo na Groenlândia e Antártida, com inundação das maiores cidades e territórios de elevada densidade populacional. A exacerbação das irregularidades climáticas que já se verificam, breve nos colocará numa situação na qual não mais poderemos contar com colheitas seguras. Atualmente, somos ao redor de 6 bilhões de humanos. As reservas de alimentos estão diminuindo. De que nos serviria um clima de praia em Spitzbergen, se não tivermos mais o suficiente para comer? E o que dizer das convulsões sociais, revoluções e guerras que resultariam daí, com figuras como Saddam Hussein e outros tendo acesso a armas de destruição em massa? 

O que para Gaia, ao longo de seus 10 bilhões de anos de expectativa de vida e com pelo menos mais 5 bilhões pela frente, poderia ser apenas uma leve e passageira febre, talvez representasse o fim da Civilização Humana. 

Uma pessoa sábia talvez arrisque aprender com seus erros, mas ela certamente evitará experimentos nos quais, se derem errado, as consequências serão inaceitáveis e irreversíveis. Como podemos fazer os poderosos compreenderem que a Moderna Sociedade Industrial está embarcada precisamente neste tipo de experimento? 

(Tradução por Lilly Lutzenberger, do original GAIA’S FEVER, publicado na revista ambientalista britânica “The Ecologist”, volume 29, nr. 2, março/abril 1999. Fonte subsidiária: Fundação Gaia - Legado Lutzenberger)

* Todas as macrofotografias que ilustram esta postagem foram feitas no Rincão Gaia, em Pantano Grande/RS, concebido por José Lutzenberger como exemplo de recuperação de áreas degradadas e centro de educação ambiental e de divulgação da agricultura regenerativa.

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Gostou? Então saiba um pouco mais sobre José Lutzenberger assistindo o vídeo a seguir!


 

Ficha técnica do filme "O Legado Lutzenberger":

"Excêntrico. Profundamente lúcido. Idealista. Gênio. José Lutzenberger morreu em 14 de maio de 2002, mas suas idéias continuam vivas. Este documentário mostra depoimentos inéditos do ambientalista Lutzenberger. Num conturbado momento ambiental, O LEGADO LUTZENBERGER é mais um sinal de alerta para os graves problemas mundias, na área do meio-ambiente. Com gravações em Porto Alegre (RS), Viamão (RS), Torres (RS), Garopaba (RS) e Brasília (DF), o documentário tem depoimentos de amigos, colaboradores e suas filhas que continuam o trabalho do pai através da Fundação Gaia. A direção é de Frank Coe, que durante anos acompanhou Lutzenberger, que assina o roteiro junto com Rafael Guimaraens. Narração João Diemer e trilha sonora de Yanto Laitano.

Frank Coe"