sábado, 18 de janeiro de 2014

Ecologia/4x4: A dança das dunas no litoral sul

Antigo Farol da Conceição, destruído pelo avanço do mar no litoral sul do Rio Grande do Sul.

Há muito tempo faço incursões pelo litoral sul do Rio Grande do Sul em busca de imagens e da paz de uma rara região praticamente desabitada.

Essa faixa litorânea é composta por encostas baixas e arenosas, onde destaca-se uma paisagem de dunas dinâmicas (móveis) de areia fina, as quais constantemente migram de lugar em razão do vento e da ação do mar.

O Jornal Zero Hora de hoje publicou na sua página 24 uma interessante matéria abordando este fenômeno que ora prolonga e ora reduz a faixa de areia frente ao mar, ora derrubando ou ora soterrando as construções feitas pelo homem.

Fonte: Jornal Zero Hora

Um dos locais mais representativos desta erosão é onde está localizado o antigo Farol da Conceição, na localidade do Bojurú, um marco na paisagem bem conhecido dos pescadores e viajantes em 4x4 do litoral sul.

Farol da Conceição, no litoral médio do Rio Grande do Sul. 
Em 1988 o Farol encontrava-se em bom estado. Em 1997 o mar já o havia derrubado e em 1999 a
casa do faroleiro também foi destruída pela erosão.
Fonte: Erosão e Progradação do Litoral Brasileiro / MMA/SQA/Gercom.
Fonte: Blog Eng. Marco Lyra - Obras de Defesa Costeira
Fonte: Panoramio - Marcos Moser
O mesmo local atualmente. Foto Zero Hora.
Segundo diversos estudos, dentre eles o dos pesquisadores Elaine Goulart e Lauro Calliari, a região sofre um acentuado processo erosivo, que tem sido documentado por diversos autores (Toldo Jr. et al. em 2005, Pereira et al. em 2007, Speranski & Calliari em 1999, Buchmann em 2002, Martins et al. em 2004, entre outros). Para eles o indício mais marcante da erosão costeira no litoral central do RS foi justamente a queda do antigo Farol da Conceição durante uma tempestade em 1993 e o colapso da casa do faroleiro em 1999.

Em 2006 estive a última vez neste mesmo ponto, onde o mar tem avançado cerca de 3,2 metros anualmente em direção ao cordão de dunas. Se vê abaixo que então as ruínas do farol, que hoje já estão cercadas pelo mar, ainda estavam junto à linha de areia.


Ruínas do Farol da Conceição no ano de 2006.

O novo farol e a antiga casa do faroleiro demolida pelo avanço do mar.





Por outro lado este fenômeno natural que retira os alicerces das construções também as soterra inexoravelmente como se dê nesta imagem do Parque Nacional da Lagoa do Peixe feitas agora neste mês de janeiro de 2014:

Casa soterrada pelas dunas no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, Mostardas/Tavares, RS.

Veja abaixo a íntegra da matéria publicada na Zero Hora.

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Dança invisível18/01/2014 | 06h02 - Zero Hora Online

Migração dos grãos de areia modifica a paisagem litorânea

Conforme a intensidade em que ocorre, fenômeno pode reduzir ou aumentar a faixa onde os veranistas instalam os guarda-sóis durante o veraneio

Migração dos grãos de areia modifica a paisagem litorânea Diego Vara/Agencia RBS
Vaivém dos sedimentos forma colinas gigantes no Balneário Dunas Altas, em Palmares do SulFoto: Diego Vara / Agencia RBS
Em um movimento considerado natural por especialistas, a areia depositada no fundo do mar realiza um constante balanço que, conforme a intensidade, pode reduzir ou aumentar a faixa onde os veranistas instalam os guarda-sóis durante o veraneio. Na Praia Grande, em Torres, e no Cassino, em Rio Grande, por exemplo, a faixa de areia aumenta com o passar dos anos.
Ao mesmo tempo em que o vaivém dos sedimentos forma colinas gigantes no Balneário Dunas Altas, em Palmares do Sul, reduz drasticamente o tamanho de uma praia a 200 quilômetros dali, onde existia o Farol da Conceição. A erosão provocada no local derrubou o farol e uma casa, segundo o professor Elírio Toldo, do Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica (Ceco), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Inabitada, a praia do farol sofre de um processo natural que ocorre nos 615 quilômetros de costa gaúcha.
– Todo o litoral é formado, principalmente, por areias finas e não recebe nenhuma contribuição dos rios. Toda movimentação das areias, por ondas e por correntes, ocorre essencialmente com as que ali se encontram. E, como esta movimentação ocorre em taxas desiguais, os trechos perdem ou recebem diferentes volumes – explica Toldo.
A erosão também pode ser notada na Praia do Hermenegildo, no sul do Estado. Conforme Lauro Júlio Calliari, professor do Laboratório de Oceanografia Geológica da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a faixa de areia chega a perder em média três metros por ano no local, redução semelhante à registrada no Farol da Conceição, de 3,2 metros.
– O farol é um exemplo de erosão sem  influência humana. Já no Hermenegildo, há ocupação urbana muito próxima da areia – comenta o professor da Furg.
Nos dois locais, explica Calliari, a morfologia favorece a altura da onda e, consequentemente, a erosão. O mesmo não acontece com o Cassino. Os molhes contribuem para o acúmulo de areia e o aumento da faixa em até 16 quilômetros de extensão.
– O Cassino é protegido de erosão. Além de ter uma praia larga, a ocupação é bem atrás das dunas. É a praia mais segura do ponto de vista de tempestades. Dificilmente a água vai chegar às casas – comenta Calliari.
Erosão movimenta milhões de toneladas
Os professores explicam que, em geral, não há o que ser feito para evitar o processo de erosão, que todos os anos movimenta milhões de toneladas de areia. Toldo salienta que as praias são terrenos instáveis. A olho nu, a mudança pode levar anos, décadas ou séculos para ser notada.
Periodicamente, estudantes do Instituto de Geociências da UFRGS realizam medições no litoral gaúcho, com o uso de um correntômetro (medidor de correntes), que estima a quantidade de areia movida entre duas linhas de quebra de onda.
Para amenizar a redução, algumas medidas podem ser tomadas, mas a melhor estratégia de proteção da praia e das pessoas é a não construção de habitações muito próximas da orla. Além do controle por meio de uma faixa de recuo, a criação de molhes e a preservação de dunas, principalmente as de frente para o mar, são fundamentais. Segundo os especialistas, pontos como o Balneário Dunas Altas são importantes reservatórios de areia e atuam como barreiras de proteção contra a ação das ondas.
A FAIXA DE AREIA
Onde mais cresce• Cassino (Rio Grande)
• Praia Grande (Torres)
Onde mais reduz• Farol da Conceição (São José do Norte)
• Praia do Hermenegildo (Santa Vitória do Palmar)
O DESLOCAMENTO DOS GRÃOS
• Cerca de 80% das praias arenosas do RS sofrem erosão. As taxas são variáveis, mas ela se dá, em maior intensidade, ao longo do Litoral Médio, e, em menor intensidade, no Litoral Norte.
• O principal destino das areias é o campo de dunas costeiras. O imenso volume de areia existente nos campos de dunas, principalmente nas regiões de Mostardas e Dunas Altas, é originário das praias adjacentes.
• Outros sumidouros das areias erodidas nas praias são os gigantescos bancos
de areias que se formam no mar. No Estado, ainda não há nenhum visível.
Fontes: Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica (Ceco) da UFRGS e Laboratório de Oceanografia Geológica da FURG
ZERO HORA

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Fotografia/Antártida: Encontrados no gelo antártico negativos esquecidos da expedição Shacketon 1914-1917

Membro da equipe da Antartic Heritage Trust que encontrou os negativos da expedição de Shackleton de 1914-1917 no refúgio antártico de Scott. Fonte: Desnível.Com


Nada como começar a primeira postagem de 2014 tratando de... fotografia!

Recebi ontem do meu amigo Leonardo Bazzana, guia de montanha em Mendoza, Argentina, o link com a notícia da descoberta no gelo da Antártida de 22 negativos inéditos da Expedição Imperial Transatlântica liderada por Sir Ernest Shackleton entre 1914 e 1917.

As expedições ao continente gelado já foram abordadas aqui no Blog Terra Australis em pelo menos duas postagens que podem ser lidas aqui:

- ESPECIAL - Livros/Náutica/Fotografia - Shackleton, Hurley e a inacreditável saga do Endurance! (12/01/2010)

- Explorações/Antártida: As bases polares de Shackleton e Scott - A preservação de monumentos em condições extremas (22/01/2010)

O mérito do feito é da fundação neozelandeza Antartic Heritage Trust durante os trabalhos de restauração de um dos centenários refúgios dos pioneiros da exploração polar que ainda se conservam no gelo da Antártida. O achado dos negativos se deu em uma cabana construída por Scott durante a corrida de conquista ao pólo sul e posteriormente ocupada por uma das expedições lideradas por Shackleton. O material estava congelado em uma caixa de madeira encontrada em uma pequena peça que se supõe tenha sido originalmente utilizada como quarto escuro pelo fotógrafo Herbert Pointig, da Expedição de Scott de 1910-1913.

Não se conhece ainda com certeza a autoria das imagens e embora elas não contenham nenhuma nova informação sobre as expedições polares, sem dúvida constituem um material inédito de grande importância histórica.

Os negativos estavam congelados e unidos entre si, tendo sido levados para a Nova Zelândia para o trabalho de restauração e digitalização das imagens que continham. Além das paisagens antárticas, em duas delas aparece Alexander Stevens à bordo do navio Aurora, cientista-chefe da Expedição de Shacleton de 1914-1917. As fotografias podem ser conferidas online AQUI.

    Alexander Stevens à bordo do Aurora durante a expedição de Shackleton de 1914-1917. Fonte: Desnivel.Com
Fonte: Desnivel.Com

O achado dos centenários negativos de nitrato de celulose me levam à imediata reflexão quanto conservação da memória fotográfica em tempos de digitalização total da informação.

Embora com inegáveis e justificados prejuízos na qualidade da imagem, o certo é que as fotografias gravadas em rústicos negativos de nitrato de celulose sobreviveram no gelo antártico por um século. Será que as imagens digitais que produzimos às mancheias e armazenamos nos atuais substratos magnéticos, supostamente tidas como eternas, ainda poderão ser encontradas daqui a 100 anos???

Informações mais completas sobre este achado histórico podem ser vistas no relatório da Antartic Heritage Trust neozelandeza AQUI e conferidas mais abaixo a matéria original publicada pela revista espanhola Desnível, especializada em montanhismo.


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Fonte: Desnível.Com

PERTECEN A LA EXPEDICION DE SIR ERNEST SCHACKLETON DE 1914-17

Encontradas en una cabaña del capitán Scott 22 fotos tomadas en la Antártida hace 100 años

En una cabaña abandonada en el Cabo Evans, en la Antártida se encontraron varios negativos fotográficos, algunos en buen estado de conservación. Estaban congeladas y pegadas entre sí. Son fotos tomadas hace 100 años, durante la Expedición Imperial Transatlántica (1914-1917) que dirigió el explorador Ernest Shackleton.

Por Víctor Riverola y Jekaterina Nikitina - Jueves, 2 de Enero de 2014 - Actualizado a las 13:30h.
La Antartic Heritage Trust de Nueva Zelanda presenta 22 imágenes reveladas y restauradas tomadas en la Antártida hace 100 años.

En una cabaña abandonada en el Cabo Evans, en la Antártida y por caprichos del destino, se encontraron varios negativos fotográficos, algunos en buen estado de conservación. Todas las placas de nitrato de celulosa encontradas en la cabaña, se encontraban congeladas y pegadas entre sí, no obstante, la fundación neozelandesa Antartic Heritage Trust (Fundación del Patrimonio de la Antártida) ha podido trabajar durante casi un año con todo el material hallado, restaurando y revelando 22 fotografías en blanco y negro tomadas en la Antártida hace 100 años, durante la Expedición Imperial Transatlántica(1914-1917) que dirigió el explorador Ernest Shackleton. Los negativos de nitrato de celulosa, considerados como una pieza única a nivel histórico, estaban congelados dentro de una caja en la pequeña habitación que Herbert Ponting, fotógrafo de la expedición de Scott de 1910 a 1913, utilizaba como cuarto oscuro. Dicha expedición ocupó la cabaña durante un tiempo indeterminado, siendo para ellos un enclave estratégico bastante familiar pues, según parece, el propio Scott ya había utilizado dicha cabaña como campamento en varias expediciones anteriores. El explorador inglés se convirtió en toda una celebridad al perder la carrera por ser el primero en llegar al Polo Sur por 33 días frente al noruego Roald Amundsen. Aunque de momento se ignora el nombre del autor de las fotografías, se está trabajando con la hipótesis de que sean obra del sacerdote y fotógrafo licenciado en Cambridge, Arnold Patrick Spencer-Smith, miembro del conocido Ross Sea Party, que formó parte de la Expedición Imperial Trans-Antártica de Sir Ernest Schackleton entre 1914 y 1917. La Ross Sea Party ocupó la cabaña de Scott entre los años 1915 y 1917.

La Fundación se encarga en estos momentos de acabar de inventariar y restaurar las imágenes recuperadas, algunas bastante deterioradas y otras en mejor estado. Los miembros de la fundación han identificado varias zonas de la Antártida con bastante exactitud, como pueden ser el estrecho McMurdo o la isla de Ross, donde el grupo menos numeroso quedó atrapado. Como detalle significativo, junto a los paisajes identificados, en alguna de las imágenes se puede ver con claridad al jefe científico de la expedición, Alexander Stevens, en el Aurora.

El descubrimiento de las imágenes fue una casualidad incluso para los máximos responsables de la Fundación neozelandesa. “No pensamos que la pequeña caja que encontramos tuviera nada de relevancia”, comentó el director ejecutivo de la fundación, Nigel Watson. -“Este ha sido un hallazgo realmente emocionante, de gran valor histórico. Es algo único y estamos encantados de poder ver expuestas fotografías míticas 100 años después. Es un testimonio y un homenaje de nuestros esfuerzos para conservar el legado que nos dejó Scott durante el tiempo que pasó en la cabaña del Cabo Evans”, añadió Watson.

Mark Strange, responsable de todo el proceso de restauración, ha comentado que los negativos han necesitado un tratamiento especial que se inició hace casi un año, comenzando por la ardua tarea de separar y limpiar (incluyendo la manipulación de los moldes y la eliminación de marcas y arañazos) las placas que se encontraban en mejor estado, trabajando para consolidar todas las capas de imagen de nitrato de celulosa. Las primeras 22 placas separadas se revelaron y se enviaron a la New Zealand Micrographic Services para ser escaneadas con un escáner de alta resolución profesional. Las imágenes escaneadas digitalmente se convirtieron en positivos digitales de alta calidad, que fueron entregadas a laAntartic Heritage Trust para su conservación y almacenamiento en las mejores condiciones posibles.

Este no es el primer descubrimiento llamativo de esta fundación austral, que durante otra expedición científica en la Antártida, en 2010 había encontrado tres barriles de whisky y dos de brandy pertenecientes a otra expedición de Shackleton, en este caso la que dirigió en 1908.
Grandes nombres en la Antártida

Durante la segunda aventura de Scott en la Antártida, el explorador inglés encabezó un grupo de cinco hombres que alcanzó el Polo Sur el 17 de enero de 1912, aunque sólo para descubrir que la expedición noruega capitaneada por Roald Amudsen se les había adelantado. En su viaje de vuelta, Scott y sus cuatro camaradas perecieron por una combinación de agotamiento, hambre y frío extremo. Antes de su nombramiento para dirigir la Expedición Discovery, Scott había seguido una carrera convencional en tiempo de paz como oficial de la armada inglesa, donde las oportunidades de promoción profesional estaban limitadas y, por tanto, muy solicitadas por los oficiales ambiciosos. Fue la oportunidad para obtener distinción personal lo que llevó a Scott a liderar la Discovery, más que ninguna otra predilección por la exploración polar. Sin embargo, tras dar este paso su nombre quedó inseparablemente vinculado a la Antártida, el campo de trabajo al que dedicó los últimos doce años de su vida.

Tras conocerse la noticia de su muerte, Scott se convirtió en un icónico héroe británico, un estatus que mantuvo durante más de medio siglo y que quedó reflejado en los numerosos memoriales levantados por todo su país. En las últimas décadas del siglo XX su leyenda fue evaluada de nuevo y la atención se centró en las causas del desastre que terminó con su vida y con la de sus camaradas, así como el grado de culpabilidad del propio Scott. Así, el explorador pasó de leyenda a figura controvertida, cuestionada en su competencia y carácter. En el siglo XXI su figura ha sido considerada más positivamente, y se enfatiza su valentía personal y estoicismo al mismo tiempo que se reconocen sus errores y el fracaso de su expedición se achaca principalmente a la mala fortuna.

Aquella expedición, tras la pérdida por los aventureros ingleses del honor de ser los primeros que llegaban al extremo más austral del globo, quería batir otro récord: ser la primera que cruzaba el continente helado. Pero tampoco pudo ser. Para empezar, uno de los barcos de la partida, el Endurance, quedó atrapado por los hielos que lo comprimieron hasta romperlo. Ello supuso una importante pérdida de material. Sin embargo, Shackleton, que ya había viajado con anterioridad a la Antártida, consiguió mantener el grupo de 27 personas sin bajas hasta que fueron rescatados dos años más tarde, en lo que se consideró un prodigio de supervivencia. La otra parte de la expedición, encargada de aportar suministros al final de la expedición, tuvo peor suerte: también perdió el barco, el Aurora, y se vio bloqueada, y de los 10 hombres que la componían solo regresaron con vida siete.