quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Por que este blog se chama Terra Australis?

(Orontius Finaeus, 1531)

Nos antigos mapas europeus do século XV a Terra Australis aparecia como um continente hipotético, imaginário, tendo como tradução do latim o significado de "Terra do Sul". Em outras cartas era também referida como "Terra Australis Incognita" e, em sua essência, referia-se ao desconhecido e misterioso espaço vazio que tanto atraía quanto atemorizava a imaginação dos antigos navegantes.

As primeiras noções desta Terra Australis são encontradas em Aristoteles e foram difundidas por Ptolomeu a partir do século I, que acreditava haver terra firme ao sul do Oceano Índico como forma de manter o equilíbrio do mundo com as terras então conhecidas no hemisfério norte.

No topo deste texto está o famoso mapa o matemático italiano Oronzio Fineo, a qual mostra o hipotético continente claramente separado da América do Sul pelo Estreito de Magalhães. A superposição da carta com os limites do hoje conhecido Continente Antártico é bastante interessante como se vê abaixo:

Já durante a Renascença Ptolomeu foi uma das principais fontes para os cartógrafos europeus e este território lendário começou a aparecer em alguns mapas como um continente de linhas indefinidas ao redor do pólo sul, mas muito maior que a atual Antártida.

Mapas do século XVI elaborados por Dieppe enfatizam a existência do misterioso continente, em especial a partir do forte interesse europeu pela região após a descoberta do Brasil em 1500 e do estabelecimento da colônia França Antártica na América do Sul em 1555.

(Jacques de Vaux, 1583)

Jacob Le Maire e Willem Schouten contornaram o Cabo Horn em 1615 e concluiram que a Terra do Fogo era na verdade uma ilha relativamente pequena, separada da Terra Australis que deveria existir mais ao sul. Jacob com seu irmão Isaac chegou a constituir a Companhia Australiana (Australische Compagnie) para comerciar com a Terra Australis, a qual era por eles referida como "Australia".

(Jodocus Hondius, 1608)

Evidências da existência de terras ao sul descobertas por navegadores como Abel Tasman, o primeiro ocidental a avistar a Nova Zelândia em 1642, foram tidas como parte da Terra Australis, assim como a Australia e o sul da África.

(Jan Janssonius, 1637)

A procura pelo continente perdido ainda encontra referências em Juan Fernandez, que declarou tê-lo descoberto em navegação feita a partir do Chile em 1576 e que, aceita na década de 1760 pelo Governo Britânico, motivou a ordem para que James Cook conduzisse o HMS Endeavour na busca de novos territórios tanto ao Sul quanto ao Oeste do Tahiti.

Durante a primeira circunavegação da Nova Zelândia por volta de 1770 foi demonstrado por Cook que esta não fazia parte de um continente maior e, na sua segunda navegação de volta ao mundo, chegou a cruzar o círculo polar antártico, trazendo notícias de que poderiam haver terras com clima temperado mais ao sul e além das regiões geladas que avistou.

O certo é que a Terra Australis Incognita sempre foi sinônimo de mistério e fascinação, inspirando navegantes, exploradores, aventureiros a partir para os confins do globo e muito além das fronteiras até então conhecidas.

(Abrahan Ortelius, cerca de 1570)

Por este motivo, mas sem tanta pretensão, o nome deste blog e do site que o precedeu foi assim escolhido, traduzindo o espírito intrínseco da curiosidade humana de buscar o novo e partir rumo ao desconhecido.

Se nos dias de hoje isto pode ser feito a partir de uma confortável poltrona em frente ao computador, dentro da segurança do lar ao invés do rústico convés de uma nau ou uma caravela, tanto melhor!

Mas, com absoluta certeza, o prazer de deixar levar-se pela imaginação ao navegar pela web ou pelas páginas de um livro instigante não será muito diferente daquela que inspirou os antigos descobridores e lançarem-se aos 7 mares em busca da lendária Terra Australis...

Bom proveito!

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