sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Antártida: Inaugurada nova base brasileira Criosfera I


Criosfera 1 é inagurada no Continente Antártico. Foto: Centro Polar e Climático da UFRGS

Em outubro último noticiei AQUI no blog o embarque da expedição que instalaria a primeira estação polar brasileira na parte continental da Antártida.

Pois abro esta postagem com a foto da inauguração da Criosfera I no último dia 12 de janeiro, o primeiro módulo brasileiro para coleta de dados sobre a atmosfera, arduamente instalado 472 Km adentro da plataforma continental.

O módulo foi contruído no Brasil pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, despachado de em caminhão para Punta Arenas, no Chile, de onde seguiu em uma aeronave russa Ilyushin até o Continente Antártico. Dali seguiu o longo trecho final até o seu ponto de instalação nas coordenadas 84°S 79°30'W tracionada por um trator de gelo, onde os demais integrantes da expedição foram deixados de avião.


Embarcando no Ilyushin rumo à Antártida no Foto: INPE
No Continente Branco a Criosfera seguiu até o seu local definitivo tracionada por um trator especialmente desenvolvido para uso no gelo. Foto: Estado de São Paulo
Marcelo Sampaio, engenheiro do INPE e coordenador técnico do Projeto Criosfera 1 acompanhou o módulo na sua jornada pelo gelo e supervisionou a equipe de cientistas do INPE, e das universidades federais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul (UERJ e UFRGS) que participaram da montagem da estação polar.

O módulo Criosfera 1 na situação atual (antes da inauguração), ja com vários instrumentos e estação meteorlogica automatica instalada. Foto: Alexandre Alencar (UERJ)
A nova estação representa uma importante conquista do Programa Antártico Brasileiro e fará a monitoração automática do clima,  sendo alimentada por energia solar e monitorada via satélite.

Durante os trabalhos de montagem do módulo a equipe submeteu-se a temperaturas de até -17°C, com sensação térmica de -42°C, alojada em barracas polares e executando os trabalhos também ao ar livre.

Acampamento avançado, a 84°S, onde o módulo foi instalado. Foto: CPC/UFRGS/Divulgação
Uma outra parte da missão científica é a coleta de amostras (testemunhos) de gelo até a profundidade dee 100 metros, o que possibilitará, a partir da análise do ar nele contido, a reconstrução dos últimos 300 a 400 anos da história da atmosfera terrestre.

Testemunho de gelo. Foto: Marcelo Arevalo (CECS-Chile). Foto: Divulgação
O isolamento da equipe responsável pela Criosfera fez com quem passasse o Natal e o Ano Novo no gelo, muito longe de casa e, segundo o o glaciologista brasileiro Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a temperatura esteve na casa dos -30°C e a comemoração do grupo foi dentro do módulo Criosfera 1, cujo termômetro marcava 14°C (positivos).

Ano Novo da equipe do acampamento avançado. Foto: CPC/UFRGS Divulgação
Encerrados os trabalhos de instalação do módulo a equipe de cientistas deverá retornar ao Brasil depois de mais de dois meses no gelo, o que requer um bom preparo não somente físico, mas também psicológico para suportar as condições climáticas extremamente adversas à vida humana.

Jeffeson Simões ilustrou muito bem o ambiente enfrentado pelos pesquisadores:


"Eu mesmo já fiquei nove dias dentro de uma barraca (ou melhor movendo-se da barraca de dormir para a barraca-banheiro ou para barraca-cozinha), aguardando a melhora do tempo. Há casos de quase 20 dias em uma barraca e onde rajadas de vento ultrapassaram os 180 km por hora.
Um explorador polar deve antes de tudo aceitar os limites dados pela natureza. Frio, ventos fortes constantes, neve à deriva, fendas no gelo, são todos fatores que poderão mudar seu planejamento idealizado no agradável escritório. Assim, entre os problemas mais incômodos para uma equipe no campo estão aqueles participantes muito acostumados às facilidades do meio urbano, que esperam que tudo ocorra como planejado e que tenham data de volta exata ao partir para uma missão antártica. Ainda podemos dizer que temos somente data provável de retorno! Para não acharem que estou falando de dias, há 40 anos ainda ocorriam atrasos de um ano no retorno para casa (simplesmente porque o navio que devia resgatar os pesquisadores não conseguia atravessar o mar congelado). Nos anos 1990, logo após a queda do muro de Berlim, alguns pesquisadores da ex-União Soviética ficaram de dois a três anos sem voltarem para o seu país. Bom, nosso grupo arrisca-se no máximo a atrasos de uma semana a 15 dias!"  Fonte: O Eco - Diário da Criosfera



Jefferson Simões, líder da expedição Criosfera. Foto: Divulgação CPC/UFRGS

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