segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Família Rodante rumo Chile 1: Viajando (muito) com crianças


Foto João Paulo Lucena

A tradição familiar é antiga e remonta a mais de 50 anos de paixão pela vida ao ar livre e os acampamentos junto à natureza como atividade lúdica e prazerosa. Coisa que, confesso, para muita gente é algo impensável, excêntrico e, até, de outro mundo.

Com meus pais saí a primeira vez para acampar ainda com 6 meses de idade, bem instalado em uma grosseira barraca militar, de lona e armação de ferro, sem piso, tendo a porta fechada por laços no lugar de zíperes. Dentro, camas de lona com armação de madeira, cobertores ao invés dos hoje indispensáveis sacos de dormir e, claro, muita formiga e mosquito.

O tempo passou, as barracas evoluíram, surgiram os trailers e motorhomes. Em família fomos acompanhando a mudança dos tempos, desbravando caminhos pelo Brasil e pelas rotas castelhanas do Cone Sul, opção facilitada pela proximidade dos Rio Grande do Sul com o Uruguai, o Paraguai, a Argentina e o próprio Chile, a pouco mais de dois dias de viagemininterrupta por terra. De minha parte a paixão pela vida simples e o contato direto com o mundo outdoor só potencializou-se conforme fui crescendo e conquistando independência e a experiência de viajar sozinho.

A grana curta dos tempos de estudante nunca impediu o sonhar com novas viagens, que a cada vez se superavam em desafios e dificuldades. Com uma mochila nas costas fui aos poucos conhecendo os caminhos do meu estado, depois do país, das Américas e da Europa. Pela proximidade geográfica, a identificação cultural e mais algum misterioso componente genético, a paixão maior sempre foimesmo pelo sul da América Latina, onde comecei a explorar com meus pais nos anos 70 e nunca mais consegui parar.

Agora, reavivando o espírito das antigas férias familiares, o desafio e a adrenalina são diferentes: ir por terra de Porto Alegre a Valparaíso, no Chile, com 3 crianças entre 8 e 12 anos no banco traseiro do carro, através de 6 mil Km e passando por 4 países diferentes. E, depois de tudo, sobreviver e retornar a casa com pleno domínio de todas faculdades mentais...

É pouco? Então somem a isso saber que não ficamos em hotéis, resorts ou pousadas de luxo mas, no melhor clima easy rider, por opção os pernoites foram exclusivamente em hostels, campings, cabanas, refúgios de montanha e, eventualmente, recebidos por amigos queridos colecionados ao longo de anos e anos percorrendo os caminhos da América do Sul.

Feita a apresentação, vamos contar aqui no blog como se faz para aventurar-se assim com crianças, relatando a nossa viagem e, tomara, estimulando outros a descobrir que a desconexão não só é possível mas pode esconder surpresas incríveis no prazer das coisas simples, onde, como gosto de lembrar, o menos é mais.

Não é tão difícil. Basta uma boa dose de desprendimento, força de vontade e espírito de aventura. O resto se descobre - e se resolve - pelo caminho.

Viajamos durante 25 dias e a idéia era ir postando aqui o relato da viagem conforme possível, eventualmente escrito por um ou outro dos tripulantes, cada um no seu estilo e com a própria visão dos acontecimentos. Todavia, a inexistência de acesso contínuo à rede wi-fi aliada ao cansaço no final de cada dia, ao avançado das horas e, mais que nada, a uma irresistível vontade de ficar longe do notebook durante a viagem, nos trouxe à realidade e, portanto, estas postagens foram feitas logo do nosso retorno ao Brasil.

Então nós, a partir de agora a Família Rodante, convidamos todos a nos acompanhar nesta aventura!

João Paulo, Karina, Gabriel, João Pedro e Katharina


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