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A enorme samaúma se destaca sobre a copa das árvores da Floresta Amazônica. |
Dentre as várias versões que correm por aí sobre a origem da escalada em árvore como atividade esportiva independente, uma delas relata que teria se originado em 1995 a partir das técnicas desenvolvidas para observação de epífitas (bromélias, orquídeas, etc.), dentro do Projeto Plantas Aéreas do Amazonas, patrocinado pelo governo estadual do Amazonas.
Não que subir em uma árvore seja uma suposta descoberta contemporânea, quanto mais quando se sabe que o homem partilha, junto com o macaco, de um ancestral comum...
Todavia, não se trata aqui de subir na ameixeira do quintal da sua avó, mas talvez de uma sequóia gigante, ou de uma samaúma amazônica com o topo da copa a 70 metros acima do solo, isto sim exigindo muita técnica, equipamento adequado e uma boa dose de força e disposição!
Ascender sobre a copa de todas as demais árvores, o que se conhece por dossel, especialmente em uma floresta tropical como a Amazônia, é entrar em um mundo à parte, repleto de seres adaptados à vida nas alturas, sendo que boa parte deles jamais tocará o solo a dezenas e dezenas de metros abaixo.

Acompanhados por Eduardo Cunha e Fabiano Moraes, da Amazon Tree Climbing, navegamos em uma lancha voadeira por mais de duas horas a partir do alojamento de selva Juma Lodge, atravessando igarapés e igapós em busca da samaúma perfeita, às margens de um dos seus afluentes do Rio Juma, em plena floresta amazônica.
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A samaúma que escalamos com o topo da copa a 70 metro acima do solo da floresta, equivalente a um prédio de 20 andares. |
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Os galhos principais, objetivo da escalada, a uma altura de 50 m. |
Localizada a árvore, a escalada iniciou com a montagem dos sistemas de ascenção. Para fixação das cordas a equipe da Amazon Tree Climbing desenvolveu uma espécie de atiradeira, com a qual é lançada por cima dos galhos principais uma linha mais fina, utilizada depois para puxar para as cordas mais pesadas usadas na escalada.

Há necessidade de utilização de equipamento técnico de escalada, alguns bem conhecidos como capacetes, luvas, estribos, mosquetões, freios, ascensores e descensores. Outros, nem tanto, pois adaptados para a atividade em árvores, assim como as cadeirinhas especialmente desenhadas para maior conforto e as combinações de linhas e pesos para montagem dos sistemas de ancoragem e corrimões no topo da árvore.
Acompanhada de guias habilitados qualquer pessoa pode escalar uma árvore uma vez que, durante o percurso da subida, se utiliza basicamente a força das pernas, sendo possível descansar o tempo que for necessário durante a ascenção.
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Equipamento individual de escalada em árvore. |
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Observar a copa das árvores de baixo para cima também é uma experiência relaxante, em especial sob o calor sufocante 40º C em meio a uma rainforest... Foto: Ana Karina Belegantt |
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Fixadas as cordas do sistema de ascenção, começa a escalada de 50 metros até os galhos principais. |
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Aos poucos a turma vai chegando... Léo Sassen direto na atividade! |
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Montando os sistemas de passagem entre os galhos da copa...![]() |
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Para a escalada são usadas combinações de ascensores e estribos, utilizando-se em essência a força das pernas. |
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A equipe de produção também se esforça. A fundo, no rio, os câmeras do Programa Adrenalina. |
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Luca Silveira, o multi-cameraman do Adrenalina. |
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E os guias da Amazon Tree Climbing, Fabiano e... |
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...Eduardo, em meio ao jardim suspenso de epífitas na copa da samaúma. |
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Ana Karina Belegantt 50 metros acima do solo da floresta. Só resta curtir a paisagem... |
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Ana Karina e o autor deste blog... |
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NATIONAL GEOGRAPHIC: Em outubro de 2009 a edição 115 da revista National Geographic publicou uma interessantíssima matéria sobre as sequoias, tendo como título de capa Terra de Gigantes, cuja íntegra pode ser lida AQUI. No caso a árvore escolhida para ser escalada foi uma sequóia gigantesca, cuja fotografia integral exigiu o desenvolvimento de uma técnica especial para a captação das imagens em estágios e posterior montagem dos fotogramas.
COMENTÁRIO FOTOGRÁFICOS: Encontrei duas grandes dificuldades para fotografar na floresta amazônica. A primeira foi o permanente desafio para equilibrar a fotometria em função do enorme contraste claro-escuro, decorrente do jogo de sombra e sol tropical dentro da mata.
A segunda, sem solução aparente, foi o embaçamento das lentes, fruto da umidade da floresta e das constantes variações de temperatura, consequencia das tempestades tropicais que entremeavam nossas atividades durante todos os dias em que estivemos na Amazônia.
Vou perguntar ao Rodrigo Baleia qual é o "pulo do gato" para proteger o equipamento da umidade...
IMAGENS: Todas as imagens foram captadas utilizando-se uma Canon EOS-1D Mk II e conjuntos de lentes da mesma marca. © 2010 João Paulo Lucena.