segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Viagem: As Aventuras de Egon no Irã - 4. Em Abyaneh

"4. Egon em Abyaneh (interior do Irã)

Sob bekheeyr (olá, em farsi).

Nesta pequena vila no meio das montanhas realmente voltamos ao ano de 1389. Com uma população residente de apenas algumas poucas almas, a maioria senhoras de idade que ainda usam o persa antigo como linguagem, este pacato povoado segue parado no tempo.

As casas são todas de adobe avermelhado (tijolos de barro e palha, secos ao sol) e a vida aqui se mantém desde o século V pela presença de um pequeno curso de agua, vindo das montanhas acima. Todas as portas das casas sempre tem duas “campainhas” (peças metálicas que produzem sons diferentes ao serem batidas contra a porta): uma para ser usada se o visitante for homem (quem vai atender será o homem da casa) e outra se for mulher (a senhora é quem atende) – fundamental separação em uma sociedade onde a mulher fica oculta sob o véu islâmico.

Como estamos no outono, época do final da colheita, nos telhados sempre havia grandes bandejas trancadas, com frutas amarelas secando ao sol. Uma senhora muito simpática nos convidou a entrar e subimos lah: eram ameixas doces como mel – uma delicia. Batemos um papo em “mimiquês” e a senhora deu conselhos para a Luciane cuidar muito bem do Egon, não deixar faltar nada, dicas de vida (foi o que eu supus, afinal ela sempre apontava o dedo para mim...). Enquanto isso, pulei de telhado em telhado e achei um bom ângulo para fotografar a mesquita de barro do século XI com seu domo verde-turquesa... hehehe

Já nas ruas estreitas, logo em seguida, 4 moças locais, recatadas com seus chadores, nos convidaram a conhecer detalhes da vila e, depois de bastante caminhar, fomos à sua casa. Depois de uma rodada de pedaços de melancia gelada e chá elas tiraram os véus – estavam com roupinhas mais sem-vergonha por baixo. Riam e conversavam alegremente com nos – uma delas falava inglês – inclusive nos convidaram para dormir lá (apenas uma peca acarpetada onde todos dormiriam). A esta altura eu estava com a Lu e as 4 mocas e me dei conta que, ao longo da caminhada, uma delas ficava me filmando com o celular:

- Tu não notou que deram vários zooms na tua bunda quando tiravas fotos? – disse a Lu baixinho em meu ouvido, rindo da minha cara.

Sei lá, mas elas eram muito simpáticas com nós... e iniciamos a caminhada de volta ao nosso hotel, após uma despedida sem fim.

Khoda hafez,

Egon

PS.: O hotel ficava a uns 2 km lomba acima – e a pressão já iniciou logo nos primeiros passos, acho que a melancia fermentou meio rápido... brrrrrrr... e, de passo em passo, com paradas para respirar fundo, fui me aproximando do hotel. Concentração! – eu dizia para mim mesmo, já ficando meio verde. Mas, a apenas uns 30m da porta do hotel não deu mais para segurar: pulei num valo seco criado na época de chuvas, baixei as calcas muito rápido e foi o maior escândalo pelo qual já passei.... que vergonha..."

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(*) EGON FILTER é fotógrafo e correspondente exclusivo do Terra Australis. Tem suas imagens disponibilizados no site Images do Share

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