quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Viagem: As Aventuras de Egon no Irã - 12. Entre os mercadores de Damascus

"12. Egon entre os mercadores de Damascus

Enquanto que Jerusalém foi o centro religioso do mundo antigo, a capital da atual Síria sempre foi o centro de comércio da região ? o centro do poder econômico mundial por, talvez, alguns milênios. Continuamente habitada há mais de 5000 anos, Damascus não conta o tempo em anos ou séculos: aqui se conta o tempo pelo número de dinastias e impérios dos quais esta cidade foi a capital... Rei David de Israel, Assírios, Nabucodonosor, Persas, Alexandre o Grande, Nabataeus, Romanos, Califas Umaíadas, Turcos, Cruzados, Mongóis, Otomanos, Franceses... ufa, é muita história para apenas uma cidade.

E a maior atração aqui é a cidade antiga, ainda com traços medievais islâmicos e preservada, que tem mais ou menos 1x1.5km, bem no centro de Damascus. Era toda murada, com bairros muçulmano, cristão e judeu - e com 13 portões de acesso que eram fechados ao anoitecer até 50 anos atrás. Hoje, sem a maior parte dos muros e portões, grande parte é ocupada pelo o Souq Al-Hamidiyya, um enorme e labiríntico mercado extremamente vivo e agitado.

Foto: Egon Filter
No Souq (mercado) tem de tudo: lojinhas de roupas, com modelitos de chador ou burka - além da secção de tecidos, onde o que mais vende é o preto. Frutas secas e cristalizadas, cafés, chás e temperos tão diversos que não conheço a maioria deles. Doces deliciosos como a baklava, barazi e bor'ma - todos eles com pistachios e que fazem a fama da Syria. Perfumes preparados na hora pelo perfumista, que mistura as essências e fixadores na hora e sem o uso de álcool (de uso proibido pelo Islã). Carpetes e tapetes (sempre os vendedores mais insistentes!). Ouro e jóias, vendidas por pesagem e com designs que agradam as madamas locais. E assim por diante...

Foto: Egon Filter
Foto: Egon Filter
Cansados de caminhar pelo Souq, tiramos as botas, a Lú colocou o chador, e entramos na lindíssima Umayyad Mosque, uma dos mais importantes mesquitas de todo Islã (junto com as mesquitas de Mecca, Medina e Jerusalém). Isto aqui já foi um templo pagão ao deus Hadad (dos arameus, séc IX AC), transformado em templo ao deus Júpiter (romanos, séc II AC), depois em basílica cristã de João Batista (bizantinos, séc III DC) e, finalmente, em mesquita islâmica (muçulmanos, séc VII DC). É muita história.

Foto: Egon Filter
Foto: Egon Filter
Foto: Egon Filter
Conversamos (ou, pelo menos, tentamos) com muitos visitantes iraquianos, iranianos, sauditas, indianos - enfim, pessoas que vem de longe para conhecer este local sagrado - vendo a Lu com chador vários nos perguntavam se éramos muçulmanos... Todos muito simpáticos, e os sírios, em particular, sempre nos ofereciam ajuda e explicações desta construção. Muito legal. E, com o pôr-do-sol, os alto-falantes de seus três minaretes entoavam a chamada para oração - um som meio mágico que sempre nos lembrará a beleza do Oriente Médio...

Foto: Egon Filter
Salaam alaykum,

Egon

http://www.egonf.com/

PS.: Nos sentamos em um bar local para tomar um chá de menta e fumar uma sheesha (narguilé). Sentado em seu trono junto à parede, Abu Shady é considerado o último contador-de-estórias profissional da Syria - uma tradição das ruas do Oriente Médio que surgiu no século XII e, infelizmente com o rádio e televisão, desapareceu nos anos de 1970. Todas as noites ele vem aqui e conta, com uma empolgação eletrizante, estórias mirabolantes de sultões e seus feitos heróicos. Apesar de não enterdermos nada da língua árabe, praticamente conseguimos imaginar o desenrolar da estória... bem, talvez algo no ar - sei lá... hehehe."

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(*) EGON FILTER é fotógrafo e correspondente exclusivo do Terra Australis. Tem suas imagens disponibilizados no site Images do Share.

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